Capítulo - 22

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Charles permanecia parado em frente à imensa janela de sua sala no escritório, que dava uma ampla vista de um parque, todo coberto por uma grossa camada de neve, os ventos gelados balançavam de forma frenética os galhos secos das árvores que cercavam uma pequena represa, estava tenso e distante. Aquela reunião o deixara praticamente exausto, havia fechado as negociações com louvor exatamente como seu falecido pai iria aprovar.

— Estou orgulhoso da forma que agiu essa manha na reunião. – Disse George parado junto à porta com a postura ereta e suas mãos dentro dos bolsos da calça social.

— Deveria estar de lua de mel, o que faz aqui ainda? – questionou Charles sem ao menos se virar para encará-lo.

George coçou o queixo, endireitou-se e com passos lentos adentrou a sala.

— Vim lhe dar apoio, é pra isso que servem os irmãos meu caro. – Respondeu.

Charles moveu a cabeça de forma lenta, mas permanecia com os olhos fixos na movimentação do parque logo abaixo.

— Queria conversar com você sobre outro assunto. – Anunciou George o fazendo enfim virar-se. — É um tanto estranho, mas sabe que odeio fazer rodeios. Por que não me falou que esbarrou em Evelyn algumas noites atrás?

— Não achei que iria se importar com tal fato, mas quem te relatou esse encontro?

— Claire está em Manhattan nesse exato momento, na casa da irmã e digamos que ela deve ter compartilhado esse encontro. – Respondeu George com os olhos fixados nos do irmão.

— As pessoas se esbarram, é normal. – Rebateu de forma ríspida, como se não estivesse se importando.

George arqueou a sobrancelha enquanto uma expressão desconfiada estampava seu rosto. O silêncio que os envolveu era tão completo que chegava a ser ensurdecedor. Charles mantinha-se sempre tão na defensiva que às vezes, George achava difícil argumentar qualquer coisa com ele.

— Sim. – Respondeu de prontidão pegando-o de surpresa. — Mas é bem estranho que duas pessoas que tiveram algo se esbarrem e considerem isso como apenas algo "normal".

— George, sejamos francos, casualidade sempre acontece.

— Conta outra. – debochou enquanto o encarava. — Você é meu irmão mais velho e por incrível que pareça, consigo decifrar seus gestos quando está mentindo.

— É melhor deixarmos no passado o que aconteceu, não é isso que fazem os homens modernos? Não te contei para evitar questionamentos como este. – Charles inspirou fundo e tentou acabar com aquela conversa.

— Concordo que alguns homens fazem isso, mas não você. – Respondeu enquanto apontava para o irmão. — É óbvio que ela mexeu com você, pare de bancar o cara orgulhoso e admita que gosta dela, sou seu irmão e não estou aqui para te crucificar.

Charles virou-se de costas para o irmão, baixando sua guarda, fechou os olhos por alguns segundos, o sorriso de Evelyn tomou conta de sua mente, cerrou os punhos.

— É fácil pra você, simplesmente deixe seu orgulho de lado e passe a borracha por cima. – Indagou de forma áspera ainda de costas para o irmão. — Sempre foi o galã da família, pegando qualquer mulher que desejasse, não tem o direito de entrar na minha sala e questionar minhas atitudes, sou responsável por meus atos e...

— Está perdidamente apaixonado e fica aí bancando o imbecil enquanto as oportunidades passam diante de seus olhos. – Interrompeu George com a voz grave ainda parado em pé na frente da mesa. — Posso ter sido um cretino que iludia as mulheres as quais pegava, mas não desperdicei minha chance de ser feliz ao lado de uma quando tive chance.

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