21- Autoridade

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HEITOR NARRANDO

Meu dia começa exatamente às 6h30 da manhã. Geralmente é mais cedo, mas ontem cheguei absurdamente tarde da delegacia e me dei ao luxo de dormir mais alguns minutos hoje.

Levanto e sigo direto para o banho. Mesmo meu trabalho sendo exaustivo, sempre começava meus dias animado. Bom, pelo menos até Catarina escapar pelos meus dedos. Hoje faz mais de um ano que fiz a pior merda de minha vida e sinto esse peso todos os dias.
Aquela mulher me estragou para todas as outras e desde então nunca mais fui o mesmo.

É lógico que saio à noite (nos finais de semana, é claro) e pego outras mulheres, afinal, não poderia ficar mais de um ano sem transar com alguém. O louco é que não consigo mais ficar com morenas. Gosto de todos os tipos, mas as morenas sempre foram a minha fraqueza. Eu tentei dezenas de vezes esquecer essa "regra" ridícula que apareceu para me atormentar, mas não adianta. Catarina deve ter tanto ódio de mim, que fez uma macumba das mais ferradas pra mim, assim não pego mais nenhuma morena. Essa é a única explicação.
Ou então é coisa do bastardo do Lorenzo. Não duvido de nada vindo daquele ali que se diz meu irmão...

Brincadeiras à parte, sei que essa não é a verdade. Poderia ser, mas não é. A verdade verdadeira é que Catarina, para mim, é única e não posso simplesmente colocar outra em seu lugar. É por isso que faz um ano que só pego loiras ou ruivas. Patético, eu sei. Se eu pudesse voltar no tempo, jamais permitiria que Catarina conhecesse aquele desgraçado do Victor e hoje ela seria minha. Seria minha, pois não cometeria o mesmo erro duas vezes.

Não deixaria ela sair do meu carro naquele dia e teria me declarado a ela na manhã seguinte. Sim, só no dia seguinte, pois teria que passar o resto da noite ensaiando o que iria dizer e teria que comprar um anel. Não um anel de noivado ainda, mas um anel de compromisso. Só para dizer que ela é minha. Toda minha.
Mas, não. Eu tive que ser um canalha filho da mãe e deixei a mulher, por quem estou apaixonado, escapar.

Agora há outro homem tocando sua pele aveludada. Há outro beijando seu pescoço perfumado e tocando seus cabelos escuros como a noite. Só de pensar, um ódio descomunal toma conta de mim e soco a parede de azulejos do banheiro. Sinto uma dor chata nos nós dos dedos, mas não me importo. Eu mereço essa dor.

(...)

O dia passa devagar. Hoje, milagrosamente, não tenho muito o que fazer na delegacia e cogito a ideia de ir embora mais cedo. Talvez eu peça uma pizza quando chegar em casa, enquanto assisto basquete ou futebol. Não seria uma má ideia...
-Delegado? -Emerson, que trabalha comigo aparece. -Tem um cara boa pinta querendo falar com o senhor.

Pronto, lá se vão meus planos e minha paz.

-Que cara, Emerson? -suspiro cansado.
-Diz ele que é seu cunhado -dá de ombros. Deixo um riso leve escapar. Ainda é estranho ouvir essa maldita palavra e aceitar que minha irmãzinha namora.

-Mande-o entrar, Emerson.
-Sim, delegado -ele sai e poucos segundos depois Noah aparece. Seu rosto está sério e me pergunto o que veio fazer aqui.

-Noah -estendo a mão a ele, num cumprimento formal. Poderia muito bem cumprimentar ele como um amigo normal, mas ainda não temos tanta intimidade assim. Qual é? O cara dorme com a minha irmãzinha! O que você esperava?
-Olá, Heitor -aperta minha mão.

-Veio dar queixa sobre Luna? -levanto uma sobrancelha. -Eu avisei que a mulher era louca, você que não me ouviu!
-Não -ele ri um pouco. -Não é sobre sua irmã. Quer dizer, é e não é.

-Bebendo a essa hora do dia, Noah? Fale algo que faz sentido, homem!
-Não sei quem é pior, você ou Lorenzo? -ele faz uma careta.

-Lorenzo, é claro -reviro os olhos. -Aquele ali tem tantos defeitos que não dá nem pra contar, cara! Já eu, sou perfeito -pisco.

-Cara, eu gosto de loiras, mas você não faz meu tipo -tentamos ficar sérios, mas acabamos caindo na risada.

