AMERICAN HORROR STORY (p.1)

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And all starts again.
(E tudo começa novamente.)

Hoje completa um ano que vago por esses corredores lotados de pessoas vazias. Rafael se aproxima de mim, com ambas as mãos para trás, sorrindo. É a primeira vez que o vejo sorrir. Retribuo o sorriso, e ele retira uma de suas mãos, com uma rosa preta, os espinhos entre seus dedos, em direção a mim.
"Pintei-a de preto.
Sei que você não gosta de coisas normais"

 Sei que você não gosta de coisas normais"

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Ele disse. Tomei a rosa em minhas mãos, encarando-a. O amor não cabia dentro de mim. Ele sorriu, estávamos no campo. Beijou-me e escutei sussurros. Mas eu não esperava por algo. Uma voz ecoou alto eu minha cabeça:
"Existe amor no inferno?"
Logo outra.
"São tão jovens.."
E outra.
"Aquele sanguessuga não merece isso."
"O que pensam que estão fazendo?"
"Casal assassino."
Uma gargalhada.
Vozes e mais vozes.
Olhei nos olhos de Rafael, ele estava imóvel em minha frente. Escutei sua voz aveludada dizer:
"Como ela é linda.."
Mas ele não movimentou seus lábios.
Liguei os pontos.
Ou eu estava ficando louca (o que não era uma alternativa aceitável em Asylum, já que tudo era louco) ou eu conseguia escutar o que todos estavam pensando. Rafael me encarou com mais vontade, como se estivesse caçando algo meus olhos adentro. Se distanciou, e tudo parou. Até que eu escutei a voz de Alan.
"Filho de uma puta."
Olhei para trás de imediato. Lá estava ele. Parado, fungando, com seu cabelo arrepiado, ao lado das pessoas que sentaram conosco a um tempo atrás. Olho-me e logo depois encarou Rafael, com seus braços cruzados contra o peito e um sorriso sarcástico em sua face. Escutei gemidos. Escutei a minha voz gritando o nome de Alan, e de repente, tive uma visão de segundos. Eu. Alan. Em um bosque de pinheiros. Nus. Transando. Não me dei conta e Rafael estava sobre ele. Alan já estava tomado por pelos, mas Rafael estava irado. Eu podia sentir isso bem no fundo do meu coração. Éramos um só. Escutei um estralo. Alan parou de se mover. Rafael encarava aquele lobo gigante estirado no chão. Eu não conseguia ouvir mais nada. Apenas a respiração agitada de todos à minha volta. Alan estava morto. E não havia nada que eu pudesse fazer. Rafael olhou pra mim de relance, seus olhos estavam vermelhos, profundos. Corri até Alan e me ajoelhei ao lado dele. Ainda respirava. Dificilmente.
"C-chegue m-mais p-perto, M-moon"

Encostei minha orelha em seu focinho.

"E-ele n-não é o-o que parece s-ser.. A-ah e e-eu t-te.."

Um uivo tomou conta da audição de todos ali presentes. Mas não vinha de Alan. Vinha de um animal, no topo da montanha. Consegui enxergá-lo. Logo, me virei para uma das cercas de ferro, já esperando para confirmar minha teoria. Estava arrebentada, rasgada. Me aproximei. Um óculos quadrado e pisoteado entre a terra. Uma camisa como a minha, que eu peguei em minhas mãos. O nome era bem familiar. Eu sabia quem ela era. E o que era do lobo que meu namorado acabara de matar.

"Maethe"

Alan estava morto.

Judy veio correndo, pude escutar seus pensamentos.

"Lucas?! O Lucas se machucou?! Óh, Deus que tenha misericórdia de minhas ações! Mas se alguém machucou Lucas, eu arranco os dentes do ser um a um!"

Chegando, e rodando seu olhar por ali, Lucas estava parado, examinando o corpo sem vida de Alan. O lobo era Maethe. Mesmo distante, pude sentir o olhar dela queimar-me as costas. Judy chamou Rafael e ambos entraram prédio adentro. Eu estava tentando ligar os pontos do que Alan havia falado.

Ele não é o que parece..
Sanguessuga..

Não. De maneira nenhuma. Rafael era um demônio, e disso eu tinha absoluta certeza.

Rafael sumia.
Rafael aparecia.
Rafael nunca dormia.
Rafael nunca piscava
Se quer.. Comia.

Rafael não era um vampiro. Vampiros não existem. Ele era um demônio qualquer.
Precisávamos conversar.

Três dias depois.

Demons in the walls
Demons in the halls
Demons in my mind
Demons you will find.

Acordei aos gritos pela nona vez em 72 horas. 72 horas sem Rafael. Eu estava desesperada. Podia escutar a respiração de Maethe rondando a passagem de ar de Asylum. Eu estava com medo. Eu estava insegura. Como se alguém tivesse tirado um pedaço de mim. Aonde ele estaria? Por quê? Por quê não voltou para me buscar? Por quê simplesmente.. Sumiu?

Asylum || r.l.Where stories live. Discover now