LUNA

Esperava qualquer reação de Noah, menos receber a chave de seu apartamento. Pensei que ele fosse negar ter namorado com Catarina, assim como um canalha faria. Errei completamente. Errei por que Noah não é um canalha, mas sim o cara por quem estou me apaixonando.

A cada gesto, cada dia que passa, fico mais de quatro por aquele homem. Ah, mas não se esgane! Estou sim me apaixonando, mas não sou idiota. Não é por que estou de quatro por ele, que vou esquecer minhas vontades e deixá-lo me dominar, mandar em mim. Isso nunca! Poderia estar casada com o Henry Cavill (que é meu crush da vida, motivo de ódio mortal de Heitor e Lorenzo) e mesmo assim não permitiria ele me domar!

Papai me educou, mas mamãe me ensinou a ser uma mulher de verdade. Desde que existo, vejo meus pais apaixonados, respeitando um ao outro. O amor entre eles é visível e é assim até hoje, mesmo depois de mais de trinta anos de casamento. Quando era menor, minha história preferida era a de como eles se conheceram e se apaixonaram.

Fazia mamãe contá-la para mim todas as noites, minutos antes de dormir. Dona Clara suspirava, como se já estivesse cansada de repetir aquilo, mas sorria, demonstrando que também gostava de contar seu "conto de fadas verdadeiro".

Ela tinha apenas dezenove anos quando conheceu meu pai. Fazia letras e acabou se apaixonando pelo garoto popular que cursava direito.

Papai era um verdadeiro mulherengo e nem sequer notou mamãe no começo. Ela criou uma verdadeira paixão platônica por ele e quase desmaiava quando eles se esbarravam pelo corredor. Minha mãe sonhava acordada o sonho de ficar com ele, mas recebia um banho de água fria todos os dias, pois ele chegava cada dia com uma menina diferente.

Passaram-se seis meses e chegou uma hora que mamãe não aguentava mais se torturar por aquele garoto de cabelos negros e olhos extremamente azuis. Antes de sair de casa, ela jurava a si mesma que iria esquecê-lo para sempre, pois sabia que ele não servia para ela. Mamãe já tivera seu coração partido uma vez, anos antes, e definitivamente não queria passar por aquilo de novo. Essa promessa pessoal durava até ela ver papai sorrindo com seus amigos ou apenas passando a mão por seus cabelos.

Ela me diz que ele sempre teve cabelos de fazer inveja em qualquer outro homem e isso é verdade. Hoje, senhor Pedro Henrique está na casa do cinquentão e continua extremamente sexy com os cabelos ainda cheios e um pouco grisalhos.

Um dia, mamãe finalmente desencanou daquela situação ridícula e, por ironia do destino, foi passado um trabalho por um dos professores de papai. O trabalho era se juntar a um estudante de outro curso e ambos teriam que relacionar tópicos de sua matérias e blá blá blá. Esse detalhe não importa! O que realmente importa é que os professores escolheram as duplas e mamãe não acreditou quando soube que faria justamente com ele.

A euforia durou pouco, pois ela lembrou que ele não era homem para ela. Mamãe vem de uma família tradicional e foi ensinada assim. O trabalho era longo e durou pouco mais de um mês. Havia dias em que eles ficavam na biblioteca da faculdade, estudando até tarde da noite. Mamãe precisava esquecê-lo, então fazia sua parte do trabalho, mas fingia que papai não existia.

Ela me conta que ele tentava puxar assunto, mas que ela só respondia o que envolvia a atividade. Como todo garanhão, meu pai não aceitava ser desprezado e usou todas as suas táticas para conseguir aquela menina loira franzina, que o intrigava tanto.

Quando o trabalho finalmente foi apresentado, os dois receberam nota máxima e mamãe se despediu com um aperto de mão.

Ela agradeceu a participação de papai em sua nota e desejou boa sorte a ele. Ele esperava outra reação dela e ficou estático enquanto a via indo embora, sem nem ao menos um toque mais íntimo. Dona Clara não sabia, mas a partir daquele dia meu pai sentiu uma coisa a mais por ela. Depois de mais de trinta dias convivendo praticamente juntos, ele já havia se acostumado a presença dela e sentia sua falta.

