Personagem #1 - Tipos #1

6.5K 645 179




Existem várias formas de classificar personagens. As mais importantes são quanto à complexidade, importância e papel no enredo. Nesse capítulo, eu falo sobre a classificação por complexidade e importância.

Personagens planos e redondos

Personagens Planos:

Também chamados de lineares, são personagens normalmente constituídos de uma única qualidade, característica ou ideia. Apresentam personalidade rasa, muitas vezes caricatural, e comportamento repetitivo e previsível. Não evoluem no decorrer da narrativa.

Nem todos personagens planos têm o mesmo nível de complexidade. Alguns são meros figurantes e suas características apenas ajudam compor o cenário. Outros têm participação crucial como provocar reflexões no protagonista e consequentes mudanças.

Personagens Redondos:

Também chamados de tridimensionais ou densos, são personagens psicologicamente complexos que apresentam os três níveis de conflitos – emocional, pessoal e social (estes conflitos serão tratados num capítulo à parte, mas cabe dizer que eles permeiam a mente, as relações e o ambiente sócio-político do personagem, respectivamente). Uma parcela de suas intenções e interesses tende a contradizer as suas ações. Esse tipo de personagem evolui no decorrer do enredo, sendo, usualmente, o catalizador das reviravoltas (plot points) da trama e das subtramas.

Personagens primários, secundários e terciários

Personagens Primários:

São os personagens principais da história. Espera-se que sejam sempre redondos. Aparecem na maior parte das cenas e suas ações são apenas a ponta do iceberg - suas histórias pregressas são complexas e detalhadas. Entre outras coisas, levam a trama adiante e ajudam a criar um vínculo emocional com o leitor.

Personagens Secundários:

São personagens recorrentes de menor importância. Podem ser planos ou redondos, cabendo à necessidade da trama. São peças fundamentais para a evolução do protagonista.

Personagens Terciários:

São aqueles que aparecem em uma ou duas cenas com um propósito específico e limitado. São importantes para manobras no enredo, como criar um conflito pequeno que fará o protagonista agir.

Observação de Scott Myers (roteirista americano):

"Não importa se o seu personagem é Primário, Secundário ou Terciário, ele tem que ser autêntico. Se você tratar até mesmo um personagem Terciário como (...) um estereótipo, você perde respeito como escritor, na minha opinião. Todo personagem, não importa o quão pequeno seja o seu papel, merece a sua atenção (...). Eles existem dentro do universo da sua história, assim como o seu Protagonista; só acontece de eles aparecerem muito menos em seu enredo. Isso não diminui o fato de eles terem a sua própria experiência de vida e visão de mundo."

Crítica recorrente:

Uma crítica recorrente à escritores iniciantes é falta de profundidade dos personagens. Um bom enredo é muito importante, mas qualquer enredo falha se não interpretado por personagens convincentes. O conselho se estende para todos os personagens, mas quando se trata dos protagonistas e antagonistas a falha é mais grave. Não é à toa que Syd Field (consultor de roteiros para Hollywood) incentiva a criação do enredo a partir da elaboração detalhada do passado do protagonista. Coloco abaixo, algumas sugestões de perguntas a serem respondidas(façatodas perguntas necessárias para entender a mente do seu protagonista):

- Onde o protagonista nasceu/foi criado? Em que época? Qual a sua idade? Aonde ele estuda/ trabalha? O que marcou a sua infância? E a sua adolescência?

- Qual o nome dos seus pais? E a profissão deles? Qual a relação deles com o protagonista? Existem mais membros na família? Quais são os membros da família ampliada?

- O que o protagonista faz em seu tempo livre? Qual a sua orientação política? Quem são seus melhores amigos? Como foram os seus relacionamentos amorosos? Por que acabaram? É culpa do protagonista?

- Quais são seus sonhos? E medos? E qualidades? E defeitos? (Preste bastante atenção nos defeitos e medos do seu protagonista, é quando o personagem os enfrenta que os conflitos naturais do enredo aparecem).

Eu acrescento que os vilões devem ser ainda mais trabalhados. Na maioria dos casos, eles são, além de personagens primários, a raiz dos conflitos da trama (a causa por trás do protagonista enfrentar seus defeitos e medos).

***

A participação de vocês é imensamente importante! Peço que usem os comentários para críticas, perguntas, opiniões e sugestões de temas. Se gostarem, não deixem de votar e adicionar à sua lista de leitura para não perder os próximos capítulos.

GUIA do Escritor de FicçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora