Charles caminhava de um lado para o outro um tanto eufórico, enquanto juntava as peças de roupa que tinha trazido para passar o mês, George observava um tanto aflito, sem entender o motivo que levara seu irmão àquela decisão.

— Não pode ir embora, Charles. – Grunhiu George franzindo o cenho, enquanto ele terminava de colocar suas roupas dentro da mala.

Havia muito tempo que não via Charles com tanta raiva. George permaneceu parado junto à porta sem entender.

— Algo aconteceu, não foi? – quis saber.

Charles arfou.

— Sim. E pelo visto quer saber, não é? – a pergunta soou sarcástica. — Acho melhor sentar-se, ou irá ficar entediado em ouvir minhas palavras. – George permaneceu em pé esperando, Charles cobriu o rosto com as mãos. — Por que não confiei em minha intuição? Mas não, novamente coloquei os burros na frente do carro e saí mal.

George fez uma leve careta, sabia que Charles ficava descontrolado quando estava furioso, mesmo não ouvindo da boca dele, já tinha uma leve intuição sobre o que estava alterando seu humor.

— É a Eve, não é? – quis saber.

— E de quem estaríamos falando, meu caro irmão? – Disse com uma pontada de cinismo, era de se esperar. — Não posso ficar mais um dia nesse lugar, não depois do que aconteceu, por isso irei embora.

— Mas que diabos ela fez, então? Diga-me algo plausível, pare de ficar bancando o bobo da corte. – Retrucou George.

Charles sentou-se na beirada da cama e deixou a camisa que estava segurando cair no chão.

— Pela primeira vez em quase dez anos, achei que estava amando alguém e de novo quebrei a cara. Na noite passada, fui ao quarto dela para dizer sobre meus sentimentos e a peguei agarrada com o Michael aos beijos. Ela negou a principio, mas quando aquele imbecil do seu amigo acusou de terem dormido juntos na noite da festa de despedida de solteiro, ela nem sequer se defendeu, saiu correndo deixando evidente que algo tinha acontecido entre eles.

George soltou um longo suspiro. Céus, seu irmão estava perdidamente apaixonado por Evelyn Gooding, era evidente em seus olhos o quanto estava sofrendo por conta daquilo. Sabia que um simples "deixe isto para lá" ou "esqueça" não iriam resolver.

— Por isso irei embora esta tarde, não se preocupe, já comprei a passagem aérea. –Disse voltando a colocar as roupas dentro de sua mala.

— Pelo amor de Deus não faça isso, eu te peço, sei que está chateado pelo que ela fez, mas não posso deixar que meu irmão falte no dia mais importante de minha vida. – Suplicou George.

Charles parou de arrumar as malas e o encarou, sabia que George tinha razão, pois um tinha ao outro e era isso o que importava. E deixar seu único irmão na mão, não teria perdão. Ele assentiu. George o abraçou.

— Tudo bem, vou ficar, mas com a condição de que não vai contar a ninguém o que te falei. – Pediu Charles enquanto se afastava do irmão.

George concordou, antes de se afastar na direção da porta, disse:

— Vá se aprontar, pois o almoço será servido em breve.

Charles apenas limitou-se a concordar com um gesto de cabeça, mal sabia ele que a essa altura Michael Bolton já tinha espalhado a fofoca sobre o que tinha acontecido, e como sempre colocara a culpa toda em Eve.

George por sua vez caminhou até a sala de jantar, onde todos estavam reunidos para o almoço daquela manhã de segunda-feira abafada de verão. O rapaz cumprimentou a todos ao entrar no salão e seguiu direto onde estava sua noiva.

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