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Mensagens Instantâneas de Diogo Vieira


Dan: mas que saco, Di, dá para deixar essa droga de celular ligado? Não se esqueça do nosso jantar hoje, hein? Amo você!

Júlia: Diogo, sou eu de novo. Encontrei outra das suas camisetas no meio das minhas roupas. Já sabe quando é que você vem pegar? Faço um jantar, tomamos um vinho e comemoramos o seu retorno. Saudades.

Ká: oi, Di! E aí, quando é a sua volta para casa? Sei que conversamos ainda ontem, mas nem tudo pode ser falado por telefone, você sabe. Sinto a sua falta. Vem logo!

Bri: amor, desde a sua partida, a lista de problemas aqui em casa só aumenta. Acredita que agora o micro-ondas enlouqueceu de vez? É sério! E o pior foi eu não ter salvado o número do técnico. Resultado: quebrei a cabeça para lembrar a senha da sua agenda, já que não atende minhas ligações. Mas e então? Quais as chances de você resolver ficar por aí e me avisar que já posso fazer as malas? Estou louca para ver as praias do Sul! *-* Beijo na boca!


Diogo largou o smartphone sobre a ilha da cozinha sem responder a nenhuma daquelas mensagens e esfregou o rosto com as mãos, sentindo a barba de dois dias a lhe arranhar as palmas.

A última coisa que precisava no momento era de um monte de mulher atrás dele no estado em que se encontrava. Ainda mais depois de levar uma manhã inteira e boa parte da tarde tentando inutilmente corrigir a droga de um bug no Áries, o sistema de faturamento da empresa do seu cunhado.

Não que se tratasse de algo complexo. A verdade era que até já sabia qual o trecho de código estava lhe ferrando a vida, mas o simples fato de não ter dormido nem comido direito nas últimas noites cobrava o seu preço agora, o que significava concentração zero e uma puta dor no estômago.

Sim, ele deveria ser condecorado por cuidar tão bem de si mesmo.

Claro que já havia feito coisa pior. Na época em que trabalhava em São Paulo, por exemplo, principalmente na software house Gerar, tinha vezes em que a carga de trabalho não conseguia ser menor que dez horas por dia, de tantos prazos apertados e pouca mão de obra. Então, era comum para ele passar semanas sobrevivendo quase exclusivamente de café e dormindo pouco, mesmo quando usava o computador de casa e se conectava remotamente.

O que não quer dizer que eu tenha de continuar a fazer isso aqui em Querência, ainda mais sendo patrão de mim mesmo, censurou-se.

Com um resmungo, Diogo se virou para a geladeira em busca das frutas picadas que comprara no supermercado no dia anterior.

Já não aguentava mais ver mamão na sua frente, mas esta era uma das poucas coisas que Karine lhe obrigava a comer e que ele sabia que faria o seu estômago se acalmar, ainda mais depois da última xícara de café puro que não deveria ter tomado.

Pegou um garfo e puxou uma cadeira, sentando-se e espetando o primeiro pedaço da fruta antes de olhar pela janela sobre a pia, com vista para o mar.

E foi aí que percebeu que continuava enfurnado dentro de uma casa toda fechada e usando a luz elétrica para se guiar.

Às cinco e meia da tarde.

Foda. Por que ele continuava fazendo isso consigo mesmo?

Segurando o pote de mamão e se obrigando a engolir um pedaço daquele troço doce e... mole, Diogo se levantou. Em seguida, foi até a janela, abrindo-a e sendo imediatamente recebido pelo sol do entardecer acompanhado do cheiro de maresia.

[REPOSTAGEM] Amores, Amores, Compromissos à ParteLeia esta história GRATUITAMENTE!