›» Capítulo 12 «‹

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Pensei que o dia de hoje seria diferente, mas estava sendo igual os outros. Com algumas exceções, claro. Supus que Andrea fosse a primeira pessoa que eu veria depois do dia de ontem – que eu repetiria inúmeras vezes –, mas a única pessoa que encontrei foi o David sentado sozinho em baixo de uma árvore. Ele comtempla o céu azul enquanto sussurra algo inaudível. Fico no dilema se devo ou não me aproximar, até que eu decido que sim. Creio que eu devo desculpas a ele e parabéns por ter atuado muito bem.

– E aí? – digo. Ele me olha e dá um sorriso de canto.

– E aí.

– Você sempre foi feio, mas hoje está horrível – caçoo de sua feição, mas com um rastro de verdade. A aparência dele não estava nada favorável ao que sempre foi, e eu já até imagino o que aconteceu. – É o assunto da Bailey?

– Cara... Eu não sei por onde começar – ele diz olhando para o gramado e tirando alguns matinhos, jogando-os fora. – A Bailey não quer contar para os pais. Para eles vocês ainda estão namorando. Ela está apavorada, e eu estou pior ainda por não saber como ajudar e ser o culpado disso tudo.

– Você não é o culpado...

– Claro que sou! Ela não fez a criatura com o dedo – ele diz ironicamente. Fico calado e pensando que, se fosse eu, não saberia como resolver aquilo. O que dizer numa situação dessas? Não tenho cara de psicólogo para aconselhá-lo nisso tudo. – Além do mais, os pais dela nem me conhecem. Hoje vai ser minha morte, só espero que não leve flores fedidas no meu velório – David finaliza dramaticamente e joga a cabeça para trás, suspirando pesado como se estivesse sufocado.

– Não vou levar flores, mas vou levar comida, serve? – finalizo com uma sobrancelha arqueada. Ele me olha e ignora, revirando os olhos como se estivesse incomodado.

– Você é um péssimo amigo, Lewis.

– Obrigado.

Ouvimos o sinal bater, mas não nos movemos. Parece que não temos ânimo para fazer isso, estamos mortos – eu de preguiça e ele por motivos óbvios. O mais engraçado de ver foram as pessoas passando e nos olhando como se fôssemos um bicho de vinte e três cabeças. Ah, qual é! Sou só eu e o melhor amigo que, segundo pessoas não nos conhecem, pegou a minha namorada. Como se eu fosse brigar com isso, coitados. Sinceramente, não estava ligando nem um pouco para aquilo. Quer dizer, as pessoas me elegeram como "O Cara Mais Otário do Ano". Talvez eu seja mesmo, mas não por motivos relacionados a Bailey. Aliás, mesmo ela tendo feito o que fez, eu não vou condená-la e não tenho nem motivos para isso. No fim de todo esse drama, eu só espero que ela consiga concluir seus objetivos.

– A Bailey não veio hoje – David diz tenso. – Não sei se ela está me ignorando ou sei lá! Mas ela não responde chamadas nem visualiza mensagens, eu estou enlouquecendo.

– Acho que você deve dar um tempo para ela. Sabe, a Bailey deve estar assustada com tudo isso e com certeza quer um tempo de todos. Ela já deve ter recebido um monte de críticas pelas pessoas, e está percebendo que o que fez com os outros não foi bom, assim como eu percebi.

– Eu estou começando a te compreender, só não entendi essa parte do tempo.

– Cara, presta atenção – digo irritado pela lerdeza do David. – Independentemente do que acontecer, você é o pai dessa criança...

– Dá para você falar baixo? – ele me interrompe.

– Desculpa – continuo. – Ela sabe que pode recorrer a você quando quiser que estará lá para apoiar. Sei que você é um otário, com todo o respeito, mas te conheço o suficiente para saber que não iria deixá-la desamparada.

Além do MarWhere stories live. Discover now