2° Dia.

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24 de março de 2016, San Diego.

Acordei com dores na coluna.

Pensava que tudo isto tinha sido um sonho, mas afinal, não!

Fiquei em silêncio a analisar se havia algum barulho do outro lado da porta.

A minha barriga já pede por comida.

Tiro o livro.

3° Dia.

Dói-me imenso o rosto, mas pelo menos ele dá comida, o que já não é mau de todo.

Hoje, esteve aqui um médico.

Ele esteve a falar com Joshua. Eles vão cozer todas as partes do corpo e formar uma mulher.

Que raio de médico é ele?

Ele está perante partes de corpo diferentes e perante um psicopata autêntico e não fala com a polícia?

Se calhar é psicopata também.

Será que mataram alguém da família dele e agora ele está a reconstruir a pessoa? Isso é a pior maneira de o fazer!

Como irá todas aquelas partes do corpo funcionar?

Se tiveres mais coragem que eu e fores calma com ele, tenta saber mais sobre ele. Pode ajudar-te a sair daqui!

Guardei o livro.

O que irei falar com ele?

Será que ele está a tentar reconstruir a Beatrice?

Ele é doentio! Um psicopata!

A porta abre-se e o homem entra.

"Bom dia." - Ele falou.

"Bom dia." - Murmurei.

"Trago-te pequeno almoço." - Entrega-me uma bandeja.

"Quanto tempo irei estar aqui fechada?" - Questionei-o.

"71 dias." - Falou.

"Se vai matar-me, porque não mata já? Porque espera tanto tempo? Quantas pessoas saíram daqui vivas?"

"Come e deixa-te de perguntas."

"Eu preciso de saber!" - Grito. "Acha que a Beatrice iria gostar disso?"

"Tu não fales na Beatrice!" - Gritou vindo até mim. "Eu juro que corto-te os lábios!"

Calei-me. Era o melhor.

Comecei a comer o croissant mesmo não gostando de queijo. Bebi o capuccino e entreguei-lhe a bandeja.

"Eu volto mais tarde. Até lá, calada!" - Disse perto do meu rosto.

O homem saiu.

Como ele consegue cortar as pessoas? Está completamente doido, é isso?

Cá para mim, eu acho que ele está a reconstruir a Beatrice. Se calhar ela morreu? Ou deixou-o?

Também, quem queria namorar com um homem daqueles?! Só se ela fosse tal como ele, o que eu não acho.

Olho em meu redor. Tem de haver mais alguma coisa para além do livro de Olivia.

Tinha outro armário. Fui até ao mesmo e vi a sua traseira. Não havia nada.

Procurei dentro do armário. Nada.

Estava a passar perto da janela quando a madeira ringiu. Olhei para o chão. Ajoelhei-me e tirei com cuidado a madeira.

Lá estava algo interessante. O diário de Beatrice.

Abri o mesmo.

Querido Diário,

Hoje fui surpreendida por Joshua. Ele falou que tem uma agradável surpresa para mim.

Ele de facto, tem sido o melhor homem de sempre para mim.

Não existem frases suficientes para agradecê-lo.

Ontem, beijámo-nos pela primeira vez. Ele declarou-se.

Pela primeira vez, eu sinto que estou sendo amada.

Beatrice.

Ouço um barulho e páro de ler. Escondi o diário no mesmo lugar.

Joshua entrou.

"Vamos conversar." - Colocou a cadeira há frente da minha cama e sentou-se.

"Pensava que achavas que eu falava demais." - Sento-me.

"E continuo a achar, mas preciso de falar."

"O que queres falar?" - Ainda bem que ia seguir engenharia. Ser psicóloga não é o meu forte, de todo.

"Quando fazes anos?" - Perguntou-me, alegremente.

Será que ele droga-se?

"3 de abril."

Ele engoliu em seco.

"Estás bem?" - Falei quando o vi ficar pálido.

"Sim." - Murmurou. "Tenho de ir." - Levantou-se.

"Pensava que querias conversar a sério."

"Talvez, noutro dia." - Arrastou a cadeira consigo. Abriu a porta e ficou parado. "Sabes, talvez irás ser a única que irá sair daqui viva."

"Com cabeça?" - Ele riu-se da minha pergunta.

"Com cabeça."

Acabou por sair.

Será que estou a causar algum efeito nele?

Ele é demente, como poderei chegar ao coração de pedra dele? Isso se ele tem coração, pois duvido muito disso.

71 Days Of PainOnde as histórias ganham vida. Descobre agora