A janela de seu quarto estava aberta, o que permitia a entrada de uma brisa cálida que mexia com as cortinas. O relógio marcava meia-noite e meia, já era madrugada de segunda-feira. Eve permanecia naquela posição: deitada, quieta, fitando nada além do teto. Os seus pensamentos foram interrompidos pelo ranger da porta. A pouca iluminação do ambiente fez com que ela se levantasse apressadamente.

— Charles? – Um largo sorriso preencheu-lhe os lábios. Contudo, a resposta não veio, por isso, tornou a chamá-lo. — Charles... É você?

O seu sorriso se apagou ao ver o rosto de Michael Bolton. Os seus sentimentos quanto a ele se mostraram vingativos como nunca, tanto que o gosto de bile preencheu a sua boca com avidez.

Charles, qual é? – Comentou debochadamente, o que só serviu para aumentar a raiva de Eve. — Poupe-me daquele sujeitinho sem graça... Vim terminar a nossa conversa. – Ela se afastava a cada passo de Michael. — Imagino o quanto você deve estar implorando por mim desde aquela noite. Eu não consigo esquecê-la.

— Hipócrita! – A sua voz saiu amedrontada. — Acha mesmo que irá me iludir com essa conversinha furada? Qual é Michael, você já foi melhor que isso. Parece estar perdendo a prática. Deixe de ser patético e saia logo do meu quarto.

No fundo, ela desejava esbofeteá-lo com toda a força que tinha, só para que o sorrisinho cínico desaparecesse de seus lábios. Michael fechou os olhos e quando os abriu, tornou a encará-la.

— E se não fizer o que você está falando, vai gritar? Talvez o seu novo brinquedinho venha ajudá-la. – Comentou, aproximando-se ainda mais. — Ou irá descobrir a bela vagabunda que você sempre foi.

— Imbecil! Não sabe o quanto me arrependo de ter te amado.

Antes que pudesse continuar, Eve sentiu uma das mãos de Michael envolvendo os seus pulsos e os lábios dele selando os seus, silenciando suas ofensas. Por mais que tentasse se livrar dele, sabia que, lá no fundo, podia sentir os seus sentimentos tão confusos quanto uma grande roda-gigante desgovernada. Contudo, conseguiu desferir uma joelhada entre as pernas dele, o que o fez recuar e abafar um gemido.

— Seu cretino. – Grunhiu, os olhos marejados de lágrimas. — Por que faz isso comigo? Não entende que não temos mais nada? Tudo o que eu sinto por você é nojo.

— Mentira! Steven me contou sobre as conversas que ouviu entre você e sua mãe, e eram bem diferentes. Contou para ela sobre a nossa noite no New York Hotel, isso prova o quanto sentiu saudades das nossas noites de amor, e também no Paladino na noite da despedida de solteira que você organizou para sua irmã.

— Cala a boca. – Ordenou enquanto uma onda de raiva e ressentimento atingia o seu coração. — Isso foi há três anos, Michael. Hoje não me restou nada além de pena de você. Acha que eu não sei sobre o que aprontou pelas minhas costas? – Aproximou-se a ponto de encará-lo face a face. — Você me abandonou quando eu mais precisei de você. Não vou perdoá-lo nunca.

Michael a encarou por alguns segundos. Sabia como Eve ficava debilitada quando caía em pranto. Por isso, sem que ela percebesse, aproximou-se e a tomou de súbito em seus braços, a garota pareceu relutar no primeiro momento, mas acabou cedendo. Ele passou os dedos pelos cabelos dela, um gesto que, se não lhe falhava a memória, costumava acalmá-la bastante.

— Não sabe o quanto me arrependo. – Murmurou em seu ouvido — Daria tudo pra voltar àquele tempo e apagar os erros. Eu sinto tanta falta do seu carinho, de seus beijos...

— Pare! – empurrou-o para longe de si. — Você continua sendo o mesmo cretino de antes. Se acha que eu vou cair no seu papo outra vez, está muito enganado...

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