LUNA

Finalmente recebi alta do que pareceu uma vida inteira. Ainda é de manhã e visto a troca de roupa que mamãe me trouxe. Sim, minha família inteira ainda está no hospital, mesmo eu dizendo para irem embora. Todos passaram a noite aqui, inclusive Noah.

Mais uma vez as palavras dele me emocionaram e encheram meu peito de esperança. No calor da emoção, Noah acabou dizendo que me ama e eu fiz o mesmo. O estranho é que nenhum de nós dois pareceu se arrepender. Muito pelo contrário...
Teve um momento no meio da noite em que acordei, devido ao incômodo no braço esquerdo, que estava ligado ao soro.

Despertei meio desnorteada e olhei para o lado. Noah dormia desajeitadamente, encolhido como uma criança numa poltrona dez vezes menor do que o seu corpo exigia. Ele usava uma camiseta e parecia com frio, então levantei com certa dificuldade e pedi uma manta à enfermeira. Noah dormia tão pesado que nem mexeu quando o cobri. Noah é assim: se preocupa tanto com os outros, mas esquece de si mesmo. Esse foi um dos milhares motivos que fizeram com que eu me apaixonasse por ele.

Seu coração é grande e faz coisas sem esperar nada em troca. Por isso, logo que o sol apareceu, eu obriguei Noah a ir pra casa e descansar. Ele ficou bravo comigo e disse que não iria me deixar aqui, mas o convenci depois de quase uma hora. Antes de ir, o teimoso me fez prometer que ligaria caso algo acontecesse. Como não amar um ser desse?

-Pronta, minha filha? -papai aparece justamente quando termino de me trocar.
-Sim, papai -sorrio. -Podemos ir?
-Claro, minha filha. Quando você quiser -ele dá espaço para eu passar e saio do maldito quarto branco.
-Agora, então -bufo. -Não aguento mais esse cheiro irritante de limpeza.

-Reclamando a essa hora do dia, princesa? -Heitor aparece com Lorenzo. Ambos carregam copos de café.
-Olha que fala - Lorenzo solta sua típica risada irônica. -Passou a noite inteira choramingando por causa de dor nas costas! -eu e papai seguramos a risada.
-Não é fácil dormir nessas cadeiras de hospital, tá? -o loiro rebate, com a cara emburrada.
-Para de drama, cacete! Você é o delegado mais bunda mole que eu já vi!

-Segura esse café aqui -Heitor estende o copo a mim e finge querer bater em Lorenzo, que revira os olhos. -Me respeita, rapaz!
-Se respeite primeiramente, irmão- começou a palhaçada.
-Chega os dois! -mamãe aparece salvando a pátria. -Vamos, filha? Acabei de assinar a papelada que faltava.

-Vamos, sim -concordo. -Mas cadê Micaela?
-Ela foi embora bem cedo -informa Lorenzo. -Caio ficou com a mãe dela, mas começou a chorar de manhã, logo quando acordou. Minha sogra ligou e Micaela foi buscá-lo.
-Você também podia ter ido, maninho. Eu disse que ia ficar bem, não disse? -ele passa o braço por meus ombros.

-Quantas vezes preciso dizer que você é minha princesa e que nunca vou me cansar de cuidar de você?- Lorenzo consegue ser um verdadeiro amor quando quer.
-Obrigada, irmão. Te amo, sabia? -ele pisca e abre um sorriso safado e já imagino sua resposta.

-Eu também passei a noite inteira aqui, tá? -Heitor começa seu drama. -Tive que aguentar a mão boba de Lorenzo enquanto ele dormia. Coitada de Micaela, que dorme todos os dias com você, hein? -faz uma careta, mas sorri sapeca logo depois. -Apesar que com um corpo daquele do meu lado, acho que faria a mesma coisa!
-Cala a porra da boca, cacete! -troveja Lorenzo, como era de se esperar. -Ainda bem que a gente já tá aqui no hospital e te socorreriam bem rápido quando eu te metesse a porrada, seu bastardo!

-Ui, não fala grosso assim que eu gamo! -debocha Heitor e gargalhamos. Lorenzo apenas balança a cabeça, ainda com a cara fechada.
-Vamos embora logo, pelo amor de Deus? Preciso tomar um banho e tirar esse cheiro de hospital de mim- todos concordam e seguimos para a casa de nossos pais. Subi para meu antigo quarto e tomei meu tão sonhado banho quente.

A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!