Essa parte da história fui perguntar a meu pai, que teimou a me contar:

" Eu não queria admitir, mas sua mãe me fazia falta, filha. Eu era um garoto mimado e não entendia por que não poderia tê-la para mim se a desejava tanto. Passaram-se semanas e todo dia eu esperava por ela na porta de sua sala. Meu coração parecia que ia saltar pela boca quando a via, mas a danada passava reto por mim, sentando no seu lugar de costume. O gelo que ela me dava me irritava em níveis descomunais e um dia eu explodi. Gritei algumas coisas que não me lembro mais e beijei sua mãe, pegando-a totalmente de surpresa. Ela me deu um tapa na cara, mas aceitou sair comigo na semana seguinte.

A partir daí, forcei aquela teimosa a sair comigo mais algumas vezes e em um desses encontros, levei um anel simples comigo e a pedi em namoro. Fiz o pedido e pela sua cara, estava pronto para ouvir um não. Para meu total desespero, sua mãe começou a chorar. Eu estava de joelhos, mas levantei na hora. Sabia que ela era uma moça direita, então pedi desculpas se a ofendi. Ela balançou a cabeça e me abraçou. Senti suas lágrimas molhando minha camiseta e não estava entendendo nada. Ela viu minha confusão e abriu um sorriso.

Não acreditei quando ouvi o "eu aceito ser sua namorada" sair de seus lábios. Estávamos em público, mas não liguei e a beijei intensamente. Eu era o garoto mais feliz da face da terra e quem não gostasse poderia ir para o inferno naquele momento. Namoramos até o final da faculdade e, assim que nos formamos, eu a pedi em casamento. Mais uma vez ela demorou a responder, me deixando louco. No ano seguinte, nos casamos e eu abri a Schneider e Associados. Sua mãe deu aula por alguns anos em uma escola, mas depois veio trabalhar comigo.

Me apaixonei mais ainda por ela quando vi que levava jeito pra coisa e fiz com que ela continuasse naquele escritório, pois era a pessoa mais talentosa que já havia visto. No mesmo ano, fomos pegos de surpresa, pois sua mãe engravidou de seu irmão Lorenzo. Me senti o homem mais completo do universo. Bom, acho que a partir daí você já sabe, filha..."

O ponto que quero chegar é: será que eu e Noah estamos caminhando para o mesmo destino que meus pais? Sei que estou precipitando as coisas, mas sou a pessoa mais neurótica e ansiosa dessa face da terra! Você me entende???
Aqui estou eu, roendo as unhas de nervoso enquanto vejo Noah dormir tranquilo da vida. Meu Deus, a vida é tão injusta!

Por que nós mulheres temos que sofrer tanto, enquanto os homens dormem, como se nada estivesse acontecendo?

Já é madrugada, mas não consigo dormir. Vou até minha bolsa e pego meu IPad.

Vou até o aplicativo que baixei outro dia e procuro por um livro interessante.

Depois de alguns minutos lendo sinopses e mais sinopses, encontro um livro de romance, que se chama "O que é seu virá". É um livro curto e o termino apenas duas horas depois. A história é semelhante com o que eu e Noah estamos passando e fico feliz por ter conhecido um enredo tão inspirador. Conta a história verídica de um jovem casal que passou por milhões de tribulações em seu relacionamento, mas que acabam superando todos os problemas e hoje são extremamente felizes, ao lado de seus quatro filhos.

Mais uma vez vejo que nenhum relacionamento é perfeito e que o que tiver que acontecer, simplesmente irá acontecer. Não preciso me preocupar, só curtir o que estamos vivendo. Um passo de cada vez, Luna.

Agora com o sono batendo, me deito novamente ao lado de Noah, que me abraça ainda dormindo. Estico meu braço e pego meu celular. Vejo uma foto de meus pais de quando eram jovens. Tirei de um dos álbuns antigos que eles guardam com muito carinho. Mamãe me disse que a foto foi tirada num dos melhores momentos da vida dela.

Pouco tempo depois adormeço, pedindo a Deus silenciosamente que um dia eu viva o que eles viveram e ainda vivem

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Pouco tempo depois adormeço, pedindo a Deus silenciosamente que um dia eu viva o que eles viveram e ainda vivem.

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Espero que tenham gostado do capítulo e de conhecer um pouco mais sobre a história de Clara e Pedro Henrique, os pais dos nossos três bastardos preferidos 😂😂😂❤️💙💚
Beijão a todos e fiquem com Deus!💋

A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!