Capítulo 11

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Dedicado a AmericaBook

Durante a semana, Alice não tocou no assunto e não falou mais nada em relação ao que tinha acontecido entre nós. Aos poucos, nossa amizade estava voltando ao que era antes, mesmo que no fundo eu soubesse que ela ainda estava chateada.

Passamos a nos aproximar ainda mais do Augusto, o garoto que conhecemos no primeiro dia de aula. Confesso que no começo não ia muito com a cara dele, mas depois passei até a achar ele um cara legal. Ele sempre nos convida para festinhas e encontros casuais na cada dos amigos. Alice nunca pode ir, enquanto eu, apesar de não ter a quem obedecer, nunca aceitava. Não gostava de ficar em lugares que tivesse muita gente, nem muito barulho. Talvez parecesse loucura, mas simplesmente odiava. Preferia ficar em casa, no meu lugar, com meus livros e meus textos desconexos. Era onde onde me sentia bem, onde eu era eu. Simplesmente.

***

Estava voltando de mais um cansativo dia de trabalho, desejando com todas as minhas forças cair na cama; quando surpreendi Lana saindo da pousada, apressada. Ela colocava algumas malas e bolsas em um táxi, aquilo me causou certa aflição.

— Lana? — falei, aproximando-me em passos apressados. — Onde você vai com tudo isso?

— Oi, Rick — disse, contraindo os lábios em um sorriso discreto. — Vou me mudar, acho que já está mais que na hora de recomeçar minha vida em outro lugar.

— Por que tá indo assim, tão de repente?

— Desculpa não ter te avisado antes, decidi isso hoje — disse, pondo sua última bolsa no carro. — Muito obrigado por tudo que fez por mim, de verdade.

— Para onde você vai? Preciso saber!

Não contive minha exaltação. Ela me lançou um olhar meio assustado e continuou a colocar as últimas malas dentro do táxi.

— Prometo te ligar e explicar tudo outra hora, mas agora eu preciso ir, tá? — concluiu. Logo em seguida, entrou no carro rapidamente, o qual deu partida deixando-me para trás.

Fiquei sem reação por algum tempo. Tudo que queria era ir atrás dela, saber onde ia, tê-la perto de mim. Ver a Lana indo embora era angustiante. Talvez nunca mais a visse e tivesse que aceitar que ela iria sair da minha vida de uma vez por todas, que nada que eu fizesse poderia mudar isso. Mas não era tão fácil assim.

Passei o resto da noite pensando onde ela poderia ter ido, entretanto, não conseguia lembrar de nem um parente seu, a não ser sua tia — a qual não fazia a mínima ideia de onde morava. Lana perdeu os pais ainda garota, desde então morou com seus avós e logo depois que faleceram, foi morar com a tia até se casar. Não conhecia outros de seus parentes e por isso, não fazia ideia de onde poderia estar. Agora a única alternativa era esperar que me ligasse como prometeu.

***

Na manhã seguinte, acordei com um barulho ensurdecedor na porta do meu quarto. Alguém batia a porta sem parar, causando um barulho desconfortante. Levantei da cama e fui observar pelo olho mágico de quem se tratava.

Assustei-me ao ver a cara pálida, cheia de orelhas e extremamente desnorteada daquilo que um dia fora meu pai. Não sabia se abria ou simplesmente o ignorava, de certa forma, eu não suportava ter que encará-lo outra vez. Mas, minha curiosidade sobre o que ele estaria fazendo ali foi maior, então, eu abri.

— O que faz aqui? — perguntei, desentendido.

— Não pense que vim até aqui para te visitar ou algo do tipo — iniciou, olhando-me friamente, como se nem ao menos me conhecesse. — Só estou aqui porque sei que você sabe exatamente onde a Lana está.

— Como soube onde eu morava? Quem te disse? — perguntei incrédulo.

— Não interessa. Eu sei que a Lana está por aqui e você sabe muito bem onde. Me diga, onde ela está?

— O que você quer com ela? Quer encontrá-la para continuar a explorá-la do jeito que fazia, é isso? Acho melhor você ir embora daqui, porque eu não vou te dizer onde ela está.

— Tem certeza do que está dizendo, garoto? — disse, olhando-me com um visível ódio nos olhos.

— Sim — falei, encarando-o. — E o que pretende fazer por isso, me matar?

— Não sujo minhas mãos com coisas como você, não vale a pena o meu tempo.

— Eu não duvido mais nada vindo de você.

— Pode ser — disse, com um sorriso sarcástico, o qual me causou arrepios. — Mas isso não é da sua conta. Então me diga, onde está a Lana, ou eu mesmo terei que achá-la.

— Apenas me responda uma coisa... O que você quer com ela? Por que insiste em saber onde ela está? Ela não quer mais nada com você, deixe-a em paz.

— Você definitivamente é um idiota, Ricardo. Será que não vê como é a sua querida madrasta? Será que só sabe defender vagabundas? — riu, debochadamente. — Você é um perfeito idiota!

— Mais do que está falando? — digo, alterando-me. — Definitivamente, está fora de si!

— Lana é uma vagabunda, assim como era sua mãe, Ricardo! — começou a alterar ainda mais o tom da voz. — Mas isso não vai ficar assim, ela não vai me fazer de idiota.

— Não fala assim da minha mãe e nem da Lana — gritei.

Quando ele tocou o nome da minha mãe, não pude esconder a minha indignação. Confesso que não entendi o porquê de ter falado assim dela, já que nunca tinha dito nada parecido antes. Na verdade, ele nunca mais falou dela depois de sua morte. Aquilo e deixou furioso.

– Ele se aproximou de mim, rindo com desdém. — E o que você vai fazer garoto? Por acaso isso é mentira?

Sem pensar duas vezes, dei um tapa na cara dele. Ele olhou para mim, possuído de ódio, parecendo não acreditar no que acabei de fazer.

— Não passa de uma mulherzinha, já que bate como uma — iniciou. — Não sabia que tinha convivido tanto tempo com um idiota como você.

— Melhor que ser covarde! — digo, rindo da sua cara. — Você é um covarde! Como tem coragem de bater em uma mulher daquela forma, porque não vem bater em mim?

— Cala a sua boca! — gritou, então me empurrou bruscamente contra a parede, fixando suas mãos no meu pescoço. — Acho bom que não se meta no meu caminho, garoto. — concluiu, então soltou-me no chão e saiu pela porta, fechando a mesma bruscamente.

Respirei profundamente, sentindo minha respiração normalizar aos poucos. Depois de tudo o que aconteceu, só consegui pensar em uma coisa: Precisa encontrar a Lana.

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OI GENTE!
Como vocês perceberam, tem muita coisa vindo por ai e a partir desse capítulo, as emoções já começaram! Espero que estejam gostando e não deixem de comentar suas opiniões sobre a história! =)

Beijão, Karol.❤

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