O barulho do despertador parecia ecoar dento da cabeça de Evelyn, a morena resmungou enquanto se virava para o outro lado da cama envolta naquele emaranhado de lençol com o edredom. Finalmente o som do despertar parou, deixando que novamente o delicioso silêncio preenchesse o ambiente, mas havia um porém, não passaram dois segundos e novamente o som agudo voltou a tocar.

— Santo Deus! – balbuciou Eve enfim abrindo os olhos.

Esticou a mão esquerda para alcançar o bendito relógio, apertou o botão que ficava na parte de cima e o silêncio novamente reinou. A jovem fixou os olhos no teto e deixou um longo suspiro escapar pelos lábios semiabertos.

Já tinha tudo esquematizado em sua cabeça, o roteiro de atividades para aquela terça-feira, mas o primeiro passo era conseguir levantar de sua cama tão confortável e convidativa para continuar ali o dia todo.

Eve fez uma contagem mental e antes de chegar ao número "1" tomou coragem e sentou-se na beirada da cama, esticou a mão direita e pegou o celular. Conferiu que horas eram e esfregou os olhos enquanto mordia os lábios.

Vamos Eve é hora de voltar à velha e maçante rotina. Pensou consigo mesma, coçou a nuca por um segundo pensativa antes de se levantar. Caminhou até a imensa porta de vidro que dava acesso a uma varanda particular, ao abrir as cortinas de seda, pode notar que o céu estava nublado e o piso de madeira de sua varanda estava molhado devido à chuva da noite passada. Sentiu um calafrio roubar-lhe o calor do corpo, encostou seu rosto na porta de vidro ainda fechada e suspirou de forma lenta, formando um pequeno círculo embaçado sobre o vidro devido a sua respiração quente.

Moveu a cabeça lentamente e se afastou da porta de vidro, fechou as grossas cortinas e girou sobre os calcanhares. Seguiu até o banheiro, precisava tomar um banho quente antes de qualquer coisa.

Caminhou até o chuveiro e abriu a torneira da água quente, mesmo desejando relaxar em sua imensa banheira de hidro, não tinha tempo para aquele momento, precisava se apressar, pois Gaillard sempre chegava às nove em ponto no escritório.

A morena encostou as mãos na fria parede do banheiro enquanto a água morna percorria toda a dimensão de seu corpo. Por um segundo Eve fechou os olhos e se perdeu nas velhas recordações de sua infância, as manhãs no campo, as risadas junto à lareira e por fim o som da voz de seu falecido pai.

Abriu os olhos antes que tivesse um colapso emocional novamente, pegou a bucha e o sabonete líquido, derramou um pouco sobre a superfície macia e esfregou primeiramente os braços, em seguida as pernas e por fim o corpo todo enquanto cantarolava uma das canções que aprendera ainda criança, ao terminar voltou para debaixo daquela água morna e se enxaguou, fechou a torneira e abriu o box esticando o braço direito para alcançar a toalha, se enxugou e ao terminar se enrolou nela.

Caminhou até o armário, abriu as portas e pegou o secador de cabelo, como já estava acostumada àquela rotina, não demorou muito para secá-los, escovou os dentes e antes de sair do banheiro encarou-se por um segundo através de seu reflexo no espelho oval.

Moveu a cabeça e seguiu até o quarto, escolheu um look casual para dias chuvosos, calça jeans escura e um camisete claro, de preferência branco para que combinasse com seu terninho social preto. Penteou os cabelos os amarrando em um perfeito rabo de cavalo e passou uma leve maquiagem.

Antes de sair do quarto, pegou sua bolsa e ao chegar à porta recordou-se de seu celular, girou sobre os calcanhares e seguiu ate o criado-mudo onde o havia deixado. Por fim seguiu seu trajeto até a porta de saída de seu apartamento.

Enquanto caminhava pelo largo corredor que dava acesso ao elevador, Eve discou para o escritório dos estilistas, chamou três vezes e nada, a jovem mordeu os lábios impaciente e tentou novamente.

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