03. Salvadores

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Dylan não fazia ideia de onde havia saído aquela mulher e sequer pesou os riscos ao se afastar da segurança para ir lá fora. Max tinha gritado e tudo o que a garota sabia era que o menininho precisava de ajuda.

Assim que escapou do susto, Dylan correu pelas prateleiras quebradas. Seus nervos estavam em chamas, seu pé doía como o diabo e a ela só tinha uma faca contra qualquer ameaça que se aproximasse. Dylan havia feito uma promessa àquele garotinho e a cumpriria até que aquele mundo acabasse de vez.

Meio tropeçou meio correu enquanto buscava a bombinha de asma em seu bolso, pressionando-a contra os lábios ao ver-se sem ar.

– Max! – Dylan gritou assim que chegou ao meio fio, pouco se importando com o escândalo. A resposta foi um tiro à sua direita, derrubando um morto-vivo que se aproximava.

Em choque, a menina voltou-se para o dono do disparo. Tenha medo dos mortos e mais medo dos vivos.

 Ei, calma. – ele estendeu as mãos em sinal de paz. Antes que ela corresse para longe, um dos braços do atirador rodeou os seus, impedindo que ela o golpeasse, e Dylan viu-se imobilizada contra o estranho. Ele era muito mais alto e forte que ela, e tais desvantagens assustaram a garota. Os noticiários e alertas de perigo sobre as fugas em massa de prisões daquela região estalaram em sua mente, e o grito de Max e do risco que tinha assumido ao sair ali a fizeram reagir.

O estranho fez com que ela derrubasse a faca, e Dylan esperneou em resposta. Sem alternativas, e antes que ele pudesse dizer ou fazer mais alguma coisa, Dylan bateu a cabeça contra a dele, escapando do abraço ao ouvir o barulho de algo se quebrando.

Jesus Cristo! – O atirador exaltou. Ele cobriu o nariz atingido com uma das mãos, sangue escorrendo por seus dedos. Tinha os olhos arregalados na direção de Dylan, a mesma expressão que ela imaginava ter no próprio rosto.

Ignorando a posição inofensiva dele, Dylan correu até a faca caída aos seus pés, erguendo a arma em posição de ataque, desespero ditando seus movimentos.

– Ei, ei, ei! Fica calma! – Ele se afastou, erguendo a mão livre ao alcance dos olhos dela. Desarmado e ferido, o desconhecido dividiu-se entre choque e irritação quando ela relaxou um pouco.

– Puta merda, o que aconteceu aqui? – Dylan voltou-se para a sua salvadora, vendo a mulher espantar-se com a cena. Repentinamente, a expressão da desconhecida caiu para diversão, e um riso escapou de seus lábios: – Madre de dios, Benji, a garota te pegou de jeito, em? – Dylan não via onde estava a graça naquela cena, mas a estranha gargalhou mesmo assim.

– Dyl! – Ela arregalou os olhos quando Max gritou seu nome. Ele saiu de trás de uma caçamba de lixo, acompanhado de um cachorro, e correu até a loira. Dylan alcançou Max num abraçou apertado, erguendo o menininho do chão e colocando-se de costas para o atirador.

A mulher que a salvara no supermercado parou ao lado do desconhecido e examinou o mesmo com um sorriso divertido, voltando-se para os mais novos com animação:

– Não posso reclamar da tequila perdida depois dessa cena.

O atirador resmungou alguma ofensa de volta. Dylan respirou fundo e arfou repentinamente, buscando a bombinha para ajudá-la. Ignorou o olhar dos estranhos sobre ela, mantendo a atenção sobre Max.

– O que está acontecendo? – Dylan colocou Max atrás de si quando um terceiro estranho se aproximou. Ele era alto e muito forte, tinha cavanhaque e barba rala, e o rosto iluminado pela lanterna pareceu amigável. Uma larga cicatriz corria por sua bochecha direita, uma linha pálida em meio à pele cor de azeitona, e um capuz de lã cobria a sua careca. – Que gritaria toda foi essa, Benji?

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