Capítulo 18

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— O que aconteceu aqui, capitão? — perguntou Ramona, com seu distintivo nas mãos ao entrar no bar, que naquele momento estava repleto de policiais e muitos clientes assustados, embora já tivesse amanhecido, ninguém foi liberado para sair.

— O Ceifador de Anjos atacou novamente, detetives — respondeu o policial de meia idade. — Um casal encontrou em um dos quartos o corpo de uma mulher com a barriga aberta. A legista já está lá, se quiserem vê-la, sigam por aquele corredor — disse ele apontando a direção.

— Obrigado, capitão — respondeu Christopher, acompanhando a parceira pelo corredor.

Era impossível não notar o quanto aquelas pessoas, muito acuadas pela presença dos policiais, estavam alcoolizadas e até mesmo drogadas. Não era nenhuma novidade aquilo, pois esse bar fazia jus a sua má fama.

Chegaram ao quarto em que estava Ortega, o que não foi difícil achar pela quantidade de policiais que estavam na porta. Logo viram um corpo coberto por um lençol estendido sobre a cama, banhada em sangue.

— Detetives — cumprimentou a legista, retirando as suas luvas.

— Oi, Ladonna — responderam os dois. — Pelo jeito, já terminou o seu trabalho!

— Sim. Não tenho mais o que fazer aqui, apenas no necrotério.

— Diga que esse desgraçado deixou pistas dessa vez — pediu Christopher.

— Era tudo o que eu queria dizer, acreditem — lamentou ela.

— Então ele não deixou nada! — constatou Ramona desanimada, descobrindo o corpo da vítima. — Coitada, era muito bonita — disse ao ver o rosto do cadáver, que incrivelmente não tinha a mesma expressão de terror das outras vítimas.

— Parece que ela esperava ter uma noite especial — comentou o detetive.

— Não sei como poderia ter uma noite especial em um lugar como esses! — retrucou a legista.

— Quem é ela?

— Charlotte Jhonson, vinte e seis anos, estava no primeiro estágio da gestação, não chegou ao quarto mês. E adivinhem, ela é uma turista inglesa!

— Que droga! Vamos ter problemas com a Embaixada. Não faltava mais nada! — comentou Ramona com raiva.

— Com certeza, vão sim.

— Ela teve relações sexuais?

— Posso dizer com certeza que nessa noite não. Sem sexo consensual ou forçado. Começo a pensar que o assassino é um puritano ou homossexual, essa mulher pelo que parece estava se jogando para ele, me parece bastante à vontade, se é que me entendem.

— Entendemos... a expressão dela... estava drogada? — questionou o detetive.

— Estava sim, alcoolizada também.

— Não acho que ele a tenha drogado, não condiz com o perfil dele — observou Ramona.

— Também sou da mesma opinião — respondeu o outro.

— Mesmo modus operandi? Extraiu o feto, rompeu a veia femoral perfurando a virilha e deixou a marca Mt 13 39? Nada de diferente?

— Tudo igual, exceto que ele lavou a boca dela com água sanitária e se olharem no banheiro, verão que o assassino nem precisou trazer esse produto para cá, tem muitos produtos de limpeza armazenado nele — informou Ortega.

— Ele a beijou. O desgraçado sabia que podíamos pegá-lo pela saliva. Alguma chance de ainda conseguirmos algo da boca dela? — perguntou o detetive Lang.

— Duvido. Ele sabia o que estava fazendo. Não houve agressão e eles nem sequer passaram dos beijos, a julgar pelas suas roupas íntimas intactas no corpo dela, suas unhas também estão limpas, ela não o arranhou. Apenas terei mais informações depois da autópsia, podem me procurar entre hoje à tarde e amanhã cedo.

— Certo, Ladonna. Faremos isso. Agora, vamos falar com o capitão, para ver se descobrimos mais alguma coisa. Obrigado — agradeceu o detetive.

— Fale com ele você, eu vou falar com os clientes que estão no salão, talvez tenham visto alguma coisa — disse Ramona.

