Capítulo 13: Ruínas de um império

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No princípio, os Pré-Estelares surgiram e modelaram um único mundo para ser sua morada. Cada um deles colocou um pouco de sua essência naquelas terras vastas e cheias de maravilhas, as quais chamaram de Oríginem.

Porém, os Pré-Estelares passaram a se odiar, e conflitos tiveram início. A batalha entre eles ocasionou uma explosão tão poderosa que dela se formou o Universo como um todo. Alguns dizem que o Oríginem foi destruído nessa batalha, mas outros alegam que ele ainda existe.

Todas as Bússolas Universais apontam para a maior concentração de energia do Universo, ou seja, sua origem, onde muitos acreditam estar o Oríginem. Esse mundo místico que contém todos os segredos da criação sempre foi a obsessão dos Absolutos. Cada um deles tentou alcançar o Oríginem, e todos falharam.

Quando Camilo terminou de falar, Érico continuou olhando para ele com mil pensamentos passando por sua cabeça. Pré-Estelares, Oríginem, Absolutos. Estava tudo ligado. E ele estava no meio de tudo aquilo.

— Todos os Caçadores de Relíquias querem chegar lá. E é para lá que vamos. Você queria que eu viesse com você nessa sua viagem. Então, não aceitarei nada menos do que encontrar o Oríginem. Por isso, acharemos uma Bússola Universal – concluiu Camilo, com um minúsculo sorriso por debaixo da barba loira.

Érico sentiu-se zonzo por alguns segundos. Ele não podia ir na direção do Oríginem, pelo menos não até apagar aquelas tatuagens e o seu Destino. Ser o primeiro Absoluto a pisar no Oríginem não era uma ideia que o atraía muito.

Após estabilizar o voo da nave, Camilo digitou alguns comandos na mesa com um holograma mostrando os mapas das Constelações divididas em diversos blocos. Ele clicou com um dos dedos na constelação de Lehoia, onde se encontravam após terem deixado a de Chímaira.

— Estamos perto. Espero não ter outras surpresas como a Onda – suspirou Camilo, recostando-se sobre a cadeira forrada em couro de lagarto. — Vá acordar seu cão de estimação. Logo enfrentaremos a turbulência de Zortzi.

— O cão de estimação está acordado e atento – rosnou Alopex, com o pelo eriçado. — O homem caveira se equivoca em brincar com Alopex! – os dentes da Ánima estavam saltados para fora.

— Relaxe, Alopex. Eu estava brincando – esquivou-se Camilo, dando pouca importância ao seu comportamento.

— O homem caveira escondeu segredos de família dessa Ánima. Ele merece que eu arrancasse suas tripas em nome dos meus!

Érico se posicionou entre Alopex e Camilo, com os braços erguidos na direção da fera.

— Calma, Alopex! Ele só quis te poupar – o rapaz tentou dizer, mas foram interrompidos por um clarão.

Camilo saltou da cadeira forrada e avançou para a cabine, onde os painéis piscavam em uma pane generalizada. Érico e Alopex o acompanharam, deixando a briga de lado para ver que tipo de problema teriam que enfrentar a seguir.

O problema voava a alguns metros de distância: uma Holonave de cor vermelha, com duas turbinas de cada lado por debaixo de asas finas semelhantes às de uma abelha. A forma do veículo lembrava por inteiro um inseto, a cabine acima e seu corpo curvado para baixo, sustentado pelas turbinas. O que deveria ser o ferrão brotando do abdômen era um lança mísseis. As palavras Apis Mellifera podiam ser lidas no holograma. O clarão havia sido um míssil lançado contra a 14-Bis, o que provocou diversas avarias.

— Uma Holonave vermelha. Isso é holograma de cunho militar. Mas as forças militares foram extintas – resmungou Camilo, com uma ruga saltada sobre a têmpora. — Provavelmente mercenários. Devem tê-la conseguido no mercado negro.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora