II

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Miranda balançou a cabeça, saindo dos seus devaneios e encarou seu parceiro. Desde o dia da fuga não se separou de Houston, contudo, já estava esgotada da companhia do garoto. Na clínica não foi capaz de enxergar, mas depois de tanto tempo ao seu lado, ela sabia exatamente porque os pais dele o colocaram naquela instituição.

Ele parou o carro na casa que moravam no momento, um local afastado de tudo, deixando os olhares longe dos dois. Saiu do veículo, se encolhendo por conta do frio e destrancando a porta da sua moradia. Ao entrar no local, suspirou, todo o serviço lhe dava prazer, mas também muito cansaço. Ela foi até o quarto, tirou a roupa, tendo cuidado ao pegar a faca que ficava dentro de uma capa escondida na sua bota e se dirigiu ao banheiro, onde tomou um banho quente. Ao voltar para o quarto, enrolada em uma toalha, encontrou Houston deitado na cama com a televisão ligada.

— Todos os jornais não param de falar de você. - ele disse.

Ela encarou a TV, a imagem de uma das suas vítimas estava na tela. Um homem com olhos acastanhados e com covinhas, o seu padrão preferido.

— Eu gostava desse. - ela comentou - Ele tinha boas piadas, me diverti muito com ele. - completou, para o desagrado de Houston.

O rapaz levantou-se rapidamente da cama, agarrando Miranda por trás, enfiou sua mão por baixo de sua toalha, subindo em sua coxa e jogou os cabelos dela para o lado a fim de lhe dar acesso ao seu pescoço, no qual depositou um beijo.

— Divertiu-se mais do que comigo? - indagou-a com uma carranca no rosto e uma voz rouca em seu ouvido.

— É a minha missão Houston, achei que a essa altura já estivesse habituado - respondeu rolando os olhos e desvencilhando-se delicadamente do seu aperto.

— Já não tenho mais paciência, meu sangue ferve ao te ver flertando com todos esses caras, querida. Espero que isso acabe logo! - disse largando-a e  voltando-se a sentar na cama. - Você é minha Miranda, não se esqueça disso. - frisou, fitando-a intensamente.

— E acabará, Houston. Em breve. - a mulher tratou de responder sabendo que, por enquanto, era mais benéfico tê-lo como aliado.

Ela foi até o guarda-roupa e pegou um pijama, o vestindo rapidamente e indo se deitar na cama. O apresentador na TV debatia com algumas pessoas sobre o caso mais comentado em Londres.

— O caso Alice. - disse o homem de terno com cabelos grisalhos na TV - Oito assassinatos com o mesmo padrão nos últimos dois meses. As vítimas, homens de geralmente 20 - 30 anos, que sempre são encontrados com sorrisos alargados, semelhantes ao gato de Cheshire, da história de Alice no país de maravilhas. O serial killer ainda não foi encontrado, deixando todos em estado de alerta. O que motiva alguém a fazer uma barbaridade dessas? O senhor Campbell, detetive responsável pelo caso, está ao vivo para conversar conosco.

Miranda amava todo o status e a fama que suas "brincadeiras" proporcionavam. Estava com um sorriso no rosto quando viu um homem na televisão, ele era jornalista e estava fazendo algumas perguntas ao detetive. Seu nome era Lewis Smith e ao se despedir, ele deu um pequeno sorriso, fazendo aparecer as covinhas. O coração dela disparou.

— Eu quero ele. - ela sussurrou com uma voz gélida.

— Outro? Mas já, Miranda?

— Sim, eu quero ele.

Ele se virou bruscamente para ela, a imprensando na cama e agarrando seus braços.

— Você não precisa de ninguém além de mim. Eu vou repetir mais uma vez, você é minha, somente minha.

Miranda sorriu para ele e o beijou.

— Eu sei, querido.

Ela o abraçou, descansando seu rosto no ombro do rapaz, a mentira acalmando o coração de Houston. Mas, os olhos dela brilhavam, sua mente trabalhava imaginando o corpo do jornalista se enfraquecendo em suas mãos. Se Houston não queria lhe ajudar, faria tudo sem ele, mas ela precisava disso, era uma vontade que ela não conseguia controlar, havia se formado há muito tempo, se tornando maior que a dor e o medo, tinha sido a forma que ela havia encontrado para se proteger.

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