Os detetives seguem pelo corredor, se separando ao término dele. Lang conversou com o capitão da polícia, enquanto Hale foi falar com as pessoas que se mostravam muito assustadas no salão, todas aguardavam para serem liberadas pela polícia. Christopher concluiu a conversa mais rápido, assim, para ganharem tempo, se uniu a sua parceira, colhendo depoimentos dos clientes que ainda não tinham sido abordados por Ramona.

O corpo de Charlotte foi levado para o necrotério antes que os detetives tivessem terminado o seu trabalho ali, que levou várias horas. Acharam incrível a quantidade de pessoas que frequentavam aquele lugar, pois somente naquela noite haviam quase sessenta pessoas, fora os funcionários, que foram os primeiros a darem seus depoimentos para a detetive.

Já era quase horário de almoço, quando os detetives finalmente saíram do local do crime. Estavam estupefatos com o fato de que em um lugar lotado como aquele, ninguém viu nada. De um lado, os funcionários alegaram atender dezenas de pessoas todas as noites e naquela, como nas anteriores, ninguém chamou a atenção, nem sequer o segurança se recordava do rosto dela, provavelmente estava ocupado olhando para outra parte do corpo, ao mesmo tempo em que ninguém se recordava de tê-la atendida, o que foi facilmente explicado ao descobrirem que Charlotte realmente não fez nenhum pedido, mas quatro rapazes compraram bebidas para ela. Por outro lado, os clientes, alcoolizados e drogados, não viram nada suspeito, exceto pessoas com cara de elefante, homens de quatro braços e mulheres levitando, obviamente por efeito das drogas usadas.

Exceto pelo grupo de rapazes que rodearam a inglesa, é como se ela não tivesse passado por ali, ninguém mais a notou. Eles, por sua vez, se recordavam muito bem dela, até lembraram que Charlotte os deixou sozinhos na mesa quando viu alguém entrar, mas não tinham ideia de como ele era ou quem era, pois ela não tinha comentado que esperava por alguém.

Esses depoimentos deram a certeza aos detetives que a vítima marcou de se encontrar com seu assassino, ou seja, ela foi atraída para aquele lugar. O capitão havia confirmado que Charlotte era uma turista e que estava para retornar ao seu país em dois dias, ele não sabia se ela veio sozinha aos Estados Unidos ou não, mas passou para eles o nome do hotel em que estava hospedada, conforme o cartão que encontraram em sua bolsa.

No hotel, ficaram sabendo que ela veio com um grupo e que todos estavam hospedados ali. Orientaram-nos a aguardar, pois logo os turistas chegariam para almoçar no restaurante do hotel, o que tomaria mais quarenta minutos do tempo dos detetives, que, para aproveitarem da melhor forma possível, informaram ao gerente do estabelecimento que Charlotte Jhonson havia sido assassinada, solicitando que lhes dessem acesso às câmeras de vigilância.

O gerente relutou, pedindo que trouxessem uma ordem judicial. Christopher o fez mudar de ideia ao esclarecer que o suspeito do assassinato era o famoso Ceifador de Anjos e que sua recusa poderia prejudicar a investigação.

Através das câmeras, viram a vítima interagir bastante com o seu grupo, que com ela e a guia somavam nove pessoas, sendo quatro homens e cinco mulheres. A interação se dava na recepção, no terraço, no saguão, no restaurante, no bar, na piscina e nos corredores. Não viram nada anormal. Charlotte era uma mulher bonita, era normal que os dois homens solteiros do grupo a cortejassem e eles o faziam, ficava claro nas gravações que a rodeavam bastante.

Para sorte dos detetives, os treze dias que o grupo já havia ficado no hotel, apenas precisavam ver as gravações feitas no período matutino, quando todos tomavam café da manhã e saíam para explorar Los Angeles, durante o almoço, quando retornavam ao hotel para comerem, o que aconteceu poucas vezes, pois alguns dias faziam essa refeição em algum restaurante próximo do atrativo turístico visitado, e por fim, durante a noite, quando realmente usavam a infraestrutura do hotel, fosse na piscina como no bar. Christopher e Ramona perceberam que Charlotte era uma mulher que gostava de se relacionar com todos a sua volta.

Quando o grupo chegou, eles ainda não tinham assistido a todas as gravações, de forma que precisaram se dividir. Christopher ficou na sala de vigilância, enquanto Ramona foi conversar com os oito integrantes do grupo.

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