-Agora é sério, Noah -paro de rir.-O que te trouxe aqui? -ele também fica sério e bufa, passando as mãos pelo cabelo.
-Algo que me tirou o sono essa madrugada -diz.

-Sexo? -pergunto fazendo uma careta de desgosto. -Porque se for, pode dar meia volta, cara. A última coisa que preciso saber é da vida sexual da minha irmã caçula!

-Heitor, o assunto é sério! Pare de brincadeiras e deixe eu falar -seu tom me surpreende e quero fazer  piada sobre isso, mas resolvo fechar a matraca.
-Fale -reviro os olhos.

-Detesto rodeios, então vou ser direto -me encara e respira fundo.-Minha ex namorada louca está atrás de Luna.

Levo alguns segundos para assimilar suas palavras. Quando isso acontece, começo a rir.

-Você tá de brincadeira, né? -Noah me olha, parecendo não entender nada. -Cara, isso aí é comum! Sabe quantas fodas antigas minhas já não me perseguiram ou foram atrás das gostosas atuais? Dezenas, Noah.

-E quantas dessas garotas foram diagnosticadas com esquizofrenia e bipolaridade? -pergunta, erguendo a sobrancelha.

-O quê? -sinto como se tivesse levado um tapa na cara.

-Exatamente isso que você ouviu, Heitor. Há uma louca atrás de sua irmã e temo pelo o que ela possa fazer.

-Me conte essa história direito, Noah -mando.- E do começo.

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NOAH NARRANDO

Conto a história de Susan a Heitor. Desde quando nos conhecemos até quando ela foi internada pela primeira vez. Ainda não contei a ele sobre o que Susan fez à Luna e receio sua reação. 

-Essa tal de Susan é realmente perigosa -constata. -Precisamos agir antes que ela chegue perto de Luna.

Heitor me olha e hesito.

-O que foi, Noah? Que cara é essa?
-Ela já chegou até Luna, Heitor- confesso.

-O quê? -ele franze a testa, extremamente sério. -Como assim "já chegou até Luna"?

-Sua irmã irresponsável teve a brilhante ideia de confrontar Susan sozinha -só de me lembrar, tenho vontade de...
-Ela fez o quê? -Heitor praticamente grita. -Quando foi isso?

-Ontem.
-Ela não fez nada contra minha irmã, não é Noah? -pergunta completamente intimidador, mas parece ter medo da resposta.

Pego meu celular e vou até minhas fotos. Quando chego na que eu quero, estendo o aparelho a Heitor.

-Pra que isso?
-Apenas veja a foto, Heitor -ele hesita, mas pega o celular.

Ele encara a imagem por vários segundos e sua expressão até agora não me mostra nada.

-É o que eu estou pensando? -Heitor engole em seco. -RESPONDA, NOAH!

-Sim, Heitor. Esses são os braços de Luna. Susan fez isso a ela.

Tirei a foto dos machucados de Luna quando ela finalmente dormiu, já quase de manhã. Precisava mostrar a Heitor que não estou brincando: Susan é realmente perigosa e não vai parar.

-MERDA! -ele passa as mãos no cabelo, completamente agitado. -Minha irmã está bem, Noah?

-Tirando o óbvio, eu diria que sim. Ela está no meu apartamento, descansando. Não deixei ela ir trabalhar hoje. Há uma louca atrás dela e não vou arriscar.

-Fez bem -Heitor concorda. -O melhor é ela não sair até que eu encontre essa tal de Susan e a coloque numa clínica de segurança máxima. Você tem alguma foto de Susan ou algo que possa ajudar no reconhecimento?

-Luna a desenhou ontem pra mim, quando ainda não sabia que ela é minha ex namorada. Aqui está -tiro o papel do bolso da calça.
-Moça bonita -diz Heitor. -Uma pena ser completamente insana.
-É -concordo cabisbaixo.- Qual o próximo passo agora?

-Prestar queixa e ir atrás dessa maluca -diz mexendo em algo na sua mesa.
-Não temos que informar à autoridade? -Heitor levanta a cabeça e me dá um sorrisinho convencido.

-Eu sou a autoridade.

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Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii !!!!!!!! Heitor sendo Heitor 😂😂😂😍😭😭

Se preparem pq Heitor modo delegado está só começando, mulherada HAHAHAHA
Bom final de semana, galera 💋

A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!