u m

6K 591 199

Correio de voz de Anya Albuquerque


Boa tarde, aqui é a Pâmela. Gostaria de falar com a Anya ou Anyá, não sei. Encontrei esse número na agenda do Daniel, o MEU namorado. Por favor, retorne assim que ouvir minha mensagem.

Oi, florzinha! Seu irmão disse que eu deveria falar com você para trocar uma ideia. Seu nome é Anya, certo? Sou a Cristiane. Se puder me ligar de volta... Obrigada!

Anya, quem fala é a Vanessa. O seu irmão está por aí? Não sei o que faço, ele não me retorna desde quarta-feira passada... Pode avisá-lo para me ligar?

Olá, querida, sou a Suzana. O seu irmão pediu que eu perguntasse se ele ainda terá de levá-la para Florianópolis ou se está liberado no final de semana... Sinceramente? Desconfio que o Daniel esteja arranjando desculpas para não conhecer os meus pais. Você não acha o mesmo?

Atenda esta merda de ligação, sua filha da mãe acobertadora de safados! Quero que você e a corja da sua família, incluindo o filho da puta do Daniel, ardam no inferno, ouviu?! Aqui quem fala é a Bruna, uma das muitas do seu irmão cafajeste.


Quando Anya desligou o smartphone e o enfiou dentro da bolsa sem retornar a ligação de nenhuma daquelas mulheres adoráveis, tratou de guardar junto com ele aquela parte da sua vida.

Por livre e espancada vontade.

Não que quisesse responder a qualquer recado. O problema era a luta interna que sempre travava consigo mesma para conseguir manter todas as partes da sua vida em separado assim como fazia com seus sapatos.

Luta interna?, ironizou enquanto tirava o cinto de segurança e apoiava a testa no volante. Era mais certo chamar tal tarefa de número de acrobacias nível hard, corrida de obstáculos, batalha pela sobrevivência...

Não, não dava para comparar a facilidade e o prazer de guardar os seus bebês de salto alto com o trabalhão de enfiar essas "partes de vida" dentro de compartimentos. Isso porque, metaforicamente falando, manter sua família, seus romances ocasionais, seu trabalho e seus amigos, cada um em uma caixa, era fácil. O problema consistia em trancafiar suas inúmeras cunhadas em uma outra e mantê-la a uma distância segura das demais.

De repente, Anya começou a rir sozinha, porque jamais poderia enfiar aquela mulherada toda numa única caixinha e esperar que não se esganassem em poucos segundos.

Elas precisariam ficar em um closet enorme, isso sim. E sobre o batente da porta, teria de ser colocada uma placa em neon com os dizeres: PERIGO! NÃO SE APROXIME!

Aí poderia ser que Anya conseguisse manter várias caixinhas transparentes super-resistentes dentro dele, nas quais enfiaria mulheres e mais mulheres seladas como se fossem barbies.

Aliás, ao invés de ordená-las por cor e modelo, igual seus sapatos, teria de classificá-las por nível de simpatia, tendências homicidas e grau de loucura.

Sim, agora que pensava a respeito, admitia que aquela ideia possuía certo atrativo. Entretanto, como nem tudo o que se queria era possível de obter, contentava-se com sua imaginação e "manobrava" sua vida como vinha fazendo há tantos anos.

O que incluía manter as loucas cunhadas que encontrava a qualquer dia, hora e local inimagináveis bem longe de todas as demais "caixas" ao seu redor.

Em outras palavras, teria de continuar dando um jeito.

E sorte que era mestre nisso, até porque já tinha se resignado com os ossos do ofício que o cargo Irmã De Daniel Albuquerque exigia.

[REPOSTAGEM] Amores, Amores, Compromissos à ParteWhere stories live. Discover now