Capítulo 10: Por eles

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Os olhos de Érico mantiveram-se fechados por alguns segundos, mas ele não sentiu a dor esperada. Arriscou abrir uma das pálpebras, e encarou a fera, como se estivesse congelada sobre ele. A espada da criatura quase tocava seu crânio, mas era interceptada por uma Holoarma. Camilo o salvou da morte iminente.

— Para com isso... Alopex! – Disse Camilo, com os dentes cerrados e o braço forte mantendo a Holoarma entre a lâmina do animal e a cabeça de Érico. Os olhos da besta de repente mudaram, de furiosos para espantados. Com um salto leve como pruma, a criatura afastou-se da dupla e esgueirou-se.

— Alopex? Você conhece essa coisa? – perguntou Érico, ainda recuperando o fôlego.

— Sugiro que fique quieto. Isso se quer manter a cabeça sobre o pescoço – Camilo respondeu, sem tirar os olhos do Ánima.

— Ele tá com homem caveira? – a criatura falou, e Érico torceu o nariz, pego de surpresa por mais aquela novidade: a criatura selvagem falava com uma voz feminina. Alopex era fêmea.

Alguns momentos depois, Érico observou a criatura pelo canto dos olhos, ainda desconfiado de que ela saltaria para tentar arrancar sua cabeça novamente.

— O nanico mexe no que não devia – a voz rouca da canina humanoide era mansa após Camilo explicar o mal entendido.

— Passou, Alopex. Passou. O nanico curioso não vai fuçar no que não deve – Camilo olhou torto para Érico, que retribuiu com um fungar de nariz desafiante.

Camilo explicou brevemente que Alopex era a guardiã daquele laboratório, e estava ali para certificar-se de que bandidos não entrariam para roubar os experimentos de seus antigos companheiros. Passada a confusão, Érico notou certa timidez nos gestos de Alopex. A criatura que o atacou anteriormente não passava de um animal acuado agindo por instinto.

— Me desculpa pela intromissão, viu Alopex – disse Érico.

A canina rosnou e seus olhos faiscaram. Érico afastou um passo.

— O que veio fazer aqui? – a voz de Camilo retumbou, calma e cortante como de costume. Érico deu de ombros com um sorriso.

— Me disseram que sou o "nanico curioso". Então vim matar minha curiosidade. De quem era esse laboratório, afinal? – ele perguntou, observando os arquivos dispostos nas prateleiras. Pegou um deles e começou a folhear as páginas. — Tem pesquisas sobre assuntos de todo o Universo aqui. Quem quer que tenha feito esse acervo devia viajar o Universo todinho.

— Majoris fazia essas pesquisas. Há cinco mil anos atrás. Antes de sua queda – Camilo avançou até ele e retirou os papéis de suas mãos com rispidez. — Eles se achavam donos do Universo. Construíram vários lugares para catalogar seus domínios.

— Então esse lugar era deles?

— Esse lugar tem cinco mil anos? – disse Camilo. — Não. Isso é um laboratório de pesquisas. Vários cientistas juntaram muito do que os Majoris construíram. E colocaram em laboratórios como esse.

— Nossa, que demais! – Érico agarrou a pasta da mão do veterano com a mesma rispidez de anteriormente e voltou a folhear as páginas. — E como é que você conhecia esse lugar?

— Há muito nesse Universo que conheço. E que demoraria uma vida para explicar como – Camilo voltou os olhos para a Ánima. — Uma vez, me perdi no oceano gelado. E Alopex me ajudou a chegar aqui.

— Só achei que era um dos cientistas – justificou-se Alopex, coçando a orelha curta com uma das mãos grandes. Érico reparou que os tentáculos de metal haviam se recolhido para um compartimento de metal nas costas da Ánima. Um brilho iluminou o ID de Érico; havia um ícone de mensagem não lida na tela.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora