Capítulo 12

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— Alô. Oi, Pam... ok. Estou indo — disse Vincent, que despertou logo que o telefone tocou.

Olhou para o despertador, constatou que ainda não eram quatro horas da manhã. Olhou para a esposa que dormia tranquilamente, não havia motivos para acordá-la. Levantou-se rápido, se vestiu e saiu em seguida.

Mais de três meses haviam se passado, quando Alex precisou fazer uma viagem de negócios não esperada, mas inadiável, deixando sua esposa Pamela, prestes a ganhar o bebê em casa sozinha, mas não antes de pedir aos gentis vizinhos, Vincent e Donna, que ficassem atentos à sua companheira, caso ela precisasse de algo ou até entrasse em trabalho de parto, já que ela poderia dar à luz a qualquer momento.

Embora o casal a tivesse convidado para ficar em sua casa enquanto Alex estivesse fora, Pamela não aceitou, receando incomodar. Ela preferiu ficar só, até mandou o seu filho, Mike, passar uns dias com a avó, pelo menos até o irmãozinho nascer. Assim, seria mais fácil para ela pedir por ajuda e ir até o hospital, sem ter que se preocupar com o seu pequeno, também. A vizinha deixou Donna sob alerta, poderia ligar a qualquer momento solicitando socorro, como ela costumava dizer. Ao que parecia, o dia esperado chegou.

— Pam? — chamou ele forçando a maçaneta da porta, que estava aberta. — Você está bem? — perguntou, ao vê-la sentada desconfortavelmente no sofá.

— Oi, Vince, as contrações começaram — disse ela com uma expressão de dor. — Aqui está o que vou levar — Apontou para uma grande bolsa de maternidade no chão.

— Vou te levar para o hospital, venha, te ajudo a levantar — falou enquanto a levantava do sofá, jogando os braços dela em seu ombro, apanhando também a bolsa do chão.

Vincent a pôs no carro, tranquilizando-a. Deu a volta para também entrar e saiu acelerando.

Christopher e Ramona estavam cheios de serviço como sempre, era incrível como Los Angeles não tinha nem sequer um dia de paz. O mal das cidades grandes! pensava o detetive.

Embora o caso Ceifador de Anjos tenha se encerrado há pouco, eles se sentiam assombrados por ele. Eram inevitáveis as discussões que tinham sobre uma possível falha, pois por algum motivo que Christopher ignorava, Ramona dizia que seu sexto sentido feminino a alertava que aquilo tudo não havia se encerrado, que haviam errado!

Sempre que voltavam a esse assunto, concluíam que, se de fato tivessem errado ao encerrar os casos do Ceifador de Anjos, o que torciam para que não, não tiveram outra opção a não ser aquela, pois a pressão que a mídia fazia em torno da captura do assassino, era repassada da Corregedoria Geral da Justiça para o departamento de Homicídios, de forma que Jeremy era obrigado a fazer cobranças enormes encima de seus detetives responsáveis pelo caso.

Jeremy, chefe do departamento e superior direto de Christopher e Ramona, sabia da complexidade dos casos, assim como da falta de evidências a favor de sua equipe, mas era forçado a obter resultados através das investigações, mais especificamente, tinha que apresentar um culpado.

O singular momento que viveram naquela ocasião dava a entender que, não fosse o assaltante enfermeiro culpado dos assassinatos, apesar de tudo apontar para ele, seria burrice não o considerarem, ou seja, usarem ele para pôr fim às pressões sofridas, era estritamente necessário.

Donna acordou com o toque irritante do despertador, ficou surpresa ao perceber que estava sozinha na cama, ainda assim, tomou um banho rápido e se vestiu para ir trabalhar. Ao descer as escadas, sentiu um cheiro agradável no ar.

— Bom dia, amor! — disse ela adentrando a cozinha, sentando em um banco alto, próximo ao balcão que o marido estava usando para preparar o café. — Achei que tivesse saído.

O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!