Capítulo 14

1.1K 151 33

A noite estava bastante agradável, até permitia o uso de roupas mais despojadas, como uma regata e uma bermuda, se assim ele pudesse se vestir. Pôs uma calça escura confortável e uma camiseta na cor vermelha, sem estampas, calçou um par de tênis pretos e bagunçou os cabelos. Vestido como estava, somado ao rosto liso depois de se barbear, Vincent aparentava ter uns dez anos a menos. Ele achou incrível como as roupas e o cabelo podiam fazer tanta diferença na aparência de alguém.

Apanhou sua mochila, onde verificou mais uma vez se havia lá tudo o que precisava, como luvas cirúrgicas, estojo com bisturis, um frasco de vidro já com formol para pôr o feto, alguns produtos químicos que poderiam ser úteis, caso precisasse fazer alguma limpeza, entre outros itens. Adicionou ao conteúdo algumas sacolas plásticas, uma troca de roupa e outro par de tênis.

Verificou o horário no celular, notando que já passava das vinte horas, pegou a sua mochila e saiu.

Vincent parou o carro há dois quarteirões de distância da casa da garota, pois não queria chamar atenção para o carro em frente à casa ou muito próximo a ela. Pôs a mochila nas costas e saiu do carro apressado, cuidando para não olhar ninguém de frente, olhos fixos no chão.

Logo avistou a pequena casa, ao lado de outras cinco idênticas na arquitetura, foi direto para o número indicado. Apertou a campainha, sendo atendido em seguida.

— O-oi — cumprimentou Stephanie, pondo apenas o rosto no vão da porta, gaguejando ao ver aquele homem encarando-a com um sorriso. — Em que posso te ajudar? — perguntou curiosa.

— Na verdade, eu quem posso te ajudar. — Ele riu, levantando a mochila. — Sou professor particular de matemática, me disseram que você estava precisando. Bem, me desculpe em aparecer tão tarde, é que dei aulas mais cedo e....

— Não... não tem problema, pode entrar — respondeu ela rápido, visivelmente aturdida com a beleza do professor.

Ele entrou atento aos detalhes do lugar, era bem pequeno, mas chegava a ser aconchegante.

— Stephanie, certo?

— O-oi? — gaguejou a garota.

— Seu nome, é Stephanie?

— Sim, é Stephanie sim, mas pode me chamar de Sté. E você, como se chama? — perguntou curiosa.

— Vincent! — Ele sorriu, descendo o olhar sobre o corpo da garota, prosseguiu. — Você não quer ir se trocar, para podermos conversar?

Stephanie corou, havia esquecido completamente que estava apenas com uma camiseta larga, que mal cobria a calcinha. Ela se desculpou, pedindo licença para ir se vestir. A jovem era loura, de um rosto fino e delicado, estatura mediana e um corpo bonito, onde a barriga já apontava, perceptível mesmo com a camiseta que usava.

Vincent a viu desaparecer no outro cômodo da casa, fechando uma porta atrás de si. Ele foi rápido para a porta de entrada, trancando-a.

Abriu sua mochila, vestiu suas luvas e se pôs ao lado da porta que a garota inevitavelmente iria ter que cruzar para sair, o que não demorou mais que cinco minutos.

Logo que Stephanie cruzou a porta, Vincent a agarrou por trás, cobrindo sua boca e nariz com uma das mãos, enquanto ela se debatia tentando se desvencilhar daquele homem que em muito lhe chamou a atenção.

— Sté, calma... para que se desgastar assim.... Einstein já dizia que temos o destino que merecemos, e que o nosso destino está de acordo com os nossos méritos... esse é o seu destino, é o que você merece, não lute contra o seu... não vai adiantar! — A voz dele soou serena.

Ela soube naquele momento que ele não veio para ajudá-la e ao lembrar dos últimos infelizes acontecimentos da sua vida, receou ser novamente estuprada, o que a fez se debater ainda mais, mas sem sucesso, pois o ar já começava a faltar.

Stephanie perdeu os sentidos, para recobrá-los apenas ao sentir uma dor aguda em seu ventre, com seus gritos abafados e a dor latente, desmaiou novamente, mas dessa vez, para nunca mais acordar.

i5 k

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!