Capítulo Dois

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            Amelin acordou agitada naquele dia. Finalmente seu aniversário chegara! Ela estava completando vinte e uma primaveras naquele dia ensolarado e belo. Ansiava por aquele dia a sua vida inteira! Finalmente poderia ser considerada adulta perante a Lei. Já poderia frequentar certos lugares que sempre quis ir, mas nunca tivera coragem. Poderia fazer um intercâmbio, algo que sempre sonhou, mas que seus pais superprotetores nunca permitiram. Agora ela poderia começar a se tornar independente.

Seus pais, Valentina e Daniel Callegari, estavam preparando uma festa para sua filha única. Por eles serem uma família muito tradicional na cidade e possuírem grande poder aquisitivo, eles eram muito conhecidos e respeitados por todos os moradores de Eden Prairie, Minnesota, cuja população não ultrapassava os 64 mil habitantes, portanto, sua festa seria estrondosa.

Levantou-se de sua cama, arrumou-a e, em seguida, se arrumou também. Ajeitou seus cabelos castanhos medianos desgrenhados e embaraçados; sua face estava amassada, cuidou de sua higiene pessoal e desceu até a cozinha. Sua mãe parecia estar dormindo ainda, então decidiu que faria seu próprio café da manhã. Para a sua surpresa, havia se enganado completamente. Seus pais haviam colado um cartaz na parede escrito "Feliz aniversário, Amelin. Seus pais te amam de todo o coração."

Antes que ela pudesse perceber, seus pais apareceram atrás dela cantando parabéns, fazendo com que ela pulasse de susto. Sua mãe carregava em suas mãos um pequeno bolo, feito por ela, com vinte e uma velas. Sua reação de surpresa fez o pai gargalhar de felicidade. Amelin envolveu seus pais em um forte abraço, emocionada. "Meu dia está apenas começando e já está se tornando maravilhoso", pensara. Comera um pedaço do bolo, preparado pela mãe, que estava delicioso. Era o seu sabor preferido! Doce de leite com nozes, com chantilly na cobertura e pequenos pedaços de morango para enfeitar. Depois de saboreá-lo, subiu as escadas para pegar seus pertences e se despediu dos pais. Seu dia seria corrido no trabalho e ela tinha noção disso.

Quando Amelin chegou ao trabalho, assustou-se com a surpresa que prepararam para ela: bexigas penduradas em um arco, uma mesa cheia de comida e presentes! Animou-se com tudo aquilo e agradeceu a todos os seus colegas de trabalho. Após comerem e conversarem, Amelin levantou-se da mesa e começou seus afazeres. Ela sabia que não daria tempo se ela enrolasse muito. Portanto, quando deu o seu horário de sair do trabalho, suspirou aliviada por ter conseguido acabar a tempo. Arrumou sua mesa, deixando-a organizada para a semana seguinte e pegou seus pertences, despedindo-se de todos da sala e foi embora. Ela era apenas uma estagiária de Psicologia, mas sentira-se importante naquele dia tão especial para ela. Desceu as escadas até o andar térreo e se dirigiu até seu carro, que comprara juntando todo o seu salário durante quase um ano inteiro.

O trânsito não estava tão frenético, por isso chegou mais cedo em casa. Por volta das 16h, ela já estava em sua casa, tomando banho, cuidando de sua higiene pessoal e se preparando para a sua festa de aniversário. Pegou em seu armário um belo vestido que sua mãe desenhou e fez para ela. O vestido verde que fora feito com tecido Capulana, possuía frente única e era justo no corpo. Ele contornava sua silhueta, destacando as curvas bem delineadas até o meio das coxas, onde a longa saia abria-se em cascatas esvoaçantes com tonalidades quentes. Com alguns recortes estratégicos nas costas, sua pele nua convidava quem estivesse olhando para demorar-se um pouco mais no bonito conjunto que o todo formava. Ela estava deslumbrante, e bem sabia disso. Sua mãe havia caprichado em seu vestido, que se tornara o seu favorito desde então.

Fez a sua maquiagem bem definida de sempre, passou uma sombra verde para combinar com o seu vestido, passou seu rímel sem forçar muito, pois seus cílios já eram bem definidos e volumosos. Delineou suavemente a pálpebra dos seus olhos com um traço suave e, por fim, passou um batom rosado em seus lábios. Abriu sua sapateira e ficou pensando, indecisa, em qual sapato escolheria para combinar com o seu vestido. Escolheu um sapato de salto fino, na cor preta, com tiras. Esse era um dos seus sapatos favoritos. Voltou ao seu banheiro e passou uma bela dose do seu perfume importado de Paris, que seu pai trouxera da sua viagem a trabalho. Pegou o secador em seu armário e, em quinze minutos, o seus cabelos castanhos estavam secos e escovados, formando pequenos cachos nas pontas. Por fim, esperou até que seus pais chegassem e se arrumassem. Durante esse tempo, Amelin sentou no sofá da sala e assistiu à TV. Acabou adormecendo e quando seus pais chegaram, sua mãe, que já estava pronta para a festa da filha, aproximou-se dela e a acordou com calma para não assustá-la.

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