escrito a outro

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Já teve aquela sensação estranha de que seus pensamentos não cabem na sua cabeça? Eles vêm como um impulso, e me atingem como um raio e instauram uma irrevogável tempestade, no meio da qual eu mal consigo me manter numa ordem coerente de raciocínio. Já se sentiu assim? Eu penso, penso, penso até inexoravelmente, penso em fluxo, penso torrencial e copiosamente – em tempestade, mas não é fácil expressar em palavras ordenadas o que eu sinto – e eu sinto mesmo. É quando eu começo a pensar que não existem palavras, símbolos, convenções gramaticais, códigos ou dialetos para expressar o-que-você-me-faz-sentir.

Vou nomear assim. O-que-você-me-faz-sentir.

E o-que-você-me-faz-sentir é uma espécie do gênero saudade de ouvir você dizendo que adorou ouvir minha voz ontem, embora eu não consiga encontrar nada de especial na minha voz de sempre. Saudade do tipo que me faz ficar olhando as chamadas recentes no celular, só pra lembrar das suas ligações, de quando eu podia te ligar e dizer "chego em 15 minutos" ou "estou pronta, pode vir me buscar". O-que-você-me-faz-sentir é tão e tanto que eu não duvido mais da possibilidade de me apaixonar por alguém, mesmo à distância.

Porque o-que-você-me-faz-sentir ignora a distância.

Foi ontem, mas parece que já não é assim. Eu te conheci. E naqueles segundos em que você a mim pertencia com exclusividade, eu tive certeza. O-que-você-me-faz-sentir dá vontade de ficar admirando e contemplando e não-acreditando no que está bem aqui. Ou bem aí.

Onde quer que eu esteja. Porque toda vez que eu sou forçada a deixar a sua presença, meu coração fica cinza e só volta a se colorir quando eu penso em você.

Peço desculpas se já não faço sentido. É o tal do fluxo de pensamento que falei mais cedo.

Ou, a quem eu quero enganar. É o fluxo de sentimentos que você me faz sentir.

Eu, NósLeia esta história GRATUITAMENTE!