Capítulo 3.1

Começar do início

— Detetive Lang, pode falar! — disse uma voz rouca do outro lado da linha.

— Preciso de reforços agora para o depósito abandonado que fica ao lado do frigorífico Best Meat — disse de forma educada, mas autoritária. — Ramona e eu estamos indo para lá.

— Ok, estou enviando. — O detetive agradeceu e desligou o celular, entrando no carro seguido por Ramona.

Ainda era cedo, aproximadamente 10 horas da manhã, o que significava que antes do almoço o assassino estaria preso, e os detetives teriam cumprido mais uma de suas missões diárias. Outro caso resolvido por eles, apenas mais um de muitos que já haviam passado por suas mãos.

Vincent Hughes estacionou em frente a um imponente prédio, no qual funcionava o Instituto de Pesquisas e Testes de Fármacos e Medicamentos da Califórnia, para o qual o Hospital Bom Samaritano de Los Angeles realizava testes e pesquisas relacionadas a diferentes tipos de medicamentos. Os resultados eram entregues e analisados pelo instituto, com a finalidade de ter um respaldo final permitindo a continuidade ou orientando alterações que fossem necessárias no procedimento. Cabia a ele fazer essa intermediação, já que era responsável pelo departamento dentro do hospital.

Vincent passou pela recepção cumprimentando com um sorriso e um bom dia todos que encontrava. Ia em direção ao elevador, cujas portas estavam abertas graças a uma mulher elegante que a segurava, pois percebera a aproximação do biomédico.

— Obrigado, Ruby — disse sorrindo e apertando o botão do quinto andar.

— Por nada, meu querido — respondeu com um sorriso malicioso. Ruby trabalhava naquele prédio, mas Vincent não sabia ao certo o que ela fazia, pois nunca havia perguntado. Ela era de descendência asiática, uma japonesa de cabelos muito longos, lisos e escuros, era muito bonita, vestia-se elegantemente e exibia altivamente sua silhueta esbelta através dos vestidos colados que sempre usava.

— Vai ao escritório do Clayton?

— Vou sim, por quê? — perguntou Vincent, olhando-a curioso por seu interesse.

— Boa sorte com o mau-humor dele!

— Acho que já me acostumei a ele...

— Hoje o Clayton está impossível, parece que tem um funcionário faltoso que está deixando ele na mão! — Ruby o interrompeu e antes que ele respondesse, saiu do elevador, que parou no terceiro andar.

Chegando ao quinto andar, Vincent se dirigiu ao escritório do mal-humorado, Clayton Freeman.

— Ei, ocupado? — disse entreabrindo a porta. Vincent tinha essa intimidade com Clayton, há muito que simplesmente abria a porta sem ser anunciado ou mesmo convidado.

— Vince, entra cara — respondeu ele, se levantando da cadeira para cumprimentá-lo, apertando-lhe a mão e batendo nas suas costas de leve. — Ocupado estou, mas nada que eu não vá dar conta — disse rindo.

— Pelo jeito, bastante ocupado mesmo, hein! — disse olhando para a mesa completamente escondida por tantos papéis.

— Pois é, cara, meu assistente faltou praticamente a semana passada toda e hoje também. Por sorte minha, e dele também, não vai faltar amanhã. Cara, já perdi minha paciência!

— Alguma razão justificável para as faltas? — perguntou Vincent parecendo se preocupar.

— Para quem não quer trabalhar, tudo é motivo para faltar, essa é a realidade, meu amigo! — respondeu irritado. — A garotinha do papai engravidou e desde que descobriram isso, a vida desse homem parece ter virado nos avessos!

Vincent foi pego de surpresa com a resposta de Clayton.

— E qual o problema da moça engravidar? — indagou curioso.

— A boneca acabou de fazer dezoito, ia para faculdade no próximo semestre. O namorado é um moleque. Quando a garota contou para mãe que estava grávida de cinco meses, a mulher surtou e até deu-lhe uns tapas.

Vincent riu divertido.

— A mãe precisou até ser medicada, acredita? Desde quando ser vó é o fim do mundo? — ironizou Clayton. — A filha dela, com a consciência pesada ou sabe-se lá o quê passa na cabeça desses jovens de hoje, tentou abortar tomando um monte de comprimidos, isso há uns três ou quatro dias, quase morreu... ela quase morre lá e eu quase morro aqui! Está tudo atrasado, estou me matando para arcar com as obrigações do Jaime!

Clayton desabafava, ao mesmo tempo em que procurava nas gavetas os resultados que Vincent tinha ido buscar, achou, estava em um envelope branco e grande, com uma etiqueta adesiva em nome do Hospital Bom Samaritano de Los Angeles.

— Aqui estão os resultados, acho que você vai gostar, estão ótimos! — disse estendendo a mão.

— Obrigado, Clayton — agradeceu pegando o envelope. — Vou indo. Boa sorte aí com o Jaime... Jaime o que mesmo?

— Carter, Jaime Carter. Vou precisar mesmo, até mais.

Vincent saiu apressado, foi direto para o hospital, para apresentar os resultados para sua equipe e delegar tarefas. Não era necessário que ficasse lá, pois só teria que ler depois as conclusões e demais anotações dos integrantes de sua equipe, por isso, foi rapidamente para sua casa.

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