01 - Sete - Parte 4

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    – Vocês passaram mal porque começaram a passar pela transformação. Ó, Nuvens... É difícil começar a explicação.
  – Pra começar é só começar –  Anne retruca marrenta, cruza os braços e olha irônica nos olhos de Dulan. Novamente, a senhora ri de forma suave da menina elétrica do Norte do nosso mundo.
  – Então, eu vou começar – Dulan corresponde simpática e plácida. Mais uma vez, enquanto ela já começou a falar com as outras, ela tem que lidar com a verborragia da garota finlandesa.
  – Eu tô... A gente tá desacordada há oito dias? –  Micaela pergunta em voz baixa e um tanto assustada. Ela põe uma mecha do seu cabelo longo e encaracolado para trás da orelha. Tentativas de distrair o seu medo.
  – Sim –  e Dulan continua para todas:
  – Assim que vocês desmaiaram, recebemos uma forma de aviso e as buscamos. – E para Anne, ela acrescenta:
– E não... Não somos aquelas pessoas que estavam atrás de você, as quais, aliás... Tivemos que abater para te salvar.
    Mesmo perplexa, a finlandesa não o demonstra. Dá de ombros e solta:
  – Parabéns, linda. Mil anos de gratidão. Após segundos curtos, ela sugere:
– Continua, linda.
– Mas, que lugar é esse? Termina de explicar. Preciso trabalhar. O que tá acontecendo? – Alice interroga solícita, mas ainda assim bastante educada.
– Vocês estão num antigo hospital, que habita nas ruínas da extinta Galliomenese – a mulher da túnica azul explica paciente. As Sete ficam em silêncio. Coisa que Sonia tem feito desde o começo. Isso inclui o seu olhar vazio. Ruth também está quieta. Mas, a essa quietude, ela acrescenta uma expressão de descrença e que zomba de Dulan.
– Ah... Aqui não é a Terra – Dulan declara tomando uma face mais sisuda. E ela completa após perceber que todas estão caladas pelo espanto e pela incredulidade:
– E vocês... Não são da Terra. Nunca foram. E agora, vocês estão se tornando o que já estava guardado dentro de... Estrondo. O lugar todo treme.
– Ah, não... –  a senhora Dulan suspira. Ela desaparece, ao mesmo tempo, dos sete quartos onde estão as mulheres que creem ter desmaiado há oito dias e ido parar em outro mundo.
  – Que porcaria, é... – Anne nem consegue terminar. Micaela chora na sua cama sem entender o que está acontecendo. Ruth sai da cama e põe o pé no chão, mas cai. As pernas estão enfraquecidas por muitos dias de sono. Olívia é a única que consegue se levantar sem esforço. Por isso, com um pouco de cautela, espreita-se para fora do quarto. Ela se depara com Martha, de pele negra, olhos grandes e amendoados, que sai aos poucos do cômodo ao lado. No primeiro momento, o encontro das duas é receio e susto. Como dois animais que se examinam, buscando um aliado ou inimigo no outro.
   – Você é uma das... Sete? – a sul-africana questiona se aproximando aos poucos.
  – Eu? Eu acho que... Eu acho que sim. Mesmo sem saber direito o que isso significa. O que tudo isso sig... – Olívia para de falar por causa de mais um estrondo.

***


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