Capítulo 4 - Contra a Parede

Começar do início

    — Ele é alguns anos mais novo do que ela. Vinha aqui toda hora, praticamente, só o meu pai que não percebia...Eu via a maneira que ele olhava para ela, então os segui uma vez...

    A primeira apresentação de julho havia acabado de terminar. Era noite, estava frio, mesmo que o corpo do casal ilícito permanecesse em chamas. Oh, como Tom esperara por aquele momento, esperava dias inteiros, a partir do último beijo que Marjorie lhe dera. Apertava sua mão delicada, entrelaçando-se com ela, contendo-se para não tomá-la para si bem ali, à vista de todos, à vista do marido estúpido que mal podia esperar para ver longe.

    —Estava com tantas saudades, Marge... — parou por um segundo, somente para observá-la bem, gostava de pensar que era capaz de registrar as imagens da bailarina, que elas seriam suficientes para quando estivessem longe um do outro. Nunca conseguia se acostumar com o quão linda ela era. Nunca. A pele perfeita, sem marca alguma, os cílios longos e belos, a graça no olhar tímido e intenso...

    —Eu também, meu amor — ela sorriu. E aquilo foi como uma bomba explodindo no interior de Tom, liberando faíscas por todo lado. O sorriso perfeito, que a fazia iluminar ainda mais o azul sutil de suas íris, bem diante dele. Portanto, a trouxe para perto, puxando-a com carinho, para um beijo delicado, sentindo a maciez reconfortante que tanto aguardara.

    — Tom! — Marjorie se afastou, rindo em meio a sussurros para que não fosse ouvida. — Você está louco? Podem nos ver!

    — Estou... — riu, com a malícia tinindo. — Louco por você.

    — Então deveria se apressar para ir comigo até a cabine! — a bailarina revidou, estreitando os olhos. — Vamos!

    Mas Tom mal conseguia se mover. Suas pernas permaneceram imóveis, com sua atenção inteiramente depositada no tule branco cada vez mais distante, nos cachos dourados oscilando pelo vento, nos risos doces ecoando pelos ares...

    Então impulsionou seus pés para que pudesse ir ao encontro de Marjorie Montgomery, com seu coração quase saltando de seu peito, na mais pura expectativa.

    A bailarina entrou na cabine primeiro, esperando pelo herdeiro, que fitou ao espaço com curiosidade. Era um cubículo branco e apertado, com um visor repleto de botões e um banco de madeira gasto e empoeirado, que parecia não ser usado há dias.

Majorie sentou-se no balcão, com as pernas levemente abertas. E os olhos de Tom vagaram pela pele descoberta, reparando em todo detalhe das coxas sublimes, que pareciam implorar pelo garoto; implorar  para serem tocadas.

A bailarina enfim pôs os planos malignos do herdeiro em prática e ergueu o seu dedo indicador devagar, chamando-o como se lançasse um feitiço de hipnose, o qual Tom jamais conseguiria  suportar. Só que nada pôde ser comparado ao sorriso quase perverso que ela moldou, totalmente focado nele, clamando por ele.

    Tom caminhou à bailarina a passos lentos, admirando cada traço facial perfeito da mulher, embebido de desejo por possuí-la até o último fio de cabelo. Ele não conseguia acreditar no quão maravilhosa Marjorie era. Seus cabelos loiros brilhavam mesmo sob a fraca da luz da lua, suas maçãs do rosto avermelhadas e perfeitas,  seus olhos tão intensos, que ele sentia ser capaz de mergulhar dentro deles, louco para ficar ainda mais imerso no paraíso que somente Marjorie Montgomery era capaz de proporcionar

Enfim ele a alcançou, sentiu o perfume cítrico divino, as palmas quase coçarem por ainda não estarem passeando pela bailarina, por não a tocarem.  Então, o rapaz colocou uma de suas mãos trêmulas de aflição sobre a coxa maravilhosa, aos poucos vendo seus tecidos se unirem, seus corpos se encontrarem. Sua respiração saía em lufadas de ar quente, com os dedos já a acariciando com precisão. Mas ainda não era suficiente. Precisava tocá-la por inteiro, precisava senti-la através daquele tule insuportável. Arrastou a saia infernal vagarosamente, como se desembrulhasse um presente caro, enchendo a bailarina de ansiedade. Seus dedos por fim encostaram na lisura deliciosa, as nádegas que ele não cansava de apertar, de espremer, com a ânsia escapando por cada grunhido, cada mínimo toque que fazia Marjorie sentir.

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