Algumas nuvens cinzas começavam a se espalhar pelo céu azul daquela tarde de sexta-feira. Eve permanecia sentada no banco em frente à capela que ficava nos fundos da propriedade. Fora ideia de seu falecido pai que era um tanto religioso e resolveu construir para que quando passassem as férias de verão no campo, tivessem um lugar para rezar e digamos, entrar em sintonia com o criador.

Eve estava distraída contando as poucas nuvens brancas entre as de tom cinza, recordava seus dias de criança quando deitava no gramado e ficava imaginando formatos para as nuvens, corações, cachorros e muitos outros.

— Eve, anda logo, pare de ficar aí imaginando desenhos nas nuvens. – Chamou Claire no topo da pequena escadaria que dava acesso à varanda da capela. — Só está faltando você.

A morena se endireitou sobre o banco e revirou os olhos, francamente, estava ficando cansada daquelas "ideias brilhantes" que sua irmã tinha. Levantou-se relutante e caminhou na direção da capela, passou as mãos sobre o vestido alisando-o.

Ao chegar à porta Eve acabou deixando o seu celular cair no chão, sendo o centro das atenções, a jovem praguejou baixinho e não se importou com os olhares, apenas abaixou para pegar seu celular. Ao se endireitar, Eve passou os olhos pelos bancos, odiava sentar na frente e preferiu se juntar a Tia Suzy e sua mãe que estavam no último banco.

— Parece que teve uma péssima noite. – Indagou Suzy encurvando-se na direção de Eve.

Ela virou seu rosto na direção de sua tia, tinha que concordar, pois não tivera uma excelente noite. O ar-condicionado de seu quarto quebrou e teve que enfrentar o terrível calor que fazia naquele lugar e alguns pernilongos intrusos.

— Francamente, odeio esse calor e os pernilongos dos quais fui uma proeminente doadora de sangue a madrugada toda. – Respondeu com pouco caso.

Suzy arqueou a sobrancelha e fez uma careta, abanou-se com seu leque colorido.

— Deus me livre ter que dormir com as portas da varanda abertas, pois sabemos que há muitos pernilongos nessa época do ano. – Disse virando seu rosto para frente.

Eve fez o mesmo, sentia seu corpo todo dolorido, pois rolara por toda a cama a madrugada inteira, sem contar nos hematomas que coçavam em seus braços e pernas devido às ferroadas dos malditos pernilongos.

— Acho que os pernilongos iriam preferir morrer a ter que sugar seu sangue, tia Suzy. – Zombou Eve.

Eve não resistiu a uma risada devido à expressão que sua tia tinha feito com aquele comentário sem nem um pingo de humor da jovem. Marie virou o rosto para encarar a filha que continuava a rir. Novamente Eve era o centro das atenções, Suzanne deu um beliscão no braço da jovem que resmungou de dor.

Claire fez um som com a garganta fazendo Eve se virar para frente e notar que todos a estavam encarando.

— Como estava dizendo, antes da minha irmã me interromper... – Disse Claire continuando seu pequeno e democrático discurso.

Eve virou seu rosto na direção da tia que ainda estava com uma expressão fechada, a jovem se ajeitou sobre o banco e disse:

— Credo foi apenas uma piada, não precisa ficar com essa cara de velório.

A morena parou de falar e virou-se para frente para ouvir o velho discurso de Claire, desde sua infância maravilhosa até o ingressar em Harvard, dos momentos tristes que passou, os pesadelos e as demais coisas que não eram necessárias. Eve encostou sua cabeça no banco e fixou seus olhos no teto.

Acho que deveria dizer também quando perdera a virgindade. Pensou Eve lutando contra uma risada.

— Acho que irão adorar o que preparamos para hoje. – Anunciou Claire, todos permaneciam calados observando-a. — Acho que como serão nossos padrinhos, eu e o George decidimos que deveriam conhecer seus pares, poderiam caminhar pela propriedade e desfrutar da companhia um do outro.

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