Eve sentou-se sobre a beirada da cama, havia acabado de retirar suas roupas, seus olhos estavam fixos no velho baú arredondado de tom mogno escuro, onde guardava seus objetos pessoais quando ia passar a temporada de verão com a família. Dias esses que nunca mais tivera depois da morte de seu pai.

Anos se passaram e muitas coisas mudaram.

Uma onda de incerteza pairava em sua mente, não tinha nenhuma ideia sobre o que seu destino poderia reservar, mas estava louca pra voltar para o conforto de seu apartamento em Manhattan.

Arfou decepcionada, deixou seu corpo cair contra os macios lençóis.

Ela duvidava que conseguisse dormir, achou melhor não ir deitar-se até as pálpebras caírem pelo cansaço, levantou-se, caminhou na direção das portas de vidro da varanda suspensa e as abriu recebendo uma lufada de vento gelado em seu rosto.

Por apenas um momento, Eve perdeu a compostura. Seus olhos tornaram-se poças de lágrimas, e seus lábios assumiram uma expressão triste. Permaneceu alguns minutos com a cabeça encostada no batente da porta.

Mas o som de cochichos chamou sua atenção, Eve caminhou até uma das barras de proteção da varanda e procurou ver quem estava a uma hora daquela do lado de fora. Seus olhos pararam em um vulto próximo ao imenso carvalho, ela sentiu congelar seu sangue, poderia reconhecer aquela voz a distância.

Michael Bolton estava distraído conversando no celular, Eve moveu a cabeça de forma lenta e girou sobre os calcanhares, mesmo que estivesse um tanto curiosa para ouvir com quem Michael estava cochichando, respirou fundo e rapidamente saiu da varanda fechando as cortinas.

Ele virou-se na direção da varanda e ajeitou sua camisa, disse algo para a pessoa no telefone e desapareceu na escuridão.

Eve apertou os lábios firmemente, retirou a camisa dos Celtics e deixou seu corpo cair de frente contra os macios lençóis, resmungou algumas palavras que eram abafadas pelo travesseiro macio, virou seu corpo de forma lenta, fixou seus olhos no teto e por alguns minutos se perdeu em pensamentos. Estava cansada de ficar naquele lugar sem fazer absolutamente nada e tentando ficar longe de problemas.

Sabia que o casamento para sua irmã era a realização de um sonho e não poderia abandoná-la, mesmo que isso a fizesse surtar por dentro. "As pessoas só se casam por amor." Dizia seu pai, mas pra ela era uma ideia deplorável, pois em pleno século vinte e um as pessoas se amarravam umas nas outras só pelo fato de estarem apaixonadas.

Mesmo porque, se achava mesquinha em pensar daquela forma, pois um dia também tinha sonhado em se amarrar a alguém.

Suspirou. Não demorou muito para que caísse no sono, podia ouvir o som produzido pelos ventos em contato com as árvores próximas a sua janela, aos poucos seus músculos foram relaxando, até por fim cair nos braços cálidos de Morfeu.

Podia apenas ver a silhueta alta se aproximar, antes que pudesse tentar correr ou gritar sentiu que uma grande mão pressionando seu peito, diretamente sobre seu coração. Não havia como esconder o ritmo frenético das batidas, um medo produzido por aquele maldito pesadelo, fazia dias que não tinha pesadelos.

Uma risada aguda que parecia atravessar sua alma ecoou por todo o lugar, os olhos castanhos de Eve tentavam desesperadamente buscar o rosto, mas em vão. Resmungou algumas palavras, enquanto suas delicadas mãos se prendiam contra o lençol.

O som produzido por batidas na porta a fez despertar daquele pesadelo, assim que abriu os olhos assustada, esfregou a lateral de seu rosto que tinha batido no criado-mudo, a porta enfim se abriu permitindo que a luz do corredor entrasse. Marie estava parada junto à porta encarando-a com um olhar sereno, rapidamente passou a mão pelo interruptor acendendo a luz.

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