›» Capítulo 9 «‹

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Vamos imaginar que eu estou numa piscina calma apenas olhando para o céu e, de repente, alguém pula do nada formando uma onda de água da qual me leva para o fundo da piscina, fazendo assim com que eu me afogue por completo. Foi mais ou menos isso que aconteceu, mas a diferença é que o David é a pessoa que me afoga e a água é a vida.

Vou confessar que a minha semana não foi nada calma. Tive que acabar o trabalho de matemática, mas não sabia como fazer sendo que nem eu nem a Andrea nos falávamos. Obvio que a minha maior vontade era de acabar com aquele silêncio, acho que fui meio bruto naquele dia da briga, mas eu não iria atrás. Para falar a verdade a maioria das pessoas estão sem falar comigo.

O David ainda não olha na minha cara, e isso resultou em todos passando reto como se ele fosse um líder. Pensando bem, ele seria um ótimo bobo da corte com aquele queixo se achando superior a todos. Só acha mesmo...

O mais estranho disso tudo foi a Bailey. Ela não fez escândalo nem me chamou de "Ben, amorzinho!", pelo contrário! Hoje nós entramos de mãos dadas como sempre, mas ela não balançou o cabelo como nos outros dias; Bailey ficou quieta, e isso trouxe inúmeras perguntas não respondidas na minha cabeça. Pode ser que ela só esteja em um dia péssimo. Queria muito acreditar nisso, mas sei que tem um outro motivo maior.

Tudo o que eu sei é que está acontecendo alguma coisa e eu estou por fora, e o pior de tudo é que eu estou envolvido nessa discussão. Tenho que descobrir o mais rápido o que é para esse suspense acabar, aliás, não estou num filme onde segredos serão revelados. Por favor!

Olho para a garota morena ao meu lado e ela está encarando o chão. Bailey Wood, a garota que sempre anda com a cabeça erguida, agora, está andando tipo galinha procurando milho? Isso realmente não pode estar acontecendo, aliás, a única vez que ela encarou o chão foi quando o brinco dela caiu e fez todo mundo procurar pois, segundo ela, era de ouro. Ela sempre disse que quem olha para o chão é derrotado. Deve ser por isso que sou desse jeito, um fracassado que odeia olhar para a realidade.

— Bailey? – pergunto receoso.

— Oi? – ela diz me encarando.

— Está tudo bem?

— Sim! — ela diz caindo na realidade. — Meus pais mandaram eu te avisar que é para você ir jantar lá em casa hoje, ok? — apenas assinto com a cabeça. — Ótimo. Preciso entrar na sala. Te vejo depois, amorzinho — ela diz dando ênfase na última palavra. Pra quê!

Isso foi estranho demais para eu assimilar tudo de uma vez. Primeiro ela estava calada, apenas andando sem ligar para o que girava ao seu redor (sério, se estivesse na rua ela com certeza bateria a cabeça num poste de tão distraída que estava), e depois parece que coloca uma máscara bem forte de ferro e volta a ser quem sempre foi. Inclusive, ela até voltou a jogar seus fios escuros que iam até as costas para lá e para cá. Particularmente não entendo as mulheres, e prefiro ficar sem entender. Só sei que nesse angu tem caroço.

Ando até a sala como todos os dias e sento na última cadeira, praticamente caindo sobre a mesa. Se pudesse pelo menos dormir nessa aula, agradeceria, mas do jeito que a professora-de-matemática-com-sotaque-estranho é, capaz de me bater a reguada. Dla é tão velha que na época dela deveria ser assim mesmo, então não duvido que ela aplique isso nos dias de hoje. Mas também, por que ela tem que se preocupar se eu vou passar ou não? O problema vai ser meu mesmo, ela não vai simplesmente me dar um A (e eu sei que vou passar pois sou bom demais).

Hoje seria um bom dia para pegar o carro, fugir daqui e tentar viver da música. Eu iria adorar fazer isso, e aí não precisaria saber qual é a função do cosseno na raiz quadrada de X. A calculadora que resolva isso sozinha e não me inclua. Pena que eu tive essa ideia de fugir só agora que não tenho mais tempo para sair daqui.

Além do MarWhere stories live. Discover now