- Um Selo para Lady Noctis -

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Apresentando: Lady Noctis, personagem de Os Guerreiros de Alquemena




Boa noite, viajante! – Naví te diz, olhando-o bem de perto com seus olhos de pupilas ausentes, preenchidos por um âmbar sutil. É tarde da noite, faz frio, você consegue sentir o vento lhe arrepiando os pelos? O fauno é um pouco assustador à primeira vista, chifres longos, grossos e curvilíneos saindo de um emaranhado de cabelo castanho com textura de palha, mas você sente que ele é bom, não sente?

— Venha, não se acanhe. Pode sentar. Isso. Muito bem. – Ele torna a dizer, sorridente.

Você se senta em uma das rochas oferecidas pelo fauno, são redondas e polidas, formam um círculo em torno da fogueira, o que te faz acreditar que mais pessoas vão chegar em breve. Com seus cascos de bode, o fauno pula ali e aqui ajeitando os preparativos, você o vê, temendo, e entende que o que te amedronta mais é a aparência maléfica e as risadas aleatórias que ele solta. Te prometo, Naví é uma boa pessoa. Ah, veja, os outros colegas chegaram para ouvir a história.

Todos aprontam seus pertences e sentam, parecem felizes com a reunião na calada da madrugada. A clareira está silenciosa, o crepitar das chamas é aconchegante e faz com que você se lembre das noites de inverno esquentando seu chá no forno a lenha. O fauno sobe na rocha maior próximo à lareira, ele cruza as pernas cheias de musgos e insetos que se prendem ao pelo, e com muita delicadeza puxa da sua bolsa um fumo enrolado em papel fino. Ele acende a ponta do fumo. Você se pergunta de que aquilo é feito e logo sente o aroma – erva estrelada, você adivinha, e a fumaça que é exalada pelo fauno é esverdeada e percorre todos que esperam ansiosos ali.

O fauno se desfaz do fumo e pega então um pergaminho amarelado manchado de nanquim, o desenrola e começa a sua história:

— Servidos? – Antes ele pergunta e assinala para os bolinhos sobre a mesa de madeira, que você sequer tinha percebido. Pegue um, saboreie o gosto das amêndoas. – Oh, pelas estrelas, este episódio que escrevi é um de meus prediletos. Não pelo que conto, mas pela protagonista desse dia que narrei. Quem veio nas outras noites sabe que sou muito curioso sobre os Feiticeiros, mas não sabem quem é a Feiticeira que mais me encanta... Pois fechem seus olhos, respirem, e sintam a noite fluir...


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A mesa circular estava disposta com seis lugares vazios e uma farta variação de comidas e bebidas que aguçavam o apetite de quem adentrasse o recinto através das grandiosas portas de carvalho. O cheiro do frango com amêndoas despedaçado sobre a bandeja de prata misturava-se ao perfume do vinho rosé derramado na toalha branca, as taças quebradas criavam um tapete de vidro em torno dos arranjos de frutas cintilantes à luz do candelabro – e o vinho vertia pelas hastes das taças, escorrendo em jorros que tingiam de carmim o carpete. Mas o prato principal não estava nas vasilhas que ainda ferviam sobre os suportes de madeira, nem mesmo na carne suculenta de ossos já destroçados, não, o prato principal estava jogado entre as louças de porcelana, com os braços amarrados e o suor gélido escorrendo pela tez branca.

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