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Tema: Uma história com um jardineiro

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Tema: conto com um personagem jardineiro

Tem gente que acharia chique.

Exótico.

Quase... encantador.

As pessoas têm visões muito, muito erradas do que é uma pós-graduação em psicologia. Imaginam você, um Freud, sentado em seu divã (o que é mentira, pois o Freud não sentava no divã, mas atrás dele), analisando o que for preciso para saber o que existe atrás do comportamento estudado. Seja ele qual for.

Mesmo sendo ele o comportamento... de formigas.

"Mas formigas? E psicólogos estudam formigas???? OO"

Prazer, sou uma psicóloga que estuda saúvas. Posso provar, tem isso no meu Lattes. Mas isso não vem ao caso, até porque você não precisa ser psicólogo para fazer pós-graduação em psicologia. Psicologia, antes de mais nada, é a ciência que estuda o comportamento. Formigas se comportam. Se você for, digamos, um, sei lá... biólogo querendo estudar comportamento, qual o problema? Tenho algumas amigas que se encaixam exatamente nesse perfil.

A história de hoje é sobre duas delas. Vou chamá-las de J e G. A J estuda Pachycondyla striata que são formigas que você talvez (provavelmente) tem no seu jardim. Elas comem insetos mortos, como grilos. E adoram maçã com mel ou um atum básico. A J estuda alguns aspectos do forrageamento delas. Não sabe o que é forrageamento? Procura no tio googl... tá, eu explico. É o ato de procurar comida. E ela quer entender melhor como elas fazem isso. Para isso ela, com a ajuda da G, coloca um pouco da maçã com mel ou do atum para elas pegarem e ficam seguindo a formiguinha por um tempãããããããoooo, vendo o que ela faz, essas coisas.

(Pode dizer, você está morrendo de inveja dessa tarefa suuuuupeeeeeer divertida de olhar formigas andando por aí.... quer que eu te cutuque pra acordar?)

Mas existe um "plus a mais"! Elas pegam essas iscas e colocam NO JARDIM DA UNIVERSIDADE! Siiiiiiiiiiiiiiiim, porque é preciso ser divertido. Você certamente acha divertido ficar horas debaixo do sol quente, torcendo para não chover, torcendo para que as formigas façam o que você quer para assim ter dados para anotar.

(Spoiler: não é tããão interessante assim, mas isso não vem ao caso no momento. Mas, se você quiser formigas caçando comida, não se preocupe, há outros meios menos complicados. Minha amiga L faz tudo isso no conforto do laboratório, com câmeras filmando e tal. Ainda tem a parte chata de esperar as formigas fazerem o que você quer – o que elas adoram NÃO FAZER – mas no final dá certo, em geral....)

G já está no laboratório fazendo as iscas, enquanto J está no jardim, procurando as primeiras vítimas.

"Caramba, a maçã inteira pesa 20g, daí cortada pesa 18, eu não entendo..."

Eu também não, cara amiga bióloga. Sou psicóloga lembra? E não nos apeguemos a isso, você tem trabalho a fazer. Vai, vai...

"Onde coloco a isca?"

"Não sei, não estou vendo as formigas."

"Será que não tem nenhuma aqui?"

"Deve ter, mas olha a altura dessa grama??"

O mundo seria fácil se estivessem no laboratório, sem gramas para atrapalhar. Ou no jardim da sua casa, onde o responsável por contar a grama é a pessoa de você mesmo. Não é o caso da universidade. E quem é o responsável por fazer isso na universidade? Por vias normais elas consultariam o alfabeto inteiro antes de chegar nessa informação, mas tinham acesso a uma pessoa que conhece uma pessoa que sabia que S é o responsável por isso. Ou melhor: por contratar a pessoa responsável por isso.

"Contratamos de 3 em 3 meses."

"E quando foi a última vez que vocês contrataram?"

"1 mês atrás."

"Mas a grama está muito alta!"

"Mês de março chove."

"E... se a gente cortar a grama da área que vai usar, você autoriza?"

"Pode cortar do jardim todo, se quiser."

E foi assim que J e G se tornaram biólogas jardineiras. Tesoura de poda com uma, rastelinho com outra, corta aqui, rastela ali. Não ficou uma lindeza de bem cortado, mas o trabalho ganha prêmio de louvor pela iniciativa – eu já disse que no laboratório seria mais fácil? Eu, no lugar delas, já teria ido fazer companhia para L!

Mas elas não foram. E cortaram a grama – círculos razoavelmente bem desenhados de 4 m de raio. Dignos de darem inveja aos alienígenas que fazem desenhos em plantações.

"Agora dá pra ver as formigas!"

"Coloque a isca!"

E as formigas adoraram! Adoraram trolar as nossas jardineiras. Ignoraram sumariamente a maçã adorada, o mel das abelhinhas (medo da concorrência?) e o atum.

"Mentira! Uma delas pegou a maçã!"

E o que fez com ela?

"Levou para além do círculo de grama cortada e não consegui mais ver...."

Afinal a pó-graduação é chique. Exótica. Quase encantadora.

Só que não.

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