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                             Mia

Ai ai ai. Dormi tão bem e leve ontem,quer dizer,depois do show de buzinas e de o cara quase ter quebrado a porta de casa eu dormi otimamente bem.

"Mãe, estou indo pro trabalho. Qualquer coisa me liga." digo e ouço ela descer rapidamente as escadas.

Ela me olha de cima abaixo e sorri.

"Como minha bebê cresceu. Está tão linda." diz e me abraça.

Three, two, one.

(3,2,1)

Vai começar o choro.

Bom,não que eu esteja reclamando de nada,mas minha mãe é, digamos bem,mais bemmmm emotiva,e qualquer coisa é motivo de choro. Ah um sapo morreu, e lá vamos nós. Ah,matei uma formiga que tava na pia quando fui lavar louça, e lá vem as Cataratas do Iguaçu. Ah,o vizinho tirou dez em matemática, lá vem o rio Nilo.

É tipo assim sempre. Já virou rotina, mas na verdade acho que isso é carência, eu sei lá depois que meu pai nos deixou nada foi igual. Bom eu pensei que eu estava mal,até realmente crescer e perceber que minha mãe se encontrava pior que eu.

Eu não sabia até os 15 anos,mas ela chorava todo dia exatamente ao meio dia. Eu descobri isso um dia quando voltei mais cedo da escola por ter tido aula vaga,eu cheguei quieta pensando em fazer uma surpresa e ouvi soluços, então eu fui ver e lá estava ela,chorando como uma criança que perdeu o bichinho de estimação preferido.

Na hora eu fiquei meio atônita,não sabia o que fazer então eu saí. Eu simplesmente saí de lá e fui parar num parque,bom aquele parque mais tarde virou o meu parque da dor,e mais tarde eu conheci o Andrew lá, sentado no meu banco,onde eu chorava sempre. E mais tarde ele se tornou motivo do meu choro naquele banco também.

Bom até aí tudo bem. Mas ai eu comecei a fingir que sentia dores na escola para voltar mais cedo pra casa, sempre na mesma hora, 12:00h em ponto. E eu sempre ouvia os soluços.

Bom,aí eu tomei atitude e comecei a tentar ajudar ela. Bom eu tirei ela do choro por algum tempo,mas percebi que piorei a situação quando olhei nos olhos dela e vi tudo preso lá dentro,todos os sentimentos sendo contidos. E aquilo começou a se acumular, e assim foi por algum tempo até ela entrar em depressão.

E por mais que ela fosse em psicólogos, e tomasse remédios e enfim tentasse,eu sabia que no fundo aquilo não iria passar. Eu sabia que ela iria continuar assim até o meu pai se decidir e voltar. Foi uma escolha dela viver se martirizando e eu não podia ajudar.

Meu pai nos deixou e ela não superou.

Meu pai,ele até foi um bom pai no começo mas aí começou a beber,se viciar em algo que só traria malefícios a ele. E aí vieram as drogas. Discussões,brigas, etc. Porém ele nunca,nunca bateu nela.

Bom,quando vejo já estou dentro de um taxi a caminho da empresa.
O caminho até a empresa é entediante e pra piorar o taxista ao envés de olhar para os sinais,fica olhando pra minhas pernas pelo retrovisor. É pra acabar mesmo!

Hoje é terça feira. Ou seja,segundo pior dia da semana depois da segunda feira. E eu sei que algo de péssimo vai acontecer hoje,já que não tenho sorte com terças-feiras.

Saio do taxi e pago,olho a minha frente o prédio enorme,respiro fundo e adentro nele com meus saltos.

É, como eu disse,um mau dia,já que a primeira cena que avisto se passa com Camila nos braços de James,tudo parte do plano,mas isso me incomoda muito. Se bem que pelo que percebo sua cara é meio incomodada e isso me faz dar um sorriso de vitória.

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