O céu até parecia um manto negro decorado com o brilho das estrelas, uma noite agradável, Eve tinha conseguido rever alguns velhos conhecidos da época do colegial, uma reunião anual que Nathalie organizava. Combinando de se juntarem para colocar os papos em dia, umas vinte pessoas ou mais ao redor de uma imensa fogueira ao som de um velho violão.

Um golpe de vento lhe agitou o cabelo e uma mecha lhe tampou os olhos, a expressão de seu rosto se perdia em uma silenciosa aflição.

Pela primeira vez em sua vida sentira a falta da agitada Manhattan, suas regalias e claro, de seu assistente Todd Benson.

— Está tudo bem com você? – quis saber a ruiva alta que estava sentada ao seu lado. — Parece aflita, precisa relaxar e experimentar um pouco de Marihuana¹, é um calmante natural.

Antes que Eve pudesse responder, a moça lhe entregou um cigarro, encarou Nathalie, que estava do outro lado da fogueira junto com Stuart, por um segundo. Afinal era maior de idade e dona da própria vida, deu uma longa tragada, mas logo começou a tossir, entregou o cigarro de volta para a garota ao lado, uma estranha sensação apoderou-se de seu corpo, indecifrável e relaxante, ela sentiu seu corpo relaxar e se entregar ao êxtase daquele momento.

Um dos rapazes começou a cantar e tocar em seu velho violão a música, "Summer time" de Janis Joplin, Eve sentia o ritmo de seu coração acelerar, mas sua face estava aparentemente tranquila. Ela permaneceu distraída com aquela vibe e nem sequer pôde ver Nathalie se aproximar.

A loura sentou ao lado dela no pequeno banco improvisado com uma velha tora, os ventos fizeram com que as labaredas do fogo começassem a subir lentamente na direção do escuro céu, pousou a mão esquerda sobre o ombro da amiga.

— Parece tão preocupada. – Sussurrou Nathalie pegando Eve de surpresa.

Eve mostrou um sorriso opaco e pendeu a cabeça para o lado. Nathalie a envolveu em um longo abraço.

— Por que todo mundo acha que estou preocupada? – questionou um tanto aflita enquanto gesticulava com ambas as mãos. — Primeiro a tia Suzy com suas perguntas inúteis, não posso esquecer a Claire, que só está preocupada com o casamento dela e agora você. Céus! Estou bem, apenas preciso de espaço.

Perversamente, os olhos dela se encheram de lágrimas. Lágrimas de raiva, de frustração. Nathalie encarou-a com ar triste e apertou de leve o braço da amiga.

— Não se faça de durona perto de mim, esqueceu que conheço até a última vírgula aí dento de você? – questionou Nathalie.

A morena concordou e encarou-a de relance, enxugou as lágrimas com a mão direita e se ergueu, estava sentindo seu corpo dolorido, pois tivera uma tarde agitada e precisava apenas de sua cama.

Nathalie a acompanhou até o velho Jipe, mas pôde notar que a amiga estava em um estado que não poderia dirigir, claro, depois de algumas cervejas e um Marihuana, por outro lado sabia o quanto Evelyn Gooding era teimosa para ouvir um: "Você não pode dirigir".

— Eve! – chamou Nathalie alguns passos atrás.

A morena girou sobre os calcanhares e mostrou um sorriso para a amiga, que parecia estar um tanto séria.

— Fala. – Respondeu Eve.

— Não pode ir embora assim. – Alertou pegando a morena de surpresa, rapidamente ela parou de mexer dentro da bolsa e a encarou, Nathalie prosseguiu. — Você precisa desabafar.

A expressão de Eve se modificou, a morena soltou um longo suspiro e concordou, retirou um maço de cigarros de dentro da bolsa e estendeu um para a amiga.

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