Diversos #8 - Leia muito, leia de tudo #3

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Complementando a minha sugestão de livros, gostaria de dividir com vocês o impacto singular que algumas histórias tiveram na minha escrita.

Série Harry Potter (J K Rowling): Com toda a certeza, vocês já perceberam que em cada um dos sete livros começa com Harry saindo do mundo trouxa (só o último termina de forma diferente). Toda história começa e termina no trem que leva à Hogwarts. Essa é uma estrutura chamada de episódica (início e fim mais ou menos no mesmo patamar) e facilita a arquitetura de uma série longa. JK definiu essa estrutura antes de escrever o primeiro livro. Depois, dividiu os grandes acontecimentos nos sete livros e pode escrever sem medo de seguir para a direção errada. Esse é um ótimo exemplo dos benefícios do planejamento do enredo. Se você quer escrever uma série de livros, recomendo que leia os sete livros de Harry Potter e os cinco de Percy Jackson (Rick Riordan)

Prince of Thorns (Mark Lawrence): O grande atrativo dessa trilogia já é apresentado no primeiro parágrafo do primeiro capítulo. Sim, o enredo e mundo fantástico são muito bons, mas o diferencial é o protagonista. É raro ver um anti-herói com tanta empatia. Jorg é cruel, sanguinário e vingativo. Mesmo assim, o autor nos conecta com o protagonista imediatamente. Recomendo que leia esta história caso perceba que o seu protagonista não tem empatia (é difícil torcer por ele), principalmente se ele for um anti-herói ou o vilão. Também recomendo DIAS PERFEITOS (Raphael Montes).

Fúria vermelha (Pierce Brown): Um dos melhores livros que li nos últimos anos. Enredo, personagem e mundo muito bem construídos. Mas o grande diferencial deste livro é o ritmo. O chamado "fast pace" (velocidade de acontecimentos da trama e a quantidade de reviravoltas) é impressionante. O leitor está sempre à margem da trama, nunca sabe para onde ela vai. Aconselho para quem perceba lentidão na sua escrita. Leia. E depois releia procurando as reviravoltas e refletindo na velocidade do enredo.

Ed Mort – Todas as histórias (Luís Fernando Veríssimo): Uma obra engraçadíssima que por isso já deveria ser lida. Mas o que me ressaltou nessa obra foi a forma como o tamanho das frases altera o ritmo da história (trataremos mais disso em outro capítulo). Veríssimo é um arquiteto do ritmo. Ele quebra as frases ao meio para ganhar humor ou suspense. Sem dúvidas, o livro que individualmente mais influenciou a minha escrita. Aconselho para todos. Qualquer trama precisa de suspense.

O quinze (Raquel de Queiroz): Somos brasileiros e temos nossas raízes. Sim, nossos gostos são muito influenciados por outras culturas, mas nosso comportamento nem tanto. Quem já morou no exterior sentiu na pele as características que fazem do nosso povo único. Odiando isso, ou não. Por isso, precisamos entender o que fez o nosso país ser o Brasil. O QUINZE relata a vida das pessoas que sofreram com a grande seca de 1915. Depois dela, você vai entender mais as forças que movem nosso país e a individualidade frente às tragédias. Outra obra que nos ajuda a entender os brasileiros é RAÍZES DO BRASIL (Sérgio Buarque de Holanda). Ela é densa (lenta e chata), mas quando você a terminar, vai entender o nosso país como poucos.

A arte da guerra (Sun Tzu): Este é um dos principais livros de estratégia da humanidade. Nos ajuda a entender e prever o comportamento humano em conflitos. E conflito é o que move a história. Aconselho qualquer pessoa a ler este livro. Principalmente, se quiser escrever uma saga. E igualmente O PRÍNCIPE () – que é mais denso.


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