13- Montanha russa da vida

Começar do início

Forço meu cérebro a pensar.
-Ela não tem se alimentado direito nos últimos dias. Hoje mesmo ela quase desmaiou de manhã. Por favor, cuidem dela! -imploro aos enfermeiros, que passam pela entrada do hospital com Luna na maca.
-Faremos o possível, senhor.

Depois de passar minutos ainda na calçada e sem saber o que fazer, entro e faço a ficha de Luna. Coloco suas informações básicas e é nesse momento que me lembro de que preciso avisar a família dela. Puta merda, como me esqueci disso? Pego o celular e os únicos números que possuo da família são o de Lorenzo e Micaela. Resolvo ligar para ele.

-Alô -sua voz firme soa do outro lado da linha.
-Lorenzo, é Noah falando.
-Está tudo bem, Noah?
-Na verdade, não. Não sei como te falar isso, Lorenzo. Mas é que sua irmã...
-O QUE TEM ELA? O QUE ACONTECEU? -ele grita e nunca o vi tão preocupado.

-Luna teve uma crise e acabou desmaiando. Eu a trouxe ao hospital há poucos minutos e...
-Me diga o nome do hospital. Estou indo agora mesmo!

Depois de informar o hospital, Lorenzo desligou imediatamente.
Me sento na recepção, me sentindo o maior cretino da face da terra. Como eu não descobri a doença de Luna antes? Tudo bem que ela nunca me contou nada, mas eu deveria ter descoberto algo. No último mês ela não saiu de meu apartamento e passou todas as noites comigo. Eu a vejo todos os dias. Meu Deus, como sou estúpido! Ela já estava desabilitada. Será que nossa discussão desencadeou a maldita crise?

Deus, que fique tudo bem com ela.
Luna parecia tão pálida, sem vida.
Nem parecia aquela mulher teimosa, que adora me tirar do sério. Se alguma coisa acontecer com ela, nunca irei me perdoar.
-Noah! -escuto alguém me chamando e vejo que é Lorenzo chegando, ao lado de sua esposa.

-Como minha irmã está? -é a primeira coisa que pergunta.
-Não deram notícias ainda -digo frustrado.
-Como não? Isso é um absurdo! -Lorenzo se altera e Micaela toca em seu ombro. Isso faz com que ele respire fundo. -Como aconteceu?
-Estávamos no meu apartamento conversando. Eu estava bravo com ela, por causa da maldita dieta que ela vem fazendo.

-É por isso que Luna estava tão estranha na festa de Caio? -é Micaela quem pergunta. -Ela estava pálida demais, mas não quis tocar no assunto.
-Sim -concordo. -Fazem dias que ela não se alimenta direito e não sai daquela academia. Eu sempre pego no pé dela, mas vocês sabem como Luna é teimosa.
-Vou ter uma conversa bem séria com ela quando sair desse maldito hospital!

-Calma, meu amor. Se acalme, sua irmã precisa de todo nosso apoio agora. Apenas vamos torcer para que fique tudo bem -Micaela diz calma, como sempre.
-Você está certa, meu amor -Lorenzo então dirige seu olhar a mim. -Vocês estão juntos, não estão?

Não sei o que responder. Luna não queria que a família soubesse por enquanto, mas não dá mais para esconder. Principalmente agora, que eu quem a trouxe para cá e estava com ela quando tudo aconteceu.

-Sim -confirmo. -Desculpe só dizer agora, mas Luna não queria que...
-Está tudo bem, Noah -ele me corta, me surpreendendo com suas palavras. -Eu não sou idiota, cara. Percebi há muito tempo o que rolava entre vocês. Só quero dizer que você é um cara legal e que vocês têm meu total apoio -ele olha para a esposa, que sorri orgulhosa para ele.
-Obrigado, Lorenzo. Isso significa muito para nós -respondo sincero.- Minha nossa! E o restante de sua família? Eles já sabem do que aconteceu?

-Não se preocupe. Eu liguei para todos e avisei. Meus pais já estão a caminho. Assim como Heitor -ele mal termina de falar e Heitor aparece, correndo em nossa direção.
-O que aconteceu? Cadê minha irmã? Ela está bem? -ele veste uma camisa mal abotoada e o cabelo está um pouco desgrenhado. Sua respiração é irregular, mostrando todo seu nervosismo e pressa com que saiu de casa.

-Se acalme. Nossa irmã já está sendo atendida, Heitor. Vai ficar tudo bem.
-Lorenzo está certo. Tente se acalmar -ele olha pra mim como se estivesse olhando para um inimigo.
-Meu irmão me disse que você trouxe Luna ao hospital. Vocês estavam juntos quando aconteceu?- a pergunta vem de forma rude e cuspida com repulsa.

-Sim, estávamos no meu apartamento -ele estreita o olhar e me pega pela camisa.
-O que ela estava fazendo no seu apartamento, seu desgraçado? RESPONDA!
-Pare com isso, Heitor. Não é lugar e nem hora. Olhe em volta, irmão- Lorenzo segura o irmão mais novo, que parece hesitar.

-Tudo bem, mas essa conversa não termina aqui. Ouviu bem? -ergue o dedo a mim.
-Perfeitamente -está mesmo na hora de conversarmos como adultos e não animais.
-Familiares de Luna Schneider -um médico finalmente aparece.
-Somos nós -respondemos todos ao mesmo tempo.
-Como ela está? -pergunto aflito.

-Luna chegou aqui desidratada e um pouco desnutrida também. O desgaste físico, somado à crise, resultou no desmaio. O corpo de Luna não aguentou e acabou cedendo. No momento ela está no soro e já recebeu a medicação necessária. A manteremos aqui essa noite por precaução, mas se tudo correr bem, amanhã terá alta.
-Então ela está bem? -indaga Micaela.
-Sim. Luna só precisa repousar e se alimentar corretamente -suspiro aliviado e seus irmãos assentem.

-Podemos vê-la? -pergunto?
-Apenas familiares -responde o doutor. -Você é o que dela?
-Namorado -é a primeira vez que uso essa palavra e ela parece estranha em meus lábios. Mas não vou mentir, gostei de dizê-la. O médico assente e Heitor me olha furioso. -Mas podem ir primeiro.
-Tudo bem, Noah. Vamos esperar nossos pais. Pode ir.
-Tem certeza, Lorenzo?
-Tenho, Noah.

-Obrigado -meu coração acelera, pois finalmente irei ver minha loirinha. Saio praticamente correndo pelos corredores, seguindo o médico que me leva até o quarto dela.
-Lembre-se que a paciente necessita de descanso. Qualquer coisa, chame alguma enfermeira.
-Obrigado, doutor -ele vai embora e abro a porta devagar.

Meu coração dói ao ver Luna deitada na cama, ligada à vários fios. Um deles é longo, está conectado ao seu braço fino e a uma bolsa de soro. Seu rosto agora está mais abatido do que antes, mas um pouco mais corado. Luna olhava para um canto, mas se vira pra mim.
-Oi -mal escuto sua voz.
-Oi, minha loirinha -puxo uma cadeira e coloco ao seu lado.

-Minha família está aí, não está?
-Sim, Micaela e seus irmãos estão lá fora. Seus pais estão a caminho- ela assente.
-Estão muito bravos comigo?
-Não, minha linda. Estão todos preocupados com a sua saúde, mas não bravos -ela dá um leve sorriso de lado. -Por que não me contou da sua doença, Luna?

Ela fica séria e desvia o olhar. Como desconfiava, o assunto realmente a incomoda bastante.

-Quando você conta a alguém que possui alguma doença, essa pessoa passa a olhar estranho pra você. Pode variar entre repulsa, surpresa ou pena. E eu não queria que você me olhasse diferente, Noah -seus olhos lacrimejam. -Todos pensam que sou poderosa, linda, perfeita, mas na verdade não consigo nem respirar direito -agora ela chora como uma criança. -Passei minha infância inteira sendo privada de tudo o que crianças normais fazem. Minha doença é um pouco mais grave do que a asma e não possui cura, então meus pais me criaram como se eu fosse de cristal e meus irmãos se tornaram super protetores. Eu cresci e apenas quis ser independente, Noah. Me desculpe por não te contar.

Suas palavras e seu choro me pegam de surpresa, então me levanto e a abraço fortemente. Me assusta ver Luna tão vulnerável, pois sempre é tão forte e cheia de personalidade.

-Não precisa se desculpar, loirinha. Eu te entendo completamente agora. Olhe pra mim -ela me obedece. -Eu nunca te olharia com outros olhos, minha linda. Você sempre foi e sempre será única e maravilhosa pra mim. E daí que você precisa de uma bombinha de vez em quando? A culpa não é sua e você não deve se culpar por isso. Você continua sendo incrivelmente perfeita para mim -as lágrimas voltam a cair em seu rosto. -Agora pare de chorar. Odeio te ver assim.

Ela se aconchega mais em meus braços e sinto um lado protetor que não sentia antes. Agora vejo algo que não queria enxergar e de repente digo pela primeira vez:
-Eu te amo, Luna -ela congela e seus soluços param. Ela me olha surpresa e abre um largo sorriso ao responder:
-Eu também te amo, Noah.

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E eu amo esses dois 😭😭😍❤️😫
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A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!