Pós-escrita #1 - As versões

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"O primeiro rascunho de qualquer coisa é uma merda." É o que disse Ernest Hemingway, autor de clássicos como: Por quem os sinos dobram e O velho e o mar.

Se era assim até para um escritor como ele, será para assim para nós. Então, relaxe. A primeira versão do seu livro vai ser uma merda.

Isso é doloroso de ouvir e foi a principal razão para eu ter deletado e rasgado tanta coisa que escrevi. Mas não precisa ser agoniante. Como diz o ditado, se o seu problema não tem solução, é porque não é um problema.

O que sugiro é que você aceite que a primeira versão é apenas um pedaço do processo e simplesmente siga em frente até terminá-la.

Quando terminar, comemore. Se dê uma folga. E passe para versão seguinte.

E qual o limite de versões? Isso depende de cada um, mas os mais experientes concordam num número entre 4 e 10 versões.

Desde o início, já conte que você vai reescrever pelo menos três vezes tudo o que escreveu. A versão final de O Segundo Caçador foi a oitava. Aquele da Perna Prata está na terceira.

E existe exceção? Sempre. Autores como Guimarães Rosa, por exemplo, reescrevem apenas uma vez. Contudo, ele era um intelectual da linguística que estudou (nas horas de folga) vinte e quatro línguas, sendo fluente em oito. Além de escritor, era médico e diplomata. Um caso especial que merece ser tratado de tal forma.

Sobra um conselho recorrente dado por escritores de renome: repouse o texto entre as versões. Parece meio sem sentido, mas esse afastamento é necessário para impedir que a ligação emocional do escritor com o texto atrapalhe que a autocrítica floresça. O tempo ideal é, como sempre, pessoal. Muitos sugerem seis meses.

O mínimo que funciona para mim é entre a primeira e a segunda versão, duas semanas. Entre as demais, um mês.

Cabe ressaltar que este período de descanso é do texto, nunca seu. Use o tempo livre entre as versões para escrever ou desenvolver outras histórias. Contos e novelas, por serem menores, são boas sugestões.

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