LUNA

Paranóica. É isso que estou ficando e em minha defesa, tenho ótimos motivos para isso. Há uma semana, sinto que estou sendo seguida e vejo a pessoa misteriosa de preto. Não, ainda não consegui ver seu maldito rosto. Não, também não contei á Noah, nem ninguém. Heitor poderia me ajudar, afinal é delegado, mas não quero parecer uma lunática até ter certeza.

Posso estar indo na casa de meus pais, ou voltando do trabalho, que  vejo a tal pessoa. Pra piorar minha situação, um carro também preto anda atrás de mim e é óbvio que ele é conduzido pelo perseguidor ou perseguidora. Outro dia passei horas tentando pensar em alguém que possui algum motivo para me ferir ou possíveis inimigos de minha família. Não consegui chegar a um nome sequer. Também não posso chegar na casa de meus pais e perguntar se eles possuem, de fato, algum inimigo. Papai ficaria preocupado na hora e sei que mamãe surtaria em questão de segundos.

Neste momento estou no ateliê e é quase hora do almoço. Cansei de ser a vítima perseguida da história, vou pegar a pessoa que me persegue. Tenho tudo em minha mente, agora é torcer para dar tudo certo. Eu sei o que está pensando: é loucura fazer isso. Realmente é, mas não posso suportar essa situação por nem mais um segundo.

Já são noites e noites em claro, preocupada com o que vem acontecendo. Qualquer um ficaria de cabelo em pé, por isso ainda não contei a ninguém. Várias vezes já quase contei á Noah, mas conheço meu namorado e sei que ele enlouqueceria na hora. Além disso, Noah tem praticamente madrugado todos os dias agora e tudo pelo trabalho. Vejo o quão cansado ele chega da empresa todos os dias e não posso tirar as únicas horas de descanso que ele possui a noite.

-Não vai almoçar hoje, chefinha? Todo mundo já saiu -Cris entra em meu escritório.
-Sim, vou - me levanto, pegando a bolsa. -Obrigada por se preocupar, Cris.
-É apenas o meu trabalho -responde. -Luna, desculpa dizer, mas você está com uma aparência horrível.

Que ótimo, nem a maquiagem está dando conta mais. Mas que inferno!
-Você está doente, chefe? -ela arregala os olhos. -Meu Deus, é aquela sua doença respiratória sinistra outra vez?

Sorrio um pouco. Cris é a pessoa mais doidinha que conheço. Ela fala tudo sem pensar, mas não para machucar. Apenas não possui alguns parafusos.
-Não, Cris. Não é minha "doença respiratória sinistra". Não se preocupe.
-Ufa, que susto. Bom, até já -ela se despede para ir almoçar e faço o mesmo.

Como parte do plano, saio do ateliê a pé. Para fazer o que tenho em mente, precisarei ser rápida e o carro só me atrapalharia. Ando normalmente, tentando parecer que tudo está normal. Atravesso a rua, mudando para uma calçada menos movimentada. É uma calçada apenas de comércio, mas estranhamente quieta hoje. Novamente sinto a sensação de estar sendo seguida e pego um espelhinho em minha bolsa. Finjo olhar minha maquiagem, mas na verdade quero ver se estou certa.

O perseguidor rapidamente se esconde atrás de um poste, confirmando minha suspeita e me deixando ver somente sua vestimenta preta. Guardo o objeto na bolsa e recomeço minha caminhada. Ando alguns bons metros, até que vejo um beco. Perfeito. Entro na rua sem saída, com o coração na boca e me escondo atrás de uma caçamba. Consigo ver exatamente quando o desgraçado entra no beco, procurando por mim.

Mesmo estando meio longe, vejo ele olhando para todos os lados, imaginando onde fui parar. Ele desiste de procurar e se vira para ir embora. É quando saio de trás da caçamba e empurro o estranho na parede mais próxima, com toda a minha força. A raiva é tanta que mantenho minhas mãos em seu casaco.
-Seu desgraçado filho da...-quase engasgo quando vejo o que não esperava. -Você é mulher!

As roupas largas e grossas realmente enganam. A toca preta e a blusa de gola alta também impedem o reconhecimento. Mesmo assim, não faço ideia de quem seja essa mulher.

A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!