Capítulo 11

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A comida cheirava bem e estava apetitosa. A mesa quase toda ocupada, com Vincent e Donna, Pamela e Alex, que trouxeram um cadeirão apropriado para que Mike pudesse fazer sua refeição como todos. Além de Adelle e do novo namorado, Giovani, um advogado alto e de corpo bem definido, pele morena, cabeça raspada e uma cara de mau em um rosto muito bonito.

Apesar da expressão séria, ria com facilidade e suas gargalhadas eram contagiantes. Logo conquistou todos os presentes, inclusive os vizinhos de Vincent. Alex até combinou de levá-lo para ver um apartamento que estava à venda, já que Giovani estava à procura de um para comprar.

A atenção de Donna se dividia entre Vincent e Mike, com quem falava sempre com entonação carinhosa, fazendo o possível para agradá-lo, ao que não precisava de muito esforço, já que o garotinho era muito simpático.

Donna e Vincent acompanharam toda a gestação de Pamela, pois quando eles mudaram para a casa ao lado eram recém-casados, levando alguns meses para que finalmente pudessem dar a notícia da gravidez. Quando Mike nasceu, até foram visitá-la no hospital, levando doces e lembrancinhas para o pequeno.

Vincent acompanhou a esposa quando ela finalmente se encheu de coragem para pedir que Pamela e Alex deixassem Mike uma tarde ou outra com eles, ao que o casal prontamente consentiu, pois sabiam que o menino era muito querido naquela casa e que cuidariam muito bem dele, de certa forma, até exagerariam nos mimos, coisa que tios corujas fazem muito.

O celular tocava insistente, enquanto Christopher fazia seus exercícios matinais. Não precisou atender para saber que não se tratavam de boas notícias, o que confirmou em segundos ao falar com Ramona pelo aparelho.

Vestiu-se rápido, desceu as escadas e viu sua esposa, Olivia, pondo a mesa para tomarem café, deu-lhe um beijo apressado, avisando que precisava sair, ao que ela nem sequer teve tempo de responder.

Christopher dirigia com pressa para chegar, sabia que a parceira estava fazendo o mesmo, pois assim como ele, ela foi chamada para uma emergência. O local era exatamente o lava-rápido do Adrian, ao que parece, ele e os comparsas tinham ido lá para buscar dinheiro, provavelmente para fugir, já que estavam sendo procurados pela polícia, mas um comerciante os viu e avisou aos seus clientes e os pedestres que passavam, em pouco tempo, alguns carros também pararam e se fez uma grande confusão.

Aqueles civis tentaram fazer justiça com as próprias mãos, linchando os suspeitos de cometer aquelas monstruosidades com Barbara, Christine e Loretta. A polícia já tinha sido acionada, mas pelo que entendeu da rápida conversa com Ramona, chegaram tarde demais.

Ao sair do carro, avistou uma multidão na rua, que parecia feliz com o acontecido. Passou por ela e viu Ramona, abaixada, segurando a ponta de um lençol que cobria o resto do corpo, enquanto ela encarava um rosto desfalecido em uma poça de sangue. Ele se aproximou.

— Qual deles? — perguntou Christopher.

— Paolo — respondeu ela em um suspiro.

— E Jean? — perguntou esperançoso, já que tinham interesse maior no enfermeiro.

— Está lá dentro. — Apontou para o lava-rápido, enquanto cobria o rosto do cadáver, se levantando em seguida. — Morto também! Acho que o Ceifador de Anjos encerrou a carreira antes de chegar aos dezessete — disse irônica.

— Dezessete? Não entendi, ele tinha mais de trinta — observou o detetive.

— Dezessete fetos — ela disse com um sorriso. — Foi só uma brincadeira, li recentemente um conto onde uma mulher é assassinada e deixada como se fosse uma escultura, em cujo ventre tinha sido colocado essa quantidade de fetos. Quando eu li, pensava que o nosso Ceifador poderia ser o fornecedor. — Ela riu divertida. — Você iria gostar, é O Observador, do autor Cris Scuziato.

— Acho que sim, me parece instigante! — Ele sorri. — E Adrian? — perguntou mudando a expressão.

— Foi levado para o hospital, ele está muito ferido — respondeu a detetive.

Ficaram em silêncio. O caso Ceifador de Anjos aparentemente se encerrava sozinho.

Ainda assim, precisavam colher o depoimento de Adrian, que ao receber alta do hospital, seria preso pelos assaltos que havia feito. Tinham que descobrir se ele tinha alguma participação nos assassinatos também. Sabiam que por enquanto não obteriam respostas por causa do estado de saúde do rapaz, que conforme os policiais avisaram, Adrian sofreu muitos ferimentos no corpo e na cabeça.

Somente no departamento é que Chistopher e Ramona se puseram a discutir os últimos acontecimentos. A detetive se atentou ao fato de que nenhum dos três calçavam 42, apenas dois dos três suspeitos usavam 40, enquanto o outro, uma numeração ainda menor.

Tinham dúvidas, mas eram mínimas. Elas só acabaram quando Christopher levantou a hipótese do uso de um sapato com numeração maior, o que acontece bastante em estabelecimentos comerciais na hora de se fazer a limpeza, não se tem vestimentas e botas com a numeração certa para todos os funcionários, então se usa números maiores mesmo. Claro que no caso do Ceifador de Anjos, o objetivo era exclusivamente confundi-los.

Sem qualquer dúvida sobre o caso, eles finalmente conseguiram relaxar.

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O Ceifador de Anjos: A Coleção de FetosLeia esta história GRATUITAMENTE!