Capítulo 7

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Acordei mais cedo que o habitual. Preciso ver a Lana e saber se está bem, ou do contrário, essa angústia nunca sairá de mim. Havia decidido que me afastaria e não iria mais interferir na vida dos dois, mas isso era impossível, eu precisava fazer alguma coisa. Quando saía de casa vi Alice caminhando na rua em minha direção, olhando-me confusa.

— Você já tá saindo pra facul à essa hora?

— Eu não vou pra facul — expliquei, rapidamente.

— Como assim? — perguntou, parecendo não compreender.

— Eu vou ver a Lana. Tenho a impressão de que alguma coisa aconteceu e preciso ir lá.

— Rick, você disse que não iria se meter mais na vida do seu pai e...

— A interrompi — Eu não vou até lá pelo meu pai, vou pela Lana. Ela é a única pessoa que esteve do meu lado todos esses anos e eu a considero muito.

— Mais e a aula?

— Talvez eu vá, se tudo estiver bem — digo, enquanto caminho até a rua e peço parada para um táxi.

— Espera! — gritou Alice — Eu vou com você.

— Tem certeza? — virei-me para olhá-la — Não sei se vou pra faculdade e não quero te meter em nenhuma cilada, Alice.

— Tenho sim, você pode precisar de mim — disse convicta.

— Tudo bem, vamos — digo e ela entra no táxi comigo.


***


Em pouco tempo estávamos de frente a casa. Assim que descemos pegamos o táxi e caminhamos em direção a mesma. De imediato, notamos que havia algo de estranho acontecendo lá dentro. Quanto mais nos aproximamos, mais ouvíamos barulhos vindo da casa. Parecia alguma coisa quebrando, ou algo assim, não sabíamos ao certo.

Alice resolveu olhar pela janela na lateral da casa e eu a acompanhei, enquanto andávamos discretamente. Foi então que nós vimos o que jamais imaginávamos ver. Lana estava sendo espancada por aquele homem que tinha algo em mãos, — o qual não identificamos o que é. Meu corpo inteiro paralisou e tive vontade de matá-lo. Não importava se tinha seu sangue, não importa se é meu pai, nada disso mais importava. Eu sei que seria burrice sujar minhas mãos assim, mas é o que mais desejava naquele momento. Ele é um covarde.

— O que faremos? — perguntou Alice, aterrorizada.

— Você fica aqui, escondida. Eu vou entrar lá tirar a Lana daquele imbecil.

— Rick, ele pode te machucar! — falou, segurando o meu braço, assustada.

— Ele vai acabar matando a Lana se eu não fizer nada! Fique aqui e confie em mim.

— Tudo bem, mas cuidado. Por favor — falou, o rosto revelando sua aflição — Cuidado.

Voltei para a frente da casa e logo após várias tentativas, consegui arrombar a porta. Entrei na casa e fui correndo até a cozinha, onde Lana se encontrava desmaiada no chão. Em seu corpo era notório vários hematomas e ferimentos, e ainda haviam marcas que não pareciam ser tão recentes.

Enquanto a pegava nos braços, me perguntei onde aquele monstro poderia ter se escondido. Até que ele apareceu do nada na minha frente, com uma expressão extremamente normal e fria ao mesmo tempo.

— Onde pensa que está levando a minha mulher? — perguntou, como se nada tivesse acontecido.

Coloquei-a no sofá da sala e o encarei, furioso.

— Por que você é tão covarde?

Ele revirou os olhos com desdém.

— Mais do que está falando, Ricardo? — perguntou, friamente, com um meio sorriso no canto dos lábios.

— Do que estou falando? Como ainda tem coragem de me perguntar isso! Sabe o que eu vou fazer? Vou te denunciar pra polícia, é isso que vou fazer!

— Eu não fiz nada para que faça isso, experimenta me denunciar! — respondeu, alterando-se.

— Eu vi você agredindo a Lana seu imbecil! Por que não vem bater em mim agora? É tão covarde ao ponto de bater só em uma mulher? — aproximei-me dele, encarando-o sério — Você é um monstro! Eu tenho nojo de você, nojo! E pode ter certeza, você vai ser preso.

Ele permaneceu ali, imóvel, olhando-me friamente. Até que em um segundo, olhou para a porta a fim de fugir. Antes disso acontecer, bati com um abajur em sua cabeça. Ele tentou sair mesmo cambaleando e me deu um soco, fazendo com que eu caísse para trás sangrando, dando tempo para que fugisse.

Em seguida, Alice entrou na casa correndo, ofegante.

— Meu Deus! Ele te machucou! Como você está? — perguntou assustada.

— Estou bem Alice. Onde aquele imbecil foi?

— Eu não sei. Não prestei atenção em qual direção ele foi, assim que o vi sair, entrei correndo aqui! — Ela olhou ao lado para o sofá onde Lana estava — Meu Deus! O que ele fez com ela? Ela está muito machucada!

— Rápido, liga pra polícia. Temos que prendê-lo.

Sem questionar, ela discou o número rapidamente e informou o ocorrido. Depois de alguns minutos ao telefone conosco, o policial nos informou que não pode efetuar prisão sem provas. Foi então que pensei, só existe um jeito para que aquele homem seja preso. E é através do depoimento da Lana.

Olhei para ela ali no sofá, ainda desmaiada e visivelmente machucada. Senti uma raiva profunda daquele homem. Vê-la naquele estado foi mais doloroso do que eu poderia imaginar. Sentei ao seu lado, com uma dor pungente no meu coração, toquei em seus cabelos suavemente e senti uma lágrima quente escorrer pela minha bochecha. Tudo que eu queria era poder ter evitado tudo isso.

— Tudo vai ficar bem, eu prometo — sussurrei ao beijar suavemente seus cabelos.

Ela começou a acordar lentamente, seu rosto estava visivelmente machucado, mas ainda assim, doce e sereno como sempre. Olhou para Alice e em seguida para mim, formando um pequeno sorriso de gratidão em seus lábios, que logo foi seguido por lágrimas que caiam pelo seu rosto.

Tocou em minha mão, — a qual acariciava seus cabelos — e disse, quase como um sussurro:

— Obrigada por vir, Rick.

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