Desilusão

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"Devemos esperar tudo de uma relação:

Amor, carinho, amizade, cumplicidade

Ódio, repulsa, intrigas, deslealdade

Discussões e picardias

Mas principalmente, uma grande desilusão. " 

9 MESES ATRÁS

-June, JUNE! Eu passei! Eu passei! – Uma pessoa infeliz gritavam pulando na minha cama.

-Me deixa dormir! – Atirei uma almofada na cara dele, colocando a outra sobre os meus ouvidos para abafar o som da sua euforia.

-Sai da hibernação, ursa ibérica! – Ele me insultou como sempre.

-Cala a boca, sua taquara rachada. – Devolvi o insulto com muito carinho e ironia.

-Se eu fosse taquara rachada eu não teria passado no teste. – Ele revidou sem se afetar.

-Se eu fosse ursa ibérica... - Fui falando me revelando ensonada e me colocando sentada, mas parei no mesmo segundo em que FINALMENTE processei a sua frase. – VOCÊ PASSOU! AAAAAHHH, VOCÊ PASSOU! – Foi a minha vez de dar a louca e pular no seu colo, quase o estrangulando com o meu abraço.

-Isso é porque você é uma ursa ibérica. Olha só seus abraços? São de dar medo aos próprios ursos! – Ele falou tentando me parar e me afastando.

Dei um tapa no braço dele, jogando a língua de fora e abrindo um sorriso enorme de seguida. Sim, eu era meio – completamente – bipolar.

-Tom, você passou! – Falei mais calma, mas com cara de alien contente. (Oi? Alien contente?)

-Vou ser um Dexter Boy! – Ele falou empolgado, fazendo um gesto com os braços, como se deslizasse os seus dedos pelas cordas de uma guitarra com violência.

-Não dá para mudarem o nome da banda não? É meio cafona. – Torci o nariz.

-Cafona é a senhora sua m...

-Ow ow, veja lá o que vai falar. Eu posso odiar ela e achá-la uma bruxa, mas só eu posso insultar minha mãe.

-Claro, papai só poderia acertar uma vez com a mulher certa para fazer filhos. Foi na terceira. – Se vangloriou me fazendo ferver de raiva.

-Seu abusado! – Gritei pegando em tudo quanto eram objetos e atirando na direção dele.

Thomas se desviava com perícia, já acostumado com esses meus ataques de violência, e fazia caras e bocas caçoando de mim.
Por fim ele abriu a porta do quarto e sumiu, gritando um "Te vejo mais tarde, maninha" no mesmo segundo em que eu atirava um frasco de perfume barato que mais um dos meus pretendentes me enviara, o estilhaçando por completo contra a porta.

-Merda. Agora esse fedor vai ficar entranhado nesse quarto. VOCÊ ME PAGA, THOMAS BRANDON!

-Ei, que gritaria é essa mocinha. Isso aqui não é a casa da mãe Joana! E olhe-me só para esse chiqueiro? Trate de arrumar tudinho num instante, Junia. – Mamãe foi logo reclamando de tudo como sempre fazia.

Oh mulherzinha insuportável.
Na minha história não havia madrasta-mocréia-bruxa-má não, era a mãe mesmo!
Bufando pelos cantos, fiz tudo como mamãe mandou e catei as coisas que atirara para Tom as arrumando nos seus devidos lugares, ou as jogando no lixo.
Em meia hora eu já estava correndo pela casa com metade das roupas por vestir e café da manhã por tomar. Iria chegar atrasada de novo.

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