Capítulo - 9

Começar do início

Um calafrio roubou-lhe a paz, ergueu seu rosto na direção do espelho oval e encarou seu reflexo, estava com a maquiagem toda borrada, fez uma careta para si mesma, precisava de um banho relaxante.

Enfim se afastou da pia e caminhou na direção da imensa banheira de hidromassagem, abriu a torneira encurvada de cor metálica, sentou-se na beirada e aguardou que ela enchesse até a metade, sua cabeça ainda latejava, jurava pra si mesma que nunca mais iria beber daquela forma.

Seu celular começou a tocar. Eve meneou a cabeça para o lado, tinha o deixado na cama. Resmungou ao se levantar, caminhou lentamente e com pouca vontade na direção do quarto. Ao chegar à porta do banheiro resmungou pelo fato do quarto estar escuro, tateou a mão sobre a parede para achar o interruptor. Sentiu uma fisgada em seu estomago como se tivesse levado um soco. Finalmente achou o interruptor e acendeu a luz.

O quarto estava uma bagunça, Eve encostou por um segundo no umbral da porta e passou os olhos por toda a dimensão do lugar. Havia travesseiros no chão e claro, seu vestido estava sobre o abajur, sua calcinha e sutiã sobre uma cadeira próxima à imensa janela oculta pelas grossas cortinas.

Mas estranhou o fato de ter um pequeno balde metálico sobre o criado-mudo, não se recordava de ter pedido nada. Coçou a cabeça e se afastou da porta, o celular parou de tocar, para seu alívio, a morena continuou a caminhar na direção da cama, mas parou ao ver a garrafa de champanhe caída sobre o carpete.

Ao se aproximar do criado-mudo pode notar um vaso com flores artificiais, caído perto da garrafa. A jovem se abaixou para pegar o vaso e para sua surpresa tinha um pedaço de papel preso entre as flores coloridas e próximo tinha um lenço branco com as iniciais "M.B" bordado em dourado.

Eve retirou o pedaço de papel e sentou na beirada da cama, abriu o bilhete e passou os olhos nas palavras escritas, conhecia aquela grafia, sentiu seu estômago congelar, releu baixinho o que estava escrito.

"Adorei a noite, espero que não tenha se arrependido, com amor Mike."

Depois de reler pela vigésima vez amassou o bilhete o jogou longe, deixou seu corpo cair contra o amontoado de colchas e lençóis. Não podia ser verdade, não se recordava de nada depois de ter tido aquela discussão com o cretino do Michael.

Não seria capaz de ter cedido a ele, milhares de perguntas atingiram sua mente, Eve cobriu o rosto e suspirou. Não se recordava de absolutamente nada e tudo por causa do álcool em excesso que tinha tomado.

Seu celular começou a tocar novamente, por um milésimo de segundo cogitou não atender, mas aquele som estava aumentando sua dor de cabeça. Esticou o braço e procurou por entre aquele emaranhado de colchas, até por fim encontrá-lo.

Era um número desconhecido, mas não estava nem um pouco interessada em saber quem era. Apertou a opção e rejeitou a ligação.

Que merda eu fiz? Se martirizou por alguns segundos com os olhos fixados no teto.

Cobriu o rosto por um segundo e choramingou em silêncio.

Como se odiava naquele momento, a incerteza pairava em sua mente e para ajudar a dor de cabeça estava aumentando. Com muito esforço sentou-se na beirada da cama, precisava dar um jeito e tirar a limpo aquela situação, Michael Bolton era um traste e não era de se duvidar que tivesse se aproveitado de seu momento vulnerável.

Balançou a cabeça de forma pensativa, tinha que dar um jeito ou todo seu plano iria por água abaixo, se levantou e caminhou na direção do banheiro.

A água já estava pela metade, entrou na banheira e deitou. Seus pés estavam doloridos devido ao salto que tinha usado na noite anterior, esticou as pernas e deixou a ponta dos pés para fora da água morna, por um segundo fechou os olhos, incrédula.

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