Somos o casal mais estranho da galáxia

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Apesar de ter um dos piores reencontro da história, Rafael acordou se sentindo leve como uma pena. Nem tão leve assim já que não sabia se Lia iria lembrar ou não da noite passada. Relembrando disso, adicionou uma nota em seu celular para lavar os sapatos mais tarde. O inimaginável aconteceu na noite passada e ele nem tinha se dado conta disso.

Fios loiros recém-pintados estavam espalhados pela cama de casal, junto a um corpo que estava esparramado pelo colchão todo. Olhando assim, Lia parecia até uma estrela do mar.

O pensamento fez Rafael querer rir, coisa que parecia impossível dado ao fato de sua risada ser extremamente descontrolada.

- Onde estou? - Rafael sentia que isso era seu karma, já que depois de levantar da cama e andar pelo quarto acabou tropeçando em seu mochila. O que resultou em um corte na boca, já que coisas trágicas acontecem e ele deu com a cara no chão.

- Estamos em um motel. - explicou quando conseguiu se recuperar da queda.

- Espera, estamos? E como assim em um motel? E porq... - o baque com o chão fez Lia parar de falar. - Ai!

- Sim, estamos em um motel. - Rafael ajudou ela a se levantar, vendo que a mesma não conseguia muito resultado.

- Por que? - suas feições curiosas e um pouco desesperadas por uma resposta fizeram Rafael se distrair. Era tão bom ver ela assim, o rosto sem maquiagem alguma, cubrindo todas as imperfeições de seu rosto. Os olhos vermelho pelo sono, a camisa masculina amarrotada.

- Isso é uma espinha no seu nariz? - a pergunta importuna fez Lia enterrar o rosto no travesseiro e dar um grito de frustração, talvez.

- Não me lembre disso e responda logo a maldita pergunta! - quando Lia queria, conseguia ser exigente. Rafael nunca tinha notado isso até agora.

- Porque você passou mal na tal "festa de formatura" e eu a trouxe para cá já que sua mãe obviamente não aprovaria seu comportamento. - seu rosto estava em uma clara tentativa de tentar se lembrar da noite de ontem, obviamente não obteve muito resultado.

- Que merda.

- Que merda. - repetiu Rafael deitando ao lado dela. Observou seu rosto atentamente. - Sua espinha está me dando medo.

- Cala a boca, Rafael.

   A risada alta do mesmo foi a única coisa que se ouviu no quarto durante alguns segundos. Lia estava em uma batalha mental, sua mente estava em uma enchente de perguntas. Tudo estava tão estranho desde que acordou. Mas um estranho tão bom... Porque as coisas eram assim na vida da recente loira, tão estranhas que não conseguia nem descrever.

- O que você está fazendo aqui? - a pergunta fez Rafael sair de seu torpor e logo a ansiedade estava pronta para ser liberada. Como ela estava muito bêbada na noite de ontem, obviamente não lembrou de nenhuma de suas palavras. Céus, foi tão difícil dizer aquilo cara a cara na noite passada, como iria dizer tudo para ela agora? Especialmente sóbria. Rafael ainda achava que era culpa do karma.

- Eu vim atrás de você. - Lange fechou seus olhos, tentando não lembrar de que Lia estava lhe encarando fixamente. - Na verdade, joguei algumas roupas na mala e tentando lidar com a crise de ansiedade, me enfiei em uma avião o mais rápido para cá.

- E qual o motivo disso tudo? - era a hora, Rafael tinha noção disso.

- Você, eu, nosso relacionamento...

- Relacionamento? - a simples pergunta fez Lange abrir os olhos e encarar Lia, que no mesmo segundo gargalhou.

- Nós ainda temos um relacionamento, certo? - o coração de Rafael estava acelerado com a possibilidade de não terem mais um relacionamento por culpa dele. Por culpe de ser tão idiota ao ponto de fugir de seu namoro por insegurança.

- Não sei, me diga você. - mudando o tom de voz, ele pode captar que Lia estava ressentida.

-  Você quer que eu diga o quê? Que sou uma covarde e não consigo lidar com emoções novas? Porque sou exatamente isso! Tenho inseguranças igual a todo mundo, embora não demonstre. É muito mais fácil falar com as pessoas através de uma câmera, do que pessoalmente. Lia, não sou acostumado a ter laços com pessoas assim, sem fazer parte da minha família. E um dia acordei e foi como se tomasse um choque. - a essa altura, Rafael andava de um lado para o outro no quarto do motel, as palavras saiam como se não conseguisse se controlar. - Caramba, isso foi um recorde, geralmente não consigo falar muito sem gaguejar.

- Isso realmente é uma surpresa vindo de você. - foi sua única resposta, o que causou uma frustração em Lange. Se abrir e falar assim era difícil para ele, mas o que esperava afinal?

- Então... nós estamos.. hum...

- Se estamos bem? - o olhar cético de Lia fazia seu estômago borbulhar, o porquê disso tudo? Ele não sabia. Mas no meio disso tudo, Rafael viu o canto de seu lábio se contrair, ela estava segurando o riso.

- Você está rindo de mim? Ah não, Lia!

- Na verdade, estou rindo pelo fato de você não ter me beijado ainda.

   A frase deixou Rafael atônito, parado no meio do quarto ainda assimilando o fato. Isso foi claramente um convite, certo? Dane-se! Em um único segundo, seus lábios se encostaram e os deixou fora desse mundo por minutos. Deus, Rafael não tinha se dado conta de quanto amava isso. Aliás, ele não tinha se dado conta em vários aspectos de seu relacionamento que tanto gostava, não tinha se dado conta de como Lia era demais, contudo, não tinha se dado conta de como ficava perto dela.

   Sorriso bobo, mãos nervosas e pernas inquietas.

- Lia, eu gosto muito de você mas essa espinha ta me deixando cagado. - o silêncio não durou mais de um minuto quando romperam o beijo e se abraçaram.

   Sua resposta foi um travesseiro no meio da cara.

- Rafael, estou pensando seriamente em romper se você continuar lembrando desse pesadelo no meio da minha cara! - a ameaça o fez ficar quieto, acabaram de se acertar, Lange realmente não queria que começassem uma discussão outra vez.

     Apesar de tudo, eu e ela nos dávamos bem. Mesmo com todas as nossas brigas infantis e com os surtos dela que me faziam ter um ataque cardíaco, com seus amigos extremamente loucos (Lola) e uns extremamente atrevidos (Yuri), eu ainda conseguiria aguentar tudo isso, até porque, no final de tudo, a garota com um dos sobrenomes mais estranhos do mundo ainda estaria lá comigo. Lilian Kuchta ainda estaria ao meu lado.

meu coração ta quebrado porque é o último mas espero que tenham gostado. eu sou chorona e saibam que ja estou chorando, pq clouds eh minha vida, mesmo qie tenha capítulos extras e talz.

capítulo dedicado a uma das crushs amorzinho: letzz-et szsz a primeira a ler o capitulo e chorar comigo.

agradeço a todos e vem surpresinha por ai, daqui a pouco eu posto os agradecimentos ok? ja tenho eles escritos desde 7 fevereiro :(((

all the love,
tia ana

Clouds → Rafael Lange | CellbitOnde as histórias ganham vida. Descobre agora