A Maldição dos Anjos

219 17 1
                                    


Pov. Leo

O corredor que leva ao meu quarto está escuro mas não ligo pois sinto a presença de Nico ao meu lado (que ironia não? O garoto que vive com as sombras me faz não temer o escuro!)
Assim que chego no meu quarto assendo a luz revelando o que parece uma oficina com cama, olho para Nico ele analisava tudo curioso, ouço o barulho de porta se fechando atrás de mim e meu rosto começa a esquentar, Nico pareceu perceber e ri levemente enquanto me leva até a cama.

-- Calma Valdez -- ele sorriu tímido, nas de modo quase doce. Devo ter feito uma cara muito surpresa porque ele corou e desviou o olhar sem esconder a sombra de um sorriso,  ele me coloca na cama.

Após me deitar o garoto se ajoelhou na cama ao lado de minha perna, me entregou ambrósia um maravilhoso gosto de tacos invadiu minha boca e uma onda maravilhosa de alívio invadiu meu corpo. Não sinto mais dor.
-- Aqui dói? -- perguntou ele apertando levamente meu pé.
-- Não, acho que está bem melhor agora-- ele me olhou aliviado.

-- Certo, de qualquer forma acho melhor você não andar muito amanhã para poder se recuperar -- assenti e ele levantou se direcionando para a porta -- Boa noite Leo.

-- N-não espera! -- ele parou na porta me fitando, eu não sabia o que dizer só queria que o semideus ficasse -- O que aconteceu quando você arrombou aquele alçapão?

O garoto me fitou como se não soubesse se me ignorava ou me batia, senti um clima de mágoa exalando do príncipe das. sombras.
-- Me desculpe, se você não quiser não precisa. .-- comecei mas o garoto me interrompeu novamente fechando a porta
-- Não precisa .. eu .. só que..-- ele suspirou e fiz sinal para ele se sentar na cama, o olhei se sentar me olhando frágil -- Certo, sabe aquelas rachaduras na borda do cálice? Quando Enrico brigava comigo e com o David ele pegou aquilo para.. bem nos machucar, quando David estava a beira do desmaio os meus poderes .. se descontrolaram e Enrico.. bem.. morreu, carreguei meu amigo para fora do porão e a primeira coisa que me veio na cabeça foi falar com a minha irmã Bianca .. e-eu o carreguei pa-ara minha casa mas ela estava vazia, fui para o meu qua-arto --(que devia ser o do meu pesadelo) -- e ouvi um barulho de risadas masculinas, um gr-upo de g - garotos mais velhos nos encurralaram a mando do padre responsável por nosso colégio e e-eles nos.. machucaram até que ouvi David dizer chorando q-que. ..

Eu não devia ter feito isso, agora o garoto começou a chorar e sem saber o que fazer me restou o abraçar.

-- Disse que se eu fosse realmente seu amigo era para eu fugir dalí e eu fui, o deixei lá. -- ele sussurrou no meu ouvido com uma voz um tanto chorosa.

Desfiz o nosso abraço e olhei em seus olhos marejados, só então notei, Nico não tinha poços vazios em suas pulpilas ele tinha poços a serem enchidos e céus a serem cobertos por estrelas.

Pov. Nico

Ficamos um tempo nos analisando, eu devia estar corado, como fui tão idiota de contar isto para o Leo? E por que me permiti chorar?

---er...boa noite...-- eu disse me levantando apressado.

Antes que pudesse sair me senti sendo puxado levemente para a cama. Encarei o filho de Herfesto e selamos nossos lábio em um beijo calmo, desta vez fui eu quem pediu passagem me imediatamente concedeu, ficamos alguns minutos em silêncio apenas curtindo a presença e aconchego um do outro.

--Leo não quero que você seja só um cometa em minha vida. -- ele me sussurrou.
--Como assim Nic? --perguntei não entendendo
--Cometas são passageiros, passam e se vão, estou cansado de sofrer Leo e exausto demais para chorar -- disse ele me olhando triste ---se isso só foi uma noite para você pare d...
-- Sabe em uma coisa eu tenho que concordar com os Liparoti -- ele me olhou confuso com a interrupção-- você é uma maldição Nico d' Angelo e não vai se livrar de mim tão fácil.

Ele sorriu e me embrulhei em seus braços, Nico jogou agora no interruptor e a escuridão tomou conta.

Essa noite não houveram pesadelos.

Sorriso PassadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora