Capítulo 20

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 Não foi difícil para Vincent, encontrar as redes sociais da mulher que Adelle disse se chamar Janice, bastou procurar entre os contatos da sua amiga o perfil do Giovani e no dele, nem sequer precisou procurar, pois a tal ex-namorada marcava presença nas postagens dele, seus comentários emanavam amor e desespero, pareciam mesmo vindo de uma doida obsessiva.

Segundo o seu perfil, ela se chama Janice Hanson Stout, trabalha como gerente de marketing na Miller's, uma loja grande de Los Angeles, muito conhecida pelas várias bonificações aos seus funcionários e aos cientes, ela era divorciada e sem nenhum filho aos seus trinta e quatro anos, suas fotos mostravam uma mulher bonita, obviamente ela não precisava mendigar a atenção de Giovani, mas era exatamente isso que fazia, pois grande parte de seus inúmeros posts foram dedicados a ele, que nem sequer lhe respondeu, mesmo os que ela paparicava a barriga, referenciando a sua gravidez.

Vincent teve dúvidas se a barriga, um pouco aparente de Janice, fosse proveniente da gestação, pois ela era bastante encorpada.

Ele visualizou todas as fotos procurando por lugares que ele conhecesse, leu tudo que havia em seu perfil, quem sabe encontrasse ali alguma brecha para chegar até ela, mas não achou. Partiu para listas telefônicas, em posse do nome dela, foi fácil encontrar seu telefone e endereço, restava descobrir se ela vivia sozinha, o que ele torcia para que sim.

No dia seguinte, ao deixar sua esposa no trabalho, daria um jeito de descobrir. Vincent não tinha pressa, pois ainda lhe restavam oito meses antes da viagem, tempo suficiente para fazer tudo que havia planejado.

Donna ia para a clínica sempre que a amiga tinha consulta agendada, o que acontecia com pouca frequência, pois a gestação de Adelle já dispensava tanto monitoramento, chegando ao segundo mês sem qualquer imprevisto. Dessa forma, acabaram se distanciando um pouco de Olivia.

Adelle se sentia realizada, estava adorando o novo cargo, embora lhe acrescesse maiores responsabilidades, mas era como se sua vida toda ela tivesse se preparado para isso, tamanha sua dedicação aos seus afazeres. A gestação também a fazia se sentir muito feliz, embora por vezes sentisse falta de ter alguém do seu lado, até começou a pensar que Giovani fosse uma boa opção, pois já conhecia os seus dramas, quem sabe pudesse dar certo dessa vez.

Como todos os dias, Vincent e Donna tomaram um delicioso café a caminho do trabalho, onde encontraram a moradora de rua caminhando na calçada de mão estendida, a barriga que denunciava pelo menos uns cinco meses de gestação se destacava em seu corpo magro, quase esquelético. Mais uma vez, lhe deram dinheiro.

Após deixar Donna na faculdade, Vincent seguiu até achar um telefone público, o qual usou para ligar para o número de Janice, retirado da lista telefônica.

— Alô — falou uma voz feminina do outro lado da linha.

— Bom dia! A senhora Anna Hanson Stout, por gentileza — pediu ele, em um tom grave.

— Não tem ninguém com esse nome aqui. Quem está falando? — questionou ela.

— Desculpe, sou Peter Stein, agenciador de viagens, minha funcionária ficou de confirmar os horários de embarque para uma cliente. Acho que ela anotou errado. Vou registrar aqui, que esse número não pertence a senhora Stout!

— Olha senhor, esse é meu sobrenome, mas não procurei por nenhum agente de viagens.

— Será que algum familiar da senhora deu seu número ou quem sabe alguém que more com a senhora... talvez minha funcionária tenha errado apenas o primeiro nome.

— Não acredito, ninguém teria porque passar meu número e eu moro sozinha, não faço ideia do que aconteceu!

— Nossa, que estranho! Vou fazer o seguinte, senhora, vou cancelar a reserva que minha funcionária fez, caso a cliente entre em contato, vou me certificar das informações que ela passar.

— Acho que é o melhor a fazer, mas desconfio que o senhor esteja sofrendo alguma tentativa de fraude.

— Se for isso, que bom que falei com a senhora — disse em um tom de voz que aparentava preocupação. — Desculpe o incômodo, senhora...? — perguntou ele.

— Ah, sim, meu nome é Janice.

— Obrigado senhora Janice, tenha um bom dia! — disse Vincent desligando, sem esperar a resposta.

Dois meses haviam passado, sem que Christopher e Ramona chegassem a qualquer conclusão do caso Ceifador de Anjos, no entanto, trabalho não faltou para a dupla.

Apesar do insucesso no caso que muito o atormentava, Christopher se mostrava bastante animado, isso graças a esperança que sua esposa Olivia irradiava, pela possibilidade de engravidar nos próximos dois anos, pois o casal finalmente rumava para a realização de um sonho.

Ramona, que também já cogitava uma futura gestação, se empolgou ainda mais com a ideia, pois embora amasse sua carreira, não se incomodaria em se afastar por algum tempo por fins de maternidade, pois não queria se tornar mãe com idade que envolvesse algum risco a ela e ao bebê.

Ambos eram pressionados por Jeremy, que o fazia por pressão vinda da Corregedoria e agora do Consulado Britânico, por causa do assassinato da inglesa Charlotte Jhonson, no entanto, o sucesso em noventa e nove por cento dos casos solucionados pelos detetives, Christopher e Ramona, em muito contribuíam para que ainda fossem considerados os melhores na função de descobrir quem era o Ceifador de Anjos, o serial killer por trás de todas aquelas mortes.

Verdade seja dita, ambos tinham muito mais questionamentos do que respostas, que iam desde as razões que levavam o assassino a matar gestantes e roubar-lhes os bebês, como também o que era feito com esses fetos.

Suspeitavam que cada um dos fetos extraídos e levados por esse terrível assassino, provavelmente compunham um acervo de souvenires dele, o que era característico dos psicopatas, que sempre levam consigo um pertence de suas vítimas, como se fosse um troféu merecido por seu ato ou mesmo uma recordação de sua conquista.

Comumente, quando os detetives apanhavam algum assassino em série, as provas contra ele estavam sempre em sua posse: gravações e imagens caseiras, pertences de cada uma de suas presas, fosse uma joia, uma peça de roupa, um objeto qualquer, uma mecha de cabelo e até mesmo membros do corpo delas.

O Ceifador de Anjos, certamente se encaixava nesse último tipo de psicopata, mas que, ao invés de levar consigo um dedo ou uma orelha como muitos já haviam feito, ele levava o feto, por isso que suas vítimas e seu modus operandi o tornavam tão peculiar.

Provavelmente, os souvenires levados por ele deveriam estar bem guardados e ao seu alcance, como em um porão, um sótão, um quarto qualquer alugado para esse fim ou quem sabe, em seu ambiente de trabalho, para que pudesse desfrutar dos seus feitos sempre que quisesse. Os detetives arriscavam afirmar que certamente estavam em vidros com formol devidamente etiquetados com os nomes das mães que ele atacou, organização essa muito comum a esses assassinos em série.

Ramona e Christopher, há muito haviam traçado o seu perfil, acreditavam que o Ceifador de Anjos estava longe de ser um predador sexual, assim como devia ser altamente controlado e sociável, pois os corpos deixados por ele nunca apresentavam qualquer agressão física ou sexual, mas de alguma forma, suas vítimas eram facilmente dominadas, o que poderia ser pelo fato do assassino ser um homem muito forte e assustador, como também uma pessoa bastante persuasiva e manipuladora, o que lhes parecia mais lógico.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!