Capítulo 3

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Logo após o jantar na casa de Alice, segui até a casa que em breve, deixaria de ser minha. Ter que passar mais uma noite naquele lugar não é para mim a melhor das opções, mas por outro lado, aquela seria a última e isso era um grande alívio. No caminho, pensava em como tudo seria daqui para frente e embora tivesse um pouco de receio, estava ansioso para recomeçar minha vida, alçar novos voos.
Toquei a campainha inúmeras vezes, mas ninguém veio abrir a porta. Resolvi entrar, já que ainda tinha a cópia da chave. Ao adentrar na sala não vi ninguém, nem sinal do meu pai ou da Lana, aquilo era no mínimo esquisito.

— Tem alguém aqui? — digo, analisando todo o local rapidamente.
Nenhuma resposta. Comecei a analisar os cômodos da casa, a fim de saber se havia alguém, foi quando ouvi pequenos gemidos que vinham do banheiro, decidi segui-los por curiosidade. Eram da Lana. Ela estava sentada no chão do banheiro abraçando os joelhos, chorava baixinho, como se não quisesse ser ouvida.

— Lana, você tá bem? O que houve? — perguntei, oferecendo-lhe ajuda para que levantasse.
— Estou — disse, limpando rapidamente as lágrimas com a palma das mãos. — Veio pegar suas coisas?
— Sim, eu vim... Mas só vou embora amanhã. O que está fazendo aqui?
— Não foi nada, só estava um pouco triste — falou, levantando-se. — Mas já estou bem.
Foi nesse exato momento que vi um teste de gravidez em sua mão, tinha entendido tudo. Havia muito tempo que queria dar um filho ao marido, mas nunca conseguiu. Embora já tenha procurado médicos e feito tudo que podia, ela nunca realizou o sonho de ser mãe.
— De novo? – Suspirei. – Lana, não precisa chorar por isso, na hora certa virá.
— Eu sei... Mas eu queria muito dar um filho ao seu pai, queria me sentir útil para ele, entende? — Me olhou com os olhos inchados, cobertos de lágrimas. Pela primeira vez eu não a via não como uma mulher forte e inatingível e sim como uma menina assustada e perdida. — Quero tanto um filho e acho que nunca vou poder ter.
— Só não é a hora certa. Você já parou para pensar que o errado pode ser ele? Meu pai pode ter problemas de saúde também, já que você se cuida e faz tudo certinho.

— Eu não sei. Sinto que seu pai não me ama mais. Ele me deixa sozinha o dia inteiro, sinto muita falta dele e... — começou a chorar novamente. — eu o amo, Rick! Sinto que nossa família está se dissipando aos poucos e que eu não posso fazer nada para salvá-la! Você entende?
— Não chora, por favor — digo, apoiando minha mão em seu ombro. —Você sempre foi minha família. Não é por sua causa que vou embora, você sabe. Prometo vim te visitar, mas por favor, não fica assim.

Então, eu a abracei. Abracei-a com todas as minhas forças, sentindo o doce aroma de framboesa que tinha seus cabelos. E ali permanecemos juntos, durante longos minutos. Ter Lana em meus braços me passava o dever de protegê-la, assim como ela sempre fez comigo. E naquele momento, senti algo que nunca havia sentido antes. Um sentimento que não conseguia demonstrar e por outro lado, jamais poderia.
— Mas o que é isso? — dizia Richard, que entrou no banheiro bruscamente, com os olhos arregalados.
Soltei-a e o encarei sério.
— Encontrei a Lana aqui, chorando. E sabe por quê? – perguntei-lhe, ironicamente.
Meu pai sempre soube do desejo que Lana tinha de ser mãe. No início ele a apoiava, mas depois que percebeu que ela poderia ter dificuldades para engravidar, não lhe ofereceu mais ajuda. Ele não ficou ao seu lado todas as vezes em que se sentiu frustrada, nem muito menos a acompanhou ao médico para talvez saber se o problema era com ele mesmo.
— Isso não é da sua conta – disse, friamente. – Nós precisamos conversar Lana, agora sai daí e deixa de drama. – Dirigiu seu olhar até mim. – E você, o que está fazendo aqui ainda? Por um acaso resolveu voltar?
— Só vou embora amanhã. Não se preocupe, em breve não precisará mais me ver.
— Ótimo! – disse, então saiu rapidamente e entrou no quarto, batendo a porta com força.
— Bom, vou dormir, boa noite. Fica bem. – digo a ela, que parece um pouco melhor.
Ela contraiu levemente os lábios, formando um sorriso.
— Obrigado por se preocupar, Ricardo, mas não precisava. Ah, boa sorte amanhã – respondeu.
– Sorri. — Obrigada. Não adianta você dizer para não me preocupar, eu sempre vou me preocupar com você.

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O que vocês acham dessa relação fofa do Rick e da Lana? Eles são uns amores, né não? Impossível não amar esses dois!

Conta aí pra mim o que achou do capítulo, vou adorar saber sua opinião. Beijão e até mais!

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