Enredo #2 - Estrutura de três Atos

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Se dividirmos uma boa história em partes, encontraremos uma série de eventos menores interligados e coesos (cenas) que levam a trama para frente. E se agruparmos as cenas de forma subconsciente chegaremos ao famoso início, meio e fim. Ou apresentação, complicação e resolução. Bom, essa é a estrutura de três atos.

1º Ato – Começo: É apresentação dos personagens, do cenário e do conflito central da trama. É nessa parte que as primeiras perguntas são lançadas. Segundo Syd Field (consultor de roteiro para Hollywood) esta parte deve ser breve (até 25% do tamanho da história) e eficiente na tarefa de fisgar o leitor. Ele acrescenta que é recomendável escrever o início já sabendo do final para compreender a forma ideal de contar a história. Quanto mais eficaz, menor será o Ato e mais rapidamente lançará o leitor na trama. 

Ao final do 1º Ato, acontece uma reviravolta (o incidente incitante que será tratado individualmente em outro capítulo) que lança o protagonista no próximo Ato.

2º Ato – Meio: É o desdobramento da trama. Tem a difícil função de manter a atenção do leitor e preparar o terreno para o clímax e para o desfecho, sem ser óbvio. Por isso, é um terreno fértil para subtramas, que aprofundam os personagens e a trama central de forma indireta.

Uma outra possibilidade é focar na trama central intensificando a tensão de cada cena e deixando o leitor sem folego. Para isso, a evolução dos obstáculos (conflitos) deve dar ao leitor a sensação de que nada vai dar certo para o protagonista, de que o mal é irreversível.

No primeiro caso (subtramas), ganha-se ritmo. No segundo (tensão crescente), ganha-se ritmo. Cada caso é ideal para um tipo de história, mas é comum que a mistura de elementos enriqueça a trama.

Existe uma terceira opção que é praticamente a divisão deste Ato em dois. Nessa estrutura, defendida por Syd Field, o Ato tem duas reviravoltas consecutivas, crescentes e opostas em tensão. Aconselho este caso para suspenses ou histórias longas.

Ao final do Ato, temos a reviravolta mais importante da trama – o Clímax. A história alcança o seu ponto mais alto de tensão. O protagonista precisa enfrentar o seu antagonista.

Ocupa, pelo menos, metade do tamanho da história.


3º Ato – Fim: Começa com o clímax – o ponto de tensão mais alto da história. É a cena final onde o protagonista enfrenta junto com o vilão um conflito principal do enredo – que normalmente está ligado a um defeito seu. Se ele é um covarde, arriscará a própria vida. Se é egoísta se doará ao próximo. Se é impiedoso, perdoará. A alternativa é falhar em sua missão.

Encerrado o clímax, as últimas respostas precisam ser dadas. A história atinge o seu desfecho e o leitor se despede do mundo ficcional.

Caso haja uma continuação, o desfecho é parcial para que a história termine com um gancho forte. É oportuno, no entanto, que um novo conflito seja lançado para não soar um alongamento desnecessário da trama. Mas se algum conflito ficar sem resposta, assegure-se que ele seja forte o suficiente para servir de gancho para um próximo livro.

Como o 1º, este Ato deve ser curto. No máximo, um quarto da história. 


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