NOAH

Com Luna na sala, sigo em direção ao banheiro. Preciso jogar uma água na cara e tentar me acalmar um pouco. Depois de molhar o rosto, encaro o espelho, me lembrando do que aconteceu hoje na festa. Balanço a cabeça, ficando ainda mais puto com a teimosia de Luna.
-Você nunca mais vai fazer isso, Luna. Ouviu bem? -pergunto entre dentes. Não escuto uma resposta.- Agora você resolve ficar quieta?

Ainda alterado, saio do banheiro apagando as luzes e escuto um barulho estranho. Que merda é essa? Não conseguindo distinguir o som, percorro o pequeno corredor e me desespero ao encontrar Luna no chão. Ela parece sufocada e seu rosto ganha um tom avermelhado.

-LUNA! O QUE FOI? -me agacho ao seu lado e tento ajudar, mas isso é difícil quando não se sabe o que está acontecendo. Ela se agita e tosse de um jeito que nunca vi antes, me apavorando ainda mais.-FALA COMIGO, LOIRINHA! O QUE VOCÊ TEM?

Ela parece querer falar, mas não consegue. Luna puxa o ar, que parece não vir. Meu deus, o que eu faço? Estava levantando pra pegar o celular e chamar uma ambulância, quando ela aponta para a bolsa em cima do sofá.
-Sua bolsa? -pra que ela quer a maldita bolsa? Luna assente com a cabeça com dificuldade e corro desesperado para o sofá. Assim que pego, jogo tudo que está ali dentro no chão e encontro algo parecido com uma bombinha de asma, mas um pouco diferente.

Luna tem asma? Por que ela nunca me contou? Mesmo com as mãos geladas e tremendo, sei o que tenho que fazer. Tenho um primo que sofre disso desde pequeno e já até presenciei uma crise dele, mas nunca vi algo tão forte como o que Luna parece ter. Agito o pequeno objeto e o coloco em sua boca, tentando fazer com que ela inale o conteúdo.

-Vamos, loirinha, respire -digo mais a mim mesmo. Ela suga o ar da bombinha, mas continua não conseguindo respirar. -De novo. Tente de novo! -ela repete o processo e justo quando já estava ficando meio roxa, finalmente consegue oxigênio. Deixo a bombinha no chão e a ajudo se sentar. Ela se apoia em mim, se segurando com força e exalando fortemente ainda. -Meu Deus, consegue se levantar?

-A...Acho que sim -sua voz está alarmantemente baixa e sua testa brilha de suor. Ela segura em meu braço, procurando apoio.
-Quase me matou de susto, loirinha- a abraço, ainda com o coração acelerado e assustado como o inferno.
-Des...Desculpe -responde com a boca em meu pescoço.
-Tudo bem -de repente sinto seu corpo mole e pareço abraçar uma boneca de pano. -Luna! -a chacoalho e o desespero volta quando percebo que desmaiou.

Não penso duas vezes e a pego no colo, pegando apenas a chave do carro. Saio tão louco que esqueço de fechar a porta do apartamento, mas que se dane.
-VAMOS, MERDA! -perco a conta de quantas vezes aperto o botão do elevador. Não tenho tempo, então vou pelas escadas mesmo. São dezenas e mais dezenas de degraus até o térreo, mas não ligo. O medo e a adrenalina tomam conta de meu organismo agora e Luna parece não pesar nada.

Desço as escadas numa velocidade insana e com o coração na boca. Finalmente chego ao estacionamento do prédio e coloco Luna deitada no banco de trás do carro.
-Vai ficar tudo bem, minha linda -olho para o banco traseiro, onde ela permanece inconsciente. -Prometo que vai ficar tudo bem.

Não sei se foi sorte ou Deus ajudando, mas chego ao hospital apenas dez minutos depois. Aperto a buzina do carro com um louco, chamando a atenção de enfermeiros, que aparecem já trazendo uma maca.
-O que aconteceu com a moça? -pergunta uma enfermeira, abrindo a porta do carro.

-Não sei muito bem -digo exasperado, com as mãos na cabeça. -Acredito que ela teve uma crise de asma e depois desmaiou nos meus braços.
-Oxigenação baixa. Precisamos entrar com a paciente agora -diz outro cara. -Mais alguma coisa que precisamos saber?

A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!