Diversos #4 - Como exercitar a criatividade

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Quando decidi escrever um livro eu percebi que não tinha nenhuma história para contar. Sem história, sem livro. Eu passei dois meses só pensando nisso. O resto era o resto. No final desses meses, eu continuava sem história, minha namorada estava chateada e minhas notas na faculdade estavam horríveis.

Então, eu deixei de lado a procura pela solução e analisei com mais cuidado o problema que tinha. Rapidamente, perguntas começaram a brotar. Que tipo de história eu queria escrever? Qual gênero? Como seria o personagem principal? Final triste ou feliz? Qual tamanho? Para que público?

Essas perguntas me guiaram até a primeira ideia que tive. Ela tinha tantos problemas que dez anos depois eu continuo tentando ajeitá-la. Mas ela abriu a minha fábrica de ideias. O seu papel foi cumprido. Ela colocou a minha mente para trabalhar e, hoje, eu tenho dezenas de ideias por ano, algumas com potencial para se tornarem romances.

O nosso cérebro funciona como os nossos músculos, quanto mais exercício mais vigoroso ele fica. A criatividade é apenas mais uma função da nossa máquina principal e, assim que for fortalecida, vai funcionar bem. Foi assim comigo, vai ser assim com você, é assim com todo mundo. As pessoas que são vistas como criativas só receberam mais estímulos dedo.

Proponho alguns exercícios para deixar a criatividade bombada:

Brainstorm

Durante uma seção com duração previamente estipulada, pense num tema e anote tudo o que passar pela sua cabeça. É importante não julgar se a ideia é boa ou ruim, apenas anote. Faça a seleção somente quando a seção for encerrada.

Pesquisa específica

A maioria das respostas já foi dada. Por isso, procure soluções anteriores, de outras pessoas. Pense no que deu certo e no que deu errado. A adaptação é uma parte importante do processo criativo.

Pesquisa aleatória

Dedique parte do seu tempo para obter informações que você duvida que serão necessárias. Política, economia, piscicultura, identidade cultural javanesa, tudo e qualquer coisa. Pense um pouco sobre e as esqueça. Ao seu tempo, elas podem se combinar com outras e juntas serão úteis para uma história.

Mude a perspectiva

Às vezes, um problema que parece insolúvel é resolvido quando o analisamos de outro ponto de vista. Tente enxergar a situação sob outro contexto. Imagine em como seria enfrentar esse problema se você fosse de outra classe social, ou país, ou grupo étnico, ou de outra geração. Esse é um exercício fundamental para a criação de personagens.

A autora best-seller americana Marie Lu, por exemplo, não estava conseguindo continuar a sua história Jovens de Elite. Então passou a contar a história sob a ótica do vilão e a história fluiu.

Confie na intuição

Quase nunca entendemos completamente o potencial de uma ideia. Sempre existem muitas fragilidades numa ideia embrionária e o primeiro impulso pode ser o de dar mais ênfase ao que pode dar errado. Mas, se você sente que essa ideia é boa mesmo sem conseguir explicar o porquê, é porque ela tem alguma coisa que te cativou. Por isso, antes de descartá-la, escreva um pouco sobre ela e veja se a sua intuição continua lhe dizendo para prosseguir.

Saia da zona de conforto

A zona de conforto faz com que você escolha opções mais fáceis. Com o tempo, você fica engessado, quase não pensa mais. Por isso, faça coisas que te desafiem. Escolha livros que você acha que não vai gostar. Ouça músicas do tempo dos seus pais e avós. Os novos estímulos refrescaram a sua cabeça.

Respire

Muitas vezes as nossas ideias são barradas pelo processo consciente de procurar por respostas. Por isso, depois de ter se dedicado à procura, pare, durma, pratique exercícios, faça qualquer coisa que o impeça de procurar uma solução. E, como num passe de mágica, a ideia vem. É comum, inclusive que elas venham durante o sono. Deixe um caderno preparado para essas ocasiões.

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GUIA do Escritor de FicçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora