Capítulo especial: A transformação de Sebastian 2 de 3

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Novamente Sebastian não disse nada e fomos até o quarto completamente calados. Lembro que seu coração estava absurdamente acelerado e todo seu silêncio denotava muito medo. Porém, ele se manteve forte o tempo inteiro, mesmo depois de chegar ao quarto e ver todo o ritual montado sobre o que lhe era até então um local de descanso e sossego. Logo depois que entramos eu também senti aquela energia de quando existe um vampiro por perto, mas acabei ignorando, pois poderia ser alguém do clã simplesmente passeando pelo castelo.

Posicionei-o ao centro do altar e inclinei de leve seu pescoço, nesse momento ele segurou meu punho e olhando em meus olhos disse suas últimas palavras como mortal:

– Senhor tende piedade e sejas breve, por favor!

Nesse instante ele me soltou então aproveitei aqueles milésimos segundos de relaxamento e mordi seu pescoço. Sua pele jovem era macia e seu sangue estava muito encorpado, eu não estava com muita fome, mas devido à situação ele preencheu todas as minhas entranhas de uma forma revigorante. Sebastian não gemeu, nem tremeu e aguentou firme até que seu coração desacelerou e mesmo sem fazer a contagem percebi que ele havia chego ao limite de sua vida.

Como ele não conseguia manter-se em pé o soltei com cuidado sobre o pentagrama e agora sim entre seus gemidos agonizantes tratei de continuar o ritual. Peguei a faca e cortei meu pulso esquerdo, deixando derramar parte de meu sangue dentro da taça. Acrescentei um pouco dos cinco ingredientes, misturei com o dedo e derramei na boca de Sebastian dizendo as mesmas palavras que havia ouvido de Georg:

– Beba meu amigo, pois este é o verdadeiro sangue da nova e eterna aliança!

Sem relutar ele bebeu tudo o que pode e talvez pelo fato dele ser meu dependente, tudo o que aconteceu comigo lhe acometeu e mais rapidamente. Em poucos segundo parei de ouvir seu coração e enfim seu corpo morreu. Fiquei apreensivo com ele morto em meus braços, ainda mais por que o ritual havia sido diferente do meu, em função dele ser apenas humano e não possuir o sangue Wairwulf.

Logo em seguida a morte de Sebastian eu comecei a sentir calafrios, uma sensação de vertigem embaralhou minha visão e nos próximo instantes tive várias visões da vida de Sebastian. Aquilo havia me impressionado, mas de certa forma também fazia encaixar muitos pensamentos sobre a relação entre os vampiros e próprio sangue. Fatos que eu sempre ouvira em histórias, mas que naquele momento senti na própria pele.

Mais alguns minutos se passaram conosco ainda ao chão. Eu já pensava – O que farei com ele? – até que surge ao meu lado Joseph, que estava aparentemente invisível e acompanhando tudo em silêncio. Era a presença que eu havia sentido no início do ritual e não cheguei a levar um susto, apenas uma feliz surpresa, haja vista que ele apareceu gradualmente para me ajudar:

– O barão pediu para eu acompanhar o ritual, venha, coloque ele na cama. A recuperação dele vai ser lenta e talvez nem acorde até a próxima noite ou dia.

Naquela hora qualquer ideia que movimentasse a situação seria bem-vinda, então apenas consenti sem dizer nada. Coloquei o corpo inerte de Sebastian na cama, guardei os instrumentos mais importantes numa caixa e chamei um serviçal para limpar o quarto. Sem mais o que fazer, fiquei sentado na cama observando a limpeza e então quando reconstruí as ideias, comentei rapidamente com Joseph:

– Eu já matei pessoas, já despedacei corpos, mas ver alguém que gostamos nessa situação é muito ruim. Talvez meu lado humano ainda interfira muito em minha vida e pensamentos, mas será que ter pena dos humanos é realmente tão ruim?

– Venha meu amigo deixe os poderes dos deuses agindo e vamos dar uma volta no jardim do castelo. Certamente tu vai saber quando ele acordar.

E naquela noite mais nada de estranho ou diferente ocorreu. Nada de visões, nada de sobrenatural, apenas a minha sensação de afeto e proximidade para com Sebastian que havia aumentado. Não foi apenas uma sensação agradável daquelas que ocorrem quando estamos com os amigos. Foi na verdade algo mais familiar, provavelmente algo próximo a sentimentos existentes entre pai e filho.

Joseph me disse que os sentimentos se ampliariam cada vez mais e na verdade não dei muita atenção para tudo o que ele me falava, pois estava ansioso para ver meu amigo ressuscitar. A certo momento ele começou a misturar francês com alemão e acho que até proferiu algumas palavras em português e tudo aquilo me deixou zonzo. Ainda bem que estava para amanhecer e tive uma desculpa para descansar.

Nesta noite eu não dormi em minha cama, improvisei algo no chão e ao lado da cama de Sebastian onde passei meu dia descansando.

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