Abril de 2060

Exatamente vinte e sete anos. Nem parece que a última vez que fui considerada normal foi há vinte e sete anos. É surreal pensar que faz tanto tempo, ao mesmo tempo em que não faça tanto tempo assim. Não para mim. Passou muito rápido e tivemos que nos acostumar com tudo muito rápido.

E depois de perceber que faz tempo para caralho desde que aconteceu, preciso dizer, pois agora tenho certeza: o tempo não cura nada. Estou aqui com meus 43 anos e nada passou. Ainda dói da mesma forma.

‒ Mamãe? ‒ Ouço Els chamar. Minha querida filha que tem 25 anos e sempre me deu orgulho. Ainda dá, na verdade.

‒ O que foi? ‒ Pergunto me virando para fitá-la. Estamos de frente para a grande parede de vidro que tem no meu quarto, apenas observando a vista que temos de Havana.

‒ Papai disse para entregar para você. ‒ Ela diz enquanto me entrega um envelope. Fico confusa, mas volto a fitar os lindos olhos negros da minha filha.

‒ Sua irmã disse se vem hoje? ‒ Pergunto e Eleanor apenas sorri.

‒ Aimeé vem e eu soube que Beatrice também vem. ‒ Ela responde e meu sorriso se abre. É maravilhoso saber que suas três filhas vão se juntar a você depois de tanto tempo. ‒ Nosso irmãozinho disse que ia avisar se conseguisse um espaço nas agendas dos shows, quer dizer, ele está em Cuba! ‒ Eleanor comemora e eu também.

Eleanor é psicóloga, mas atua em Londres, já que adotamos ela quando ainda estávamos lá. Aimeé é dançarina de uma grande cantora dos Estados Unidos da América e então não passa muito tempo conosco. Beatrice é médica e atua em Paris, já que Ashley a levou para lá e a garota se apaixonou pelo lugar, então voltou. E meu querido filho, Dylan, é integrante de uma das bandas mais famosas desses últimos anos.

Os meus quatro filhos são as coisas mais preciosas da minha vida. Saber que eles conseguiram um tempo para vir para Cuba me deixa extremamente feliz, mesmo que o dia de hoje me traga lembranças ruins.

Eu e meu marido combinamos de fazer um jantar em comemoração à empresa que cada vez mais cresce e agora tem a sua filial aqui em Cuba. Nós nem percebemos que dia tínhamos marcado. Eu deveria estar agora em Londres com meu pai, mas não podemos desmarcar.

Eleanor se despede e sai do meu quarto. Respiro fundo e olho para o envelope que tenho em mãos. Aparenta ser velho, pois está muito amarelado e a tinta da assinatura está borrada e desgasta. Consigo ver no máximo um "A" no começo da assinatura e mais nada. O "Tomlinson" é bem visível então me sento em uma poltrona perto de mim.

Abro o envelope devagar e desdobro o papel que há dentro dele. Começo a chorar. A letra é completamente inconfundível. Eu conseguiria conhecer essa letra de longe, mesmo que eu precise usar óculos.
Me concentro e começo a ler.

"Minha querida. Eu sei que pode parecer idiota começar uma carta sendo tão direta, mas eu não tenho tempo.

Preciso muito dizer que te amo, antes de começar. Agora vem o que quero dizer: Você foi feita de forma linda e maravilhosa. Esqueça essa de ter que ser suficiente para alguma coisa. Você é suficiente para o que quiser. Não se estresse cuidando de seus irmãos ou ajudando seu pai a superar ‒ eu sinto que algo vai acontecer ‒, você é incrível e já está me ajudando só de ser você!

Sei também que vai cumprir sua promessa: todos os verãos estará comigo. Eu sei que essa promessa você vai cumprir, porque você é maravilhosa!

Era só isso que eu precisava dizer.
Eu te amo."

Ao terminar de ler eu estou chorando mais do que quando comecei. Droga! Eu a amava. Sempre amei e sempre amarei.

Ah, mamãe! Quando você falou aquele adeus, minha alma chorou